Aula sem paredes: uma nova arquitetura escolar

Marcio Gonçalves
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“Sempre foi verdade que tudo o que agrada ensina mais eficientemente”. É com esta frase, presente no texto “Aula sem Paredes” do professor canadense Marshall McLuhan, que devemos encarar a possibilidade de promover uma nova dinâmica em sala de aula envolvendo alunos, professores, universidades e demais instituições de ensino e aprendizagem. Por meio da conquista de autonomia digital pelo estudante e pelos professores, o projeto Aula Sem Paredes multiplica informação para que pessoas transformem-a em conhecimento.

Artigo Aula Sem Paredes - InovEduc
Artigo de Marcio Gonçalves – doutor em Ciência da Informação, professor universitário e autor do projeto Aula Sem Paredes – para o InovEduc

É razoável promover autonomia digital de pessoas que queiram ampliar o relacionamento com outras pessoas mediado por tecnologia. Para que a aula aconteça em novos formatos que desafiam o clássico, alguns valores precisam vir à tona: criatividade, multiplicação, compartilhamento, inovação e multidisciplinaridade.

O texto de McLuhan foi escrito na década de 1960, no século XX. Muito tempo já se passou de lá para cá. Agora a dinâmica de aula sem paredes, no século XXI, pode abranger várias plataformas digitais com o objetivo de disseminar conhecimento de forma gratuita e mostrar as possibilidades que as tecnologias virtuais oferecem como forma de complementar o ensino tradicional.

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É plausível promover aulas, por exemplo, no Instagram, no Facebook, no Youtube e no Twitter. Nestas plataformas sociais pode haver dicas de leitura, orientações sobre mercado de trabalho e análises de questões propostas em sala de aula. Desde que li o texto de McLuhan, percebi que meu papel como professor transcendia o espaço físico da sala de aula convencional.

A proposta é derrubar as paredes presentes no fluxo de informações, unir pessoas e ideias e espalhar conhecimento pelos espaços, como se fosse água, de forma fluida e abrangente, para que se vá além da sala de aula. É utilizar a Internet como ferramenta de ajuda, não como obstáculo do ensino.

Na prática, o professor deve fazer uso do celular como um facilitador da produção de conteúdo. As redes sociais podem funcionar como mediadoras do acesso à informação. A interação professor-aluno pode ultrapassar a sala de aula por meio de uma convivência social saudável em ambiente digital. O compartilhamento de conteúdo com acesso gratuito nas nuvens também é aceitável.

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Tudo o que agrada não ensina mais eficientemente? Então, também é possível usar os memes da internet para ensinar e divertir. O uso consciente de live videos nas mídias sociais dá para ensinar técnicas de audiovisual, oratória, semiótica, postura corporal e, acima de tudo, popularização do acesso a conteúdo de valor na internet. Uma nova arquitetura escolar é imaginável com aula sem paredes.

Marcio Gonçalves

Marcio Gonçalves

Doutor em Ciência da Informação, professor universitário e autor do projeto “Aula Sem Paredes”

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