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De consumidores a produtores de conteúdo

Bruna Nunes
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A tecnologia digital propiciou uma série de transformações na forma como as pessoas aprendem e em como se dá o processo de ensino-aprendizagem. Uma delas é, sem dúvida, a possibilidade de que estudantes e professores possam, eles mesmos, criar seus próprios conteúdos e recursos educativos, usando as novas tecnologias como importante ferramenta e aliada.

Trata-se de uma importante mudança de paradigma educacional. Durante anos a escola foi um espaço baseado quase que exclusivamente na transmissão e reprodução de conteúdos, previamente determinados e elaborados, com o intuito de apoiar o processo de aprendizagem dos jovens.

Hoje, com o advento de inúmeras ferramentas digitais, é possível que os estudantes não apenas assistam a um vídeo, acessem um jogo digital ou leiam uma notícia na internet, mas que possam criar seus próprios conteúdos digitais, estimulando e fortalecendo a sua capacidade criativa.

Bruna Nunes para InovEduc: Alunos devem se tornar produtores de conteúdo
Estudantes podem se tornar produtores de conteúdo

Mas isso não é tudo: ao serem os próprios usuários os responsáveis por criar os recursos educacionais que serão utilizados para dinamizar os conteúdos curriculares – como parte do seu próprio processo de ensino-aprendizagem -, o resultado é a produção de materiais pedagógicos com muito mais sentido e eficácia. Isso porque seu ponto de partida é a própria realidade que eles vivenciam.

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Além disso, uma vez disponibilizados em comunidades virtuais criadas com o fim de compartilhar esse conhecimento adquirido de forma aberta – isso é, com licenças flexíveis -, podem ainda servir de apoio e inspiração a outros professores e estudantes. Tanto para criar seus próprios recursos como para utilizar aqueles criados por outros, remixando-os e adaptando-os aos seus próprios contextos educativos.

Isso já vem ocorrendo com alguma frequência nas escolas de todo o Brasil. A introdução de metodologias ativas e abordagens educacionais como o Design Thinking e a Aprendizagem por projetos e desafios (PBL), tem promovido um movimento muito interessante nesse sentido. Professores e estudantes do Rio de Janeiro, por exemplo, criaram um jogo digital sobre o período colonial, usando uma plataforma de elaboração de games para isso.

Outros, do Rio Grande do Sul, a partir da constatação da ausência de personagens negros nas histórias infanto-juvenis, elaboraram um e-book, reunindo histórias infantis escritas por eles, que tinham como protagonistas personagens negros. Em ambos os casos, professores e alunos trabalharam os conteúdos curriculares obrigatórios, desenvolvendo recursos educacionais como parte do processo de ensino-aprendizagem. O resultado não poderia ser mais positivo: fortalecimento da capacidade criativa, mobilização e engajamento.

Por isso, é fundamental que governos e secretarias invistam na formação dos professores para o uso da tecnologia desde uma perspectiva proativa e não apenas consumista. O verdadeiro empoderamento digital dos professores e estudantes passa por incentivar a sua criatividade como produtores de conteúdo, pensando em soluções educacionais que façam verdadeiramente sentido para a sua prática docente e aprendizagem.

Bruna Nunes

Bruna Nunes

Comunicadora e educadora, Bruna Nunes é mestre em Ciência Sociais e doutora em Estudos Internacionais e Interculturais pela Universidad de Deusto (Espanha). Atualmente colabora com o Instituto Educadigital, desenvolvendo projetos focados na formação de professores para o uso da tecnologia e em metodologias e abordagens educacionais inovadoras.

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