A EAD está complicando a educação tradicional?

Stavros Xanthopoylos
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Educação a distância no InovEducEu fiquei motivado a trazer uma reflexão em relação a questão acima lendo uma postagem da minha amiga e colega Liliam Silva redigida em seu perfil de rede social na qual ela relaciona o que chamou de “rupturas econômicas”  e seus impactos na introdução do e-mail aos correios, MP3 às gravadoras, Netflix às locadoras, do Google às listas de classificados, Airbnb aos hotéis, Whatsapp à telefonia, e assim prossegue com o Uber, OLX, Zip Car, Bitcon, Tesla e chega a Ead em relação à educação tradicional.

Falando de EAD, lembro que todo cidadão comum é um aluno a distância, hoje, basta estar de posse de um dispositivo smart, seja este um celular, um tablet ou um computador, com acesso à internet. Ou seja, a rede que nos une num ciberespaço de comunicação em conjunto com as aplicações de redes sociais permite que tenhamos acesso à informação, a dados e ao conhecimento que nos interessam, num ambiente global que permite a interconexão daqueles que tem interesses comuns. Este ambiente foi exclusivo aos pioneiros da EAD e hoje é comum a todos.

Vale ressaltar que nos últimos dez anos a modalidade de EAD no Brasil tem sido responsável pelo crescimento do número expressivo de estudantes no ensino superior, ampliando o contexto do acesso à formação superior e auxiliando para o cumprimento das metas governamentais.

Transcendendo o conceito de EAD, em uma visão mais ampla, podemos incluir neste leque a educação aberta e flexível num ambiente digital, assim permitindo que tenhamos um processo educacional muito mais complexo no que se refere a montagem da estratégia pela qual a instituição educacional irá navegar. No presente, o modelo pedagógico compreende um continuum do presencial, puro ou com tecnologia aplicada, ao online, tutorado ou puro, convergindo para modelos híbridos. Quando imaginamos a educação aberta, a qual foi desenvolvida para permitir acesso irrestrito aos que buscam a sua formação, consiste neste contexto o aspecto da gratuidade e flexibilidade de definição de currículo. Aspectos restritivos ainda no Brasil devido à nossa legislação e parcialmente atendidos pela UAB.

O ambiente digital integrado no escopo da aprendizagem, formal ou informal, é propício para o uso mais amplo de metodologias ativas de aprendizagem como da classe invertida, do conectivismo, e outros métodos colaborativos e interativos, trazendo luz ao desejo de Comenius em Didactica Magna de 1638, que diz “é necessário desenvolver um método de ensino em que os professores ensinem menos para que os alunos possam aprender mais”. Ou seja, oportunizamos a vivência da aprendizagem e formação mais próximas à realidade e dos problemas reais, realizada entre os estudantes em conjunto com o direcionamento e apoio do professor ou tutor.

Os conteúdos estão cada vez mais disponíveis e muitos de forma gratuita ou em formatos de recursos educacionais abertos (REA), construídos de forma aberta, colaborativa, remixados, reutilizados e constantemente atualizados. Os MOOC’s revolucionaram o cenário da EaD, introduzidos em 2011, são cursos de massa, abertos, online em sua maioria gratuitos oferecidos pelas mais importantes universidades do mundo, mais uma vez permitindo acesso.

Os elementos descritos aqui originários da EAD são os principais complicadores para a educação tradicional. Porém prefiro visualizar a “ruptura econômica” aqui repleta de oportunidades para reinvenção e sobrevivência no cenário educacional na era digital por meio da construção de modelos que deem respostas às demandas descritas aqui. Sofrer de paralisia de paradigma e repassar a oportunidade de navegar neste mar azul que os próximos 20 anos traz com uma previsão mais de 400 milhões de demandantes para o ensino superior (Unesco), além das oportunidades de ensino técnico ou da educação continuada, não parece ser uma opção para quem tem acesso a tanta informação.

Stavros Xanthopoylos

Stavros Xanthopoylos

Educador, Fundador e Diretor da SPX Consultoria, Diretor Internacional da ABED

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