A gestão da educação do futuro para os ensinos fundamental e médio

Gestão da educação do futuro para ensinos fundamental e médio

Fátima Dias
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Fica cada vez mais difícil acreditar que o futuro da educação será solucionado  apenas com o desenvolvimento dos professores, como muitos apontam.

Na realidade, estamos falando de grandes dificuldades culturais, dado que fazemos o mesmo com a educação há quase 80 anos. O que chamamos de problema da educação parece ser, cada vez mais, a dificuldade de levar a termo, ou seja, levar aos alunos, as ideias que o mundo acadêmico tem para o futuro. São muitas as teorias e metodologias verdadeiramente fantásticas.

O problema da educação não é a falta de ideias para o futuro, mas sim como fazer o futuro da educação acontecer desde hoje. Este futuro contempla, entre outras tendências, o aprender fazendo, a autonomia do aluno, sistemas híbridos e a problematização como lógica para a aprendizagem.

As instituições de ensino fundamental e médio atuaram por muito tempo com modelos de gestão que valorizavam a autonomia do professor acima de tudo, permitindo assim uma personalização dos processos. Tal fato as afastou de uma gestão com foco nas mudanças necessárias e na garantia da implantação bem sucedida das novas ideias.

Não reside nesta afirmativa nenhuma crítica aos professores, cuja autonomia é fundamental, mas não é suficiente para definir modelos de gestão. A realidade atual foi construída durante décadas por acreditarmos ser este o melhor caminho.

A riqueza cultural do mundo acadêmico não necessariamente proporciona uma visão disruptiva em relação aos planos para o futuro. Talvez seja este o maior desafio que as instituições de ensino encontram no momento. O corpo docente, em grande parte, tem mais afinidade com a forma como a educação foi conduzida nas últimas décadas do que com as possibilidades futuras.

Um agravante desta situação é o senso de urgência, que difere bastante do timing das transformações tecnológicas e comportamentais para um horizonte de tempo muito curto – 2025.

Não causa estranheza que um número expressivo de professores estejam mais interessados em conhecer e refletir sobre as mudanças do que em conceber uma forma de garantir que estas mudanças cheguem aos alunos. O prazer pelo pensar parece ser bem maior do que conhecimento em como gerenciar as mudanças e  fazê-las acontecer na prática.

Então, como ficamos?

 

Discutir modelos de gestão com foco em objetivos específicos e em processos estruturados de acompanhamento que meçam resultados é, claramente, uma tarefa de responsabilidade da direção de cada uma das instituições de ensino fundamental e médio, que precisam repensar seus  modelos de gestão.

As escolas precisarão construir uma opinião institucional, apresentar sua forma de pensar e defender uma forma de agir que sejam bons guias de condução da transformação da educação. Então, como ficamos? É preciso desenhar e atuar através de modelos de gestão  que apoiem os professores, que diferenciem a criatividade do improviso, a responsabilização da cobrança e também o tempo para reflexão da ausência de senso de urgência.

Nossos alunos não podem esperar muito tempo. É necessário que os orçamentos para a transformação sejam construídos com base em uma visão de futuro, definindo prioridades, especialmente para tecnologia e sustentabilidade.

A direção de cada instituição precisará trabalhar apoiada em planos de médio e longo prazos para lidar com a demanda dos próximos oito anos. Precisarão ainda de processos de seleção e avaliação condizentes com as mudanças a serem feitas, de programas de reciclagem e de formação para professores. Quantos professores estão atualmente preparados com know how sobre as teorias e metodologias mais importantes para uma sociedade futura? Quantos professores estão preparados para implantar estas teorias?

O processo de planejamento estratégico, até então visto como ferramenta de gestão empresarial, deve ir para dentro das escolas, como forma de garantir que o conhecimento não se perca em burocracia e em métodos antigos, nas dificuldades pessoais e no baixo senso de urgência.

A introdução da tecnologia como questão essencial deverá ter lugar de destaque no planejamento de 2018 . Não é possível que este seja um assunto tratado como qualquer outro, presente nas aulas de robótica ou laboratórios de informática, pois saber programar e saber pensar em breve estarão lado a lado. Em 2025, teremos um mundo inteiro conectado e vivendo transformações sociais afetadas pela tecnologia.

Em resumo, o planejamento com foco em mudanças impactantes e rápidas precisará guiar também as ações de Coordenadores e Orientadores, garantindo uma visão transversal do conhecimento, da alocação de recursos e da definição de prioridades. Os ambientes físicos de aprendizagem não poderão mais ser os mesmo de décadas atrás, com cadeiras enfileiradas e um assunto por vez.

O corpo docente não foi educado para fazer gestão. Precisa de modelos que sejam envolventes e participativos, mas que garantam estruturas e processos adequados às mudanças necessárias, ou corremos o risco de termos salas de aula repletas de crianças e adolescentes desinteressados, passivos e sem autonomia.

Sejam todos bem-vindos à profissionalização da gestão das escolas de ensino fundamental e médio para o  futuro, que começa amanhã de manhã.

 

Fátima Dias

Fátima Dias

Fátima Dias é especialista na formulação e condução de planos estratégicos e estruturação organizacional, com experiência executiva na gestão de empresas nacionais. Coach nível sênior, certificada pelo ICI, tem formação ainda em Estratégia Empresarial pela Kellogg School of Management da Northwest University e MSc em Administração de Empresas pela COPPEAD/UFRJ.

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