Empatia, habilidade fundamental para professores do século XXI

Empatia, habilidade fundamental para professores e professoras do século XXI

Bruna Nunes
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Professora ensinando alunos

Durante muito tempo, o processo de ensino-aprendizagem se caracterizou por ser uma via de mão única: alunos sentados em cadeiras enfileiradas, de costas uns para os outros, escutando atentamente um adulto, que do seu lugar de autoridade, lhes dizia o que deveriam saber e aprender. Essa imagem, embora anacrônica, continua fazendo parte da realidade das escolas de todo o Brasil, e, por isso, mesmo deve ser objeto de extenso debate.

Seria redundante relembrar Paulo Freire ao dizer que o processo de aprendizagem deve ser dialógico? É, seria bom se fosse assim. Porém, a realidade educacional brasileira parece afirmar a necessidade de que retomemos os seus ensinamentos, e incentivemos a que professores e professoras se conectem mais com os seus estudantes.

Com conectar, me refiro a realizar um mergulho empático no universo dos seus alunos, a entender quais são as questões que os mobilizam, como se relacionam com a sua realidade e o seu mundo, quais são as suas dores e objetivos. Aprender requer querer, vontade e disponibilidade, isto é, precisa ser significativo. A empatia é fundamental para que isso ocorra.

Mas o que é exatamente empatia?

Como observa Roman Krznaric, autor do livro “O poder da empatia” e fundador do Museu da Empatia, em Londres, durante muito tempo se acreditou que para conhecer-se a si mesmos deveríamos cultivar a introspecção, mergulhando em nosso próprio universo a fim de descobrir quem somos. Hoje, afirma que estamos diante da era do que ele chama de “outrospection”: para descobrir quem somos, precisamos mergulhar na vida dos demais. E, a maneira de realizar isso seria através da empatia.

A empatia é a habilidade de se conectar com os sentimentos, sensações e perspectivas de outras pessoas, a fim de reunir elementos que nos ajudem a nos relacionar melhor com elas.

Ao desenvolver esta habilidade, podemos nos tornar pessoas mais criativas e melhorar nossos relacionamentos interpessoais, entendendo o que existe por trás da ação e dos sentimentos daqueles com quem interagimos. Ser uma pessoa empática significa saber ouvir, mas não só isso. É necessário se colocar também vulnerável, e cultivar uma imaginação ambiciosa, que nos permita calçar de fato os sapatos daquelas outras pessoas.

Desenvolver um olhar empático dentro do processo de ensino-aprendizagem é fundamental para que o mesmo atinja os seus objetivos. Se aprender é uma relação dialógica, que criamos uns com os outros, é necessário que nos conectemos com aqueles que farão parte desse processo, mobilizando-os a tornar-se sujeitos ativos do mesmo. Do contrário, a imagem das carteiras enfileiradas, caracterizado por uma via de mão única, continuará a acontecer, repetidamente. A educação do século XXI deve ser empática, nada diferente disso.

Bruna Nunes

Bruna Nunes

Comunicadora e educadora, Bruna Nunes é mestre em Ciência Sociais e doutora em Estudos Internacionais e Interculturais pela Universidad de Deusto (Espanha). Atualmente colabora com o Instituto Educadigital, desenvolvendo projetos focados na formação de professores para o uso da tecnologia e em metodologias e abordagens educacionais inovadoras.

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