Accenture busca um sistema de educação que veja para onde vai o futuro

Larissa Siqueira
Escrito por Larissa Siqueira

A ideia de ter um sistema de educação que olhe para onde futuro está indo já foi discutida no lançamento da publicação Ireland’s National Skills Strategy 2025. Além de entender esse “caminho”, os educadores precisarão ter agilidade para mudar esse sistema ao longo do tempo. Um dos membros do comitê que elaborou essas estratégias é Julie Spillane.

A engenheira e empreendedora dirige um dos prédios mais tecnológicos do mundo, The Dock, terceira unidade da Accenture em Dublin. Além disso, integra o grupo que desenvolve novas estratégias no Departamento de Educação da Irlanda e também é membro do grupo conselheiro do governo irlandês em habilidades das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC).

O projeto foi desenvolvido a partir de uma pergunta: “Para onde a educação está indo no futuro?”. Segundo Julie, sua experiência em lidar diariamente com novas tendências tecnológicas na Accenture foi o que a levou a fazer parte desse comitê.

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A diretora da Accenture disse que é difícil para a indústria prever essas novas habilidades. Principalmente para os provedores de educação. Até porque os ciclos de uma perspectiva educacional são mais longos. E ainda acredita que o grande desafio é acompanhar a tecnologia demandada por alunos nas instituições de ensino, por exemplo.

Centro multidisciplinar de pesquisa no coração das Docas

The Dock é um centro de pesquisa e incubação multidisciplinar. Fica no coração do Silicon Docks e vivencia diariamente a tecnologia, inclusive em sua estrutura. Localizado em um ecossistema que é beneficiado pela presença de outras importante empresas da área tecnológica como AirBnB, Google, Facebook e Linkedin, o local agrupa uma série de projetos em que tecnologias são criadas e testadas.

Julie Spillane explicou que nesse centro de incubação alguns negócios-chave estão em destaque. Inteligência Artificial, Análise Avançada, Marketing Digital, Ciências da Vida e, com maior ênfase recentemente, Internet das Coisas (IoT). A diretora ressaltou que este é um tempo sem precedentes no mundo, onde várias tecnologias acontecem ao mesmo tempo.

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O Dock reúne um espaço de criadores onde os times desenvolvem protótipos. Segundo Julie Spillane, quando se fala de inovação, só se torna realidade quando alguém cria ou faz algo. Por isso, o time coloca a mão na massa, literalmente.

“Podemos falar sobre inovação. Mas a melhor forma de testar uma ideia ou testar a usabilidade de algo é criar algo e testar com usuários reais”, explicou a diretora.

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A recepção do prédio The Dock, da Accenture, um dos mais modernos do mundo

Em resumo, o trabalho das equipes é, de acordo com a diretora, ver quais áreas terão um grande impacto no futuro. Então, investir nelas, além de tentar entender como irão mudar o mundo. Exemplo disso é a Inteligência Artificial (IA).

“Nós realmente acreditamos, na Accenture, que Inteligência Artificial vai mudar a forma como o mundo funciona e vive”, disse Julie Spillane.

O importante do ponto de vista da inovação é remover as barreiras que impedem a colaboração entre as pessoas, segundo a diretora. Por isso, os espaços no centro multidisciplinar são abertos para, literalmente, não haver barreiras entre as pessoas. Um exemplo desses times multidisciplinares são equipes em que há designers trabalhando com um phd em Inteligência Artificial.

O sistema de educação é uma das indústrias

A Accenture trabalha com 18 indústrias globalmente. Educação não ficou de fora desse processo. Um dos times que representa a companhia trabalha junto a uma universidade, parceira de outras quatro empresas, para desenvolver uma graduação de quatro anos em Data Science. A dinâmica, entretanto, funciona diferente de um bacharelado normal.

“Como essa área está mudando muito rápido, se estabelecemos isso agora e criamos essa graduação de quatro anos, quando os estudantes estiverem concluindo o último ano novas tecnologias já terão sido inventadas. Então eles criaram o que a indústria está chamando de ‘graduação viva’. O que significa que será constantemente reinventada pelos parceiros na indústria”, explicou.

Entre outros projetos, a Accenture procura selecionar os cerca de 150 estudantes que contrata anualmente, diretamente no campus. Porém, não com uma entrevista normal, mas atraindo os alunos pelo design thinking, cases de negócios e estudos.

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“Estamos tentando fazer que eles entendam a experiência da vida real no trabalho para que os estudantes possam, então, decidir se querem isso ou não.” Além disso, em uma parceria com a CoderDojo, 40 crianças com idade entre três e 12 anos vão ao Dock para aprender programação.

A Accenture na Irlanda

São três escritórios e 2.200 pessoas trabalhando na Accenture da Irlanda. A previsão é que a empresa conte com 2.500 colaboradores até o fim do verão deste ano no país. No Grand Canal Square, as equipes se voltam para a área de negócios com clientes locais. No Grand Canal Plaza, são operações globais.

Já The Dock ficou como centro de pesquisa e incubadora. Presente desde 1969 no país, a empresa iniciou sua atuação com clientes locais até expandir internacionalmente.

Em 1999 foi estabelecido o centro de serviço europeu, onde mais recentemente foi inaugurado o centro de inovação em The Dock. O prédio, o mais tecnológico do país, recebeu os times no final de 2016.

Larissa Siqueira

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