Cinema e Educação - artigo de João Alegria para Inoveduc

O cinema na escola

João Alegria
WhatsAppFacebookShare

Desde quando o cinema surgiu, no final do século XIX, foi estabelecida uma relação entre as imagens em movimento e a educação. Há uma ou outra dúvida sobre a quem cabe a paternidade dessa relação cinema e educação, mas isso importa pouco. O mais importante é perceber que por se tratar de uma tecnologia de produção e reprodução de imagens em movimento, ela foi vista, quase que imediatamente, como uma excelente maneira de demonstrar aos estudantes o conteúdo das disciplinas de forma atrativa e envolvente.

Nos primórdios, ainda antes do cinema de animação, no primeiro cinema como se diz, o que despertou a atenção dos educadores foi a possibilidade de, através das imagens, proporcionar deslocamentos aos alunos, levando-os – sem saírem da segurança da sala de aula – até a África, até o Himalaia ou a Floresta Amazônica, e assim poderem entender melhor o que antes era apresentado apenas como uma abstração nas descrições dos professores e textos didáticos.

Cinema e Educação no Brasil

No Brasil existiram vários educadores que podem ser considerados pioneiros na defesa do uso de recursos como o cinema, e especialmente o cinema, na sala de aula. Incluindo a proposta da produção de filmes por professores em parceria com seus alunos, para além da simples exibição de filmes já disponíveis para o uso educacional.

. Em defesa da alfabetização em múltiplas linguagens

Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, é possível encontrar menções a essas práticas desde pelo menos a década de 1920. Foi nesta cidade também que o uso desse recurso nas escolas foi pela primeira vez incluído numa Lei, em 1927, durante o que ficou conhecido como Reforma Fernando de Azevedo da educação.

Cinema e Educação
João Alegria fala sobre a relação entre Cinema e Educação em artigo para o InovEduc

Naquela época não havia dúvida sobre a eficácia do uso do cinema para facilitar o aprendizado. Mundo afora se organizaram congressos internacionais sobre o tema (o primeiro foi em 1910), e grandes companhias produtoras, como a Pathé francesa e a Edson dos Estados Unidos, se dedicaram a criar coleções de filmes que atendiam aos currículos escolares, com conteúdo para todas as disciplinas.

No Brasil, o maior feito nesse sentido foi a criação do Instituto Nacional do Cinema Educativo, o INCE, em 1937. Com o INCE o governo federal procurou estabelecer uma política pública de produção e distribuição de filmes para uso nas escolas brasileiras. Nesse mesmo período de nossa história política, conhecido como Estado Novo, sob o comando de Getúlio Vargas, havia uma grande preocupação com a propaganda política, portanto, a iniciativa de produção de filmes para uso nas escolas fazia parte de um projeto de comunicação a favor do núcleo ideológico que dava fundamento ao governo vigente. O que não impediu que o projeto reunisse os esforços criativos de educadores e cineastas como Jonathas Serrano, Roquette Pinto e Humberto Mauro.

Durante todo o século XX, educadores e cineastas brasileiros se debruçaram sobre a proposta da inclusão do cinema na escola e na sala de aula. Foram muitas as experiências e os atores envolvidos, que precisamos conhecer e aprender a valorizar.

Saiba mais sobre o assunto conhecendo a história de uma das mais importantes iniciativas de utilização do cinema na escola, o Cineduc.

João Alegria

João Alegria

João Alegria é diretor do Canal Futura e professor do Departamento de Artes e Design da PUC-Rio. Dedica-se a projetos e consultoria em educação, tecnologias contemporâneas e a experiência de ensinar e aprender.

Ver todas as postagens publicadas por João Alegria