A efetividade das metodologias ativas no processo de aprendizagem - Inoveduc

A efetividade das metodologias ativas no processo de aprendizagem

Rita Guarezi
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As metodologias tradicionais, que têm como prática a transmissão dos conteúdos, eram mais adequadas quando o acesso à informação era basicamente por meio de materiais impressos. Com o advento da Internet e a possibilidade de aprender de diferentes formas e em qualquer lugar mudou o modelo tradicional professor, aluno, sala de aula. De acordo com Almeida & Valente, 2012, esta facilidade de acessar as informações de qualquer lugar do mundo exige metodologias adequadas a esta sociedade altamente conectada.

Teóricos como Dewey (1950), Freire (2009), Vigostski (1979) entre outros, alertam há muito tempo que precisamos superar a educação tradicional e focar no processo ensino e aprendizagem onde o aluno é o centro e deve ser tratado no sentido de desafiá-lo a tomar decisões.

Portanto a DTCOM tem como base para o desenvolvimento de seus cursos diretrizes educacionais que defendem que o processo ensino e aprendizagem a distância ou blended seja problematizador, dinâmico e adequado a diferentes estilos cognitivos. Também defende que a aprendizagem seja permeada de práticas para que o aluno possa aplicar o que aprende em sua realidade.

Algumas premissas educacionais são importantes para sustentar os diferentes estilos cognitivos entre elas destacamos as seguintes:

  • Contextualização: implica em adicionar o conteúdo ao ambiente que está sendo inserido, para que possa ter significado ao aluno. Importante entender que contextualizar está sempre vinculado a capacidade de compreender algo em relação ao que rodeia. Geralmente o contexto vem recheado de exemplos e de perguntas que levam o aluno a pensar como aquele conteúdo se encaixa a sua realidade.
  • Ênfase no aprender a conhecer, fazer e ser: na estruturação de um curso os objetivos de aprendizagem, o conteúdo e as atividades devem considerar os diferentes níveis cognitivos. De acordo com a taxonomia de Bloom podemos levar o aluno do simples lembrar até o transformar uma realidade. Isso significa dizer que para fazer este trajeto o aluno precisará ter competência em mobilizar conhecimentos, habilidades e comportamentos.
  • Teoria na prática: é o entendimento de que a teoria por si só não modifica os comportamentos. É necessário entendê-la na prática. Assim, no desenvolvimento e operação de cursos é necessário que o aluno tenha atividades aplicadas em sua realidade, bem como, que o conteúdo esteja permeado de exemplos, situações-problema, cases, entre outros recursos que levam o aluno imaginar e vivenciar a teoria em seu mundo real.

Além destas diretrizes a DTCOM utiliza em seus projetos metodologias ativas. São aquelas que usam estratégias de aprendizagem que permitem ao aluno ser agente no processo de ensino e aprendizagem. Para isso o aluno não recebe todo conteúdo pronto, ele é desafiado a pesquisar, refletir e buscar soluções. Entre as estratégias de metodologias ativas temos a aprendizagem baseada em problemas e aprendizagem baseada em projetos.

Estas estratégias são desafiadoras e por vezes não tão simples de serem aplicadas, pois o aluno passa a ter que buscar os conhecimentos para resolver os problemas ou para criar algo novo a partir de um projeto. Assim, as metodologias ativas inicialmente podem ser mais complexas porém são mais eficazes para que o aluno construa seus conhecimentos, pois ele passa a atuar num campo de desafios que o leva a ser agente do seu processo de aprendizagem. Tanto no ensino presencial quanto no a distância o professor tem um papel fundamental na mediação destas metodologias, auxiliando os alunos a passarem de um modelo passivo de aprendizagem para um modelo ativo, contextualizado e problematizador.

De acordo com Borges (2014) “a utilização dessas metodologias pode favorecer a autonomia do educando, despertando a curiosidade, estimulando tomadas de decisões individuais e coletiva.”

Enfim, entendemos que o processo precisa estar focado na aprendizagem e não no ensino, ou seja o ensino tem que estar a serviço da aprendizagem. Este entendimento muda completamente os modelos tradicionais de ensino ainda bastante presentes em nossas instituições educacionais.

 

Referências
Borges, Tiago Silva. Metodologias ativas na promoção da formação crítica do estudante: o uso das metodologias ativas como recurso didático na formação crítica do estudante do ensino superior. Cairu em Revista. Jul/Ago 2014, Ano 03, n°04.
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia. 36. ed, São Paulo: Paz e Terra, 2009.
DEWEY, J. Vida e Educação. São Paulo: Nacional. 1959a.
VIGOTSKI, L.S. Mind in society: the development of higher psychologocal process. Cambrige: Harvard University, 1979
Rita Guarezi

Rita Guarezi

Sócia e diretora de Educação na DTCOM. Doutora em Engenharia de Produção de Mídia e conhecimento pela UFSC, com pesquisa em processos e procedimentos para qualidade da educação pela internet

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