12 dicas para professores combaterem as fake news em sala de aula

Débora Thomé
Escrito por Débora Thomé

Como formar um leitor crítico e bem informado em pleno auge das fake news? A alfabetização midiática faz parte das diretrizes curriculares da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que deve vigorar a partir de 2020. Por isso, escolas públicas e privadas devem se preparar seus professores para lidar com o assunto em sala de aula.

Não à toa, o tema esteve presente na programação do evento Educação 360. Realizado nos dias 24 e 25 de setembro, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, discutiu a educação como antídoto para as fake news em uma das palestras. E ainda realizou dois workshops sobre o mesmo assunto.

Educacao-360-2018-workshop-fake-news-inoveduc

Januária Alves e Flavia Aidar em ação durante a oficina “Alfabetização midiática: como não ser enganado pelas fake news”, no Museu de Arte do Rio (Foto: Divulgação)

A mesa que reuniu Eugênio Bucci, jornalista e professor na ECA-USP, Claudio Sassaki, cofundador do Geekie, e Thiago Braga, professor no ensino médio. Na discussão, o trio destacou a velocidade da disseminação das notícias falsas e o impacto que elas causam na sociedade. Também frisaram a importância e o papel da educação no combate à desinformação em todas as camadas sociais.

Precisamos educar também as nossas elites. Aquelas camadas que se tornam dirigentes, elite no sentido abrangente. As elites no Brasil não têm apreço pela verdade, não têm apreço pelos fatos. Isso leva a uma distorção de deseducação no topo. Educar para a democracia, para o respeito e para o cultivo da verdade é um grande desafio no Brasil”, disse Eugênio Bucci.

Ferramentas tecnológicas auxiliam no combate às fake news

Fake news foi eleita, em 2017, a palavra do ano pelo Dicionário Collins. Traduzida para o português, signfica:

“Informação falsa e, em alguns casos, sensacionalista,
apresentada como um fato, publicada e disseminada na internet.”

De acordo com a BNCC, o estudo das fake news deve estar presente no componente curricular de Língua Portuguesa. Fará parte dos conteúdos trabalhados nos anos finais do ensino fundamental (do 6º ao 9º ano), no qual o aluno é visto como protagonista da cultura digital.

Alguns softwares e sites ajudam a identificar as fake news. O Projeto Comprova foi criado pela coalizão de 24 veículos de mídia. A proposta é combater a desinformação no período eleitoral, principalmente.

. MobNex: gamificação que educa jovens para a mobilização política

Mas há outras iniciativas que realizam a checagem de notícias, de forma mais ampla, circulando pelas redes sociais ou no WhatsApp, como:

Segundo a mestranda em Criação e Produção de Conteúdos Digitais Isabela Pimentel, para trabalhar o tema fake news em sala de aula, o ideal é que o professor comece apresentando o atual cenário. Ou seja, uma perda de credibilidade nas instituições tradicionais, como governos, sistemas públicos e até mesmo na mídia.

Diante deste cenário, o professor precisa fazer uma correlação entre esse ambiente de desinformação e perda de credibilidade das chamadas fontes tradicionais e o crescimento das mídias não oficiais, sites de menor porte, que produzem notícias de cunho sensacionalistas, muitas vezes sem respaldo científico e apuração necessárias.”

Como o professor pode lidar com fenômeno da desordem da informação

Os alunos são fontes de informação e um elo entre o que aprendem na escola e os círculos sociais que frequentam. Na opinião de Isabela Pimentel, esse processo de educação midiática e compreensão do risco que os boatos e fake news representam deve ser trabalhado o quanto antes em sala de aula.

. Alfabetização midiática: uma aliada para os problemas contemporâneos

Sendo cidadãos mais conscientes, esses alunos podem frear, por exemplo, a viralização de um áudio falso em um grupo de família”, exemplificou a especialista.

. Edify promove evento de pura inspiração para professores no RJ

A estudiosa considera importante o aluno se tornar um leitor atento tanto de sites tradicionais quanto dos não oficiais. Incluindo aí as redes sociais, cada vez mais consideradas fonte de notícia.

Para isso, Isabela Pimentel separou 12 dicas para os professores abordarem o assunto em sala de aula.

 

Débora Thomé

Débora Thomé

Editora-chefe
[email protected]