BNCC do Ensino Médio prevê mudanças e desafios para sua consolidação na educação

Fabrício Cortezi

Está chegando o momento que toda comunidade escolar tem pedido já há algum tempo: as novas diretrizes de conteúdo do Ensino Médio, que serão norteadas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Tão relevante quanto a BNCC do Ensino Fundamental, homologada em dezembro de 2017, a Base para o Ensino Médio parece um pouco mais complexa quando levamos em consideração que corre em paralelo a reforma do Ensino Médio.

Podemos dizer que é um momento esperado porque, nos últimos anos, os problemas enfrentados pelos alunos, professores, diretores e mantenedores, dentro das escolas que oferecem esse segmento, sejam públicas ou privadas, só se agrava. A evasão de alunos e o papel de professores em sala de aula tem sido bastante comentado em todas as esferas.

Uma reforma curricular é vista com bons olhos quando imaginamos o caos sistêmico que atinge o Ensino Médio, que visa formar cidadãos e ao mesmo tempo torná-los capazes de entrar em uma universidade — seja via Enem ou não — que não parece estar funcionando para a maioria dos estudantes ao final do ensino básico.

No entanto, ainda não parece muito claro como os professores trabalharão os objetos do conhecimento e as competências após o processo de mudanças.

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No final de fevereiro e inicio de março, o destaque sobre a BNCC foi que só apareceram como obrigatórias as disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática. Isso não quer dizer que as demais disciplinas que hoje aparecem segmentadas como Física, Química, Filosofia, ou Geografia, por exemplo, estejam de fora do documento.

Disciplinas serão agrupadas por áreas de conhecimento

As demais disciplinas aparecem agrupadas em áreas do conhecimento, onde indicam um conjunto de competências e podem propor um percurso formativo, que já é uma tendência em termos de educação. A grande questão é como as escolas, e mais do que isso, como os nossos professores irão se adequar a essa nova relação com a educação.

Esse é o momento de toda comunidade escolar acompanhar o processo de construção dessa nova BNCC, uma vez que quanto antes nos prepararmos, melhor o trabalho será desenvolvido após a homologação e sua relação com a reforma do Ensino Médio. Isso sem levantar a discussão do desafio das editoras de mercado privado, sistemas de ensino e o Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) entregarem um conteúdo que faça sentido para a comunidade escolar.

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Ao mesmo tempo, será necessário formar e orientar professores, autores, diretores, pais e responsáveis. É um desafio enorme, mas que não pode ser adiado.

A preparação da BNCC é feita desta maneira para garantir a prerrogativa dos estados brasileiros na organização de seus currículos, medida que deve ser tomada com muita atenção, de forma a não gerar uma desigualdade ainda maior nos estados da federação. Quando o assunto é a reforma do Ensino Médio em si, os debates já foram iniciados a pelo menos um ano.

Alunos anteciparam escolha da área de conhecimento

Com pontos positivos e negativos, a reforma é muito relevante quando olhamos para o futuro do Ensino Médio. Os alunos precisarão escolher entre os cinco “itinerários formativos”, o que parece uma evolução. No entanto, os alunos acabam antecipando a escolha, não necessariamente da sua profissão, mas pelo menos da área de conhecimento que possui mais afinidade. Embora essa escolha possa não ser definitiva, isso gera uma ansiedade nos alunos e alunas.

O ponto a ser considerado nessa reforma, que é pautado pelas tendências de educação em diversos países desenvolvidos, de acordo com o ministro da educação, é se as escolas irão entregar aos alunos todas as cinco opções — ou pelo menos 4, se não considerarmos o ensino técnico.

Um outro desafio é garantir que as escolas tenham condições de entregar os itinerários formativos para que a escolha dos alunos seja genuína, e não restrita à sua abrangência geográfica.

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Considerando as regiões em que isso será uma realidade, o estimulo ao protagonismo dos estudantes deve ser um dos pontos chave da reforma: com uma maior aproximação dos objetos do conhecimento e das habilidades ao cotidiano dos estudantes, permitindo que eles mesmos escolham seus itinerários, é esperado um maior interesse pelo Ensino Médio, e assim podemos diminuir problemas de evasão, dando o significado real para a escola.

Embora alguns países sejam conhecidos por seus modelos de educação, como por exemplo a Finlândia, nós não podemos simplesmente importar ou replicar esses modelos.

A educação é um processo complexo que depende diretamente da sociedade onde ela está inserida. Fatores sociais, econômicos e demográficos são importantes quando determinamos um modelo de educação.

Isso não quer dizer que devemos abandonar os modelos que já existem mundo afora, muito pelo contrário. Cada região, estado ou país, deve estudar modelos que se mostram eficientes, levando também em consideração o bem-estar de alunos e professores, de forma a criar o modelo que melhor se aplica aquela região, afinal, o ponto em que todos concordamos é que a educação é a base para a formação de um país.

Fabrício Cortezi

Fabrício Cortezi

Coordenador Pedagógico do Sistema de Ensino pH, que integra o portfólio de empresas da SOMOS Educação

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