Alfabetização Midiática e Informacional na prática

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Marcio Gonçalves
Escrito por Marcio Gonçalves

O conceito de Alfabetização Midiática e Informacional (AMI) ainda é uma expressão que tem espaço para discussão, em muitos casos, apenas no ambiente acadêmico. Na comunicação de massa, que é aquela cuja informação circula em mídias tradicionais, como rádio, jornais, revistas e televisão, falar deste termo não é tão comum.

Como, portanto, popularizar este debate e criar ações práticas, por exemplo, dentro da escola e das universidades?

Sem descartar as reflexões que muitos teóricos se esforçam em construir até chegar a um denominador comum acerca da AMI enquanto conceito, preferimos aqui ficar com aquele que se aproxima mais do que a Unesco nos apresenta — competências que enfatizam o desenvolvimento de habilidades a partir de investigações e a capacidade de engajamento significativo junto às mídias e aos canais de informação, independentemente das tecnologias usadas.

Na prática, a nosso ver, é levar os usuários a não apenas consumir, mas, também, produzir conteúdo de valor para a sociedade.

Quando pensamos em levar a AMI para dentro da escola e das universidades devemos imaginar que os estudantes precisam entender a história das mídias para que eles não pensem que tudo o que já fora construído está resumido numa única palavra: internet.

O que está disponível na web só está lá porque o texto está presente de forma escrita ou visual. O suporte é digital, mas o podcast é um arquivo em áudio e, portanto, tem voz e isso nos remete ao rádio. Os vídeos no Youtube têm imagem, texto e contexto e nos levam a pensar na televisão. Eles foram produzidos com processos de captação de imagens e de edição. Sem contar os virais, os memes, as gifs, os tuítes, os posts, e por aí vai…

Pensar coletivamente é ouvir o outro

De forma a permitir que o senso crítico seja despertado ao ver conteúdos gratuitos na web, por exemplo, que tal tornar aqueles que apenas consumiam informação, por meio das mídias sociais e aplicativos, em produtores de conteúdo, para que eles reconheçam os processos de construção da informação até ela ser compartilhada na internet?

Afinal, os influenciadores digitais estão por aí falando de marcas, e tudo isso não é altruísmo.

Recentemente, o Conar (Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária) puniu alguns deles por terem ferido as regras de publicidade e propaganda.

Para criar algo, é preciso parar para coletar informações. Não é à toa que vemos proliferar muitas técnicas que colocam as pessoas para pensarem juntas: o Design Thinking (DT) é uma delas.

Por meio dos processos de DT — empatia, definição, idealização, protótipos e testes —, é possível iniciar um projeto e/ou ideia bem planejados para divulgar na rede, e nele inserir os criadores em questionamentos críticos a respeito daquilo que estão construindo em conjunto. É justamente a aplicação do que a AMI nos convida a praticar, pois coloca os usuários da internet em posição de reflexão diante das informações que circulam no ciberespaço.

Mas mesmo que não se aplique DT para extrair ideias de um coletivo, é só olharmos para trás para percebermos que é a discussão de determinados assuntos que podem garantir reflexões críticas. A partir de exemplos do cotidiano, inserir certos assuntos nas aulas pode ajudar a desdobrar outros.

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Se o tema for racismo na internet, por exemplo, motive a turma a produzir conteúdo que oriente os públicos na rede: que tal um pequeno vídeo em que essa turma compartilhe a opinião dela? Ou uma mini campanha na internet que desmistifique esse comportamento? Pode ser também uma postagem positiva nas redes sociais, um tuíte, um live vídeo ou um slide show.

Ferramentas não faltam para motivar essa criação. É só perguntar na turma as habilidades que cada um tem na produção de conteúdo digital. Temos certeza de haver resposta positiva que renderá a garantia de começar a colocar o conceito de AMI na prática. Mãos à obra porque uma boa safra de produtores de conteúdo de valor há de surgir.

Marcio Gonçalves

Marcio Gonçalves

Líder do projeto “Aula Sem Paredes”, professor de cultura digital do Fundamental I e II na Escola Eliezer Max e docente no Ibmec, na Facha e na Unesa