Faça você mesmo e aprenda muito mais fazendo

Faça você mesmo e aprenda muito mais fazendo

João Alegria
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Faça você mesmo. Essa expressão remete a um movimento cultural que defende que as pessoas comuns, qualquer pessoa, como eu e você, por elas mesmas, construam, consertem, reformem, modifiquem ou fabriquem os objetos dos quais necessitam. E que podem ir de um talher a uma casa, ou até mais.

Cultura do 'Faça você mesmo' e movimento Maker são temdência também na Educação
Em artigo para InovEduc, João Alegria fala sobre a importância da cultura “Faça você mesmo” para a educação

Em inglês diz-se: do it yourself, ou simplesmente a sigla DIY. Não há nada de novo nisso. As ideias e as práticas do faça você mesmo estão presentes em nosso meio há anos e, mesmo no Brasil, é bastante comum encontrar coleções de livros das décadas de 1960 e 1970 com tutoriais sobre como fabricar uma infinidade de objetos, móveis e outras utilidades domésticas.

No século XXI essa cultura acabou sendo potencializada pela popularização de várias tecnologias ligadas ao universo dos computadores pessoais e de todos os novos equipamentos e ferramentas que facilitam a execução de tarefas e projetos. Desse modo surge uma extensão mais tecnológica da cultura do faça você mesmo, chamada em inglês de Maker Movement, que podemos traduzir para o português como Movimento dos Fazedores.

Fica mais fácil fazer objetos complexos quando se pode contar com impressoras 3D e Arduínos, que são microcontroladores com rotinas programáveis, que controlam movimentos e ações de dispositivos inteligentes. Por isso, tem se tornado comum em determinados países, por exemplo, um pai criar e imprimir em casa os brinquedos para o entretenimento dos filhos. Ou então grupos de fazedores se organizarem para criar espaços-maker, que concentram ferramentas e recursos para a produção coletiva de objetos variados e o compartilhamento de conhecimentos sobre como fazer.

. Para Sergio Freire, integrar cultura maker ao currículo ainda é desafio no Brasil.

Uma das principais referências a esse universo é a revista Make Magazine, que surgiu em 2005, reunindo e divulgando as principais premissas desse modo de pensar e agir. Outra referência são os FabLabs (Fabulous Laboratories, ou Laboratórios Fabulosos em português), um movimento que aplica os princípios do movimentos dos fazedores ao ambiente escolar, criando oportunidades de aprendizagem a partir do fazer coletivo.

Quando transportada para o meio educacional, a cultura do faça você mesmo abre muitas possibilidades para as relações de ensino-aprendizagem. Cria situações de experimentação em sala de aula, que podem ser diretamente atreladas a conteúdos específicos das ciências, matemática e química.

Também permitem que o educador apresente aos alunos novas relações possíveis com objetos e processos, explorando dimensões do processo educacional que as aulas puramente teóricas não alcançam e criando situações de efetiva colaboração e compartilhamento de responsabilidades que facilitam o aproveitamento do conteúdo proposto.

Para saber mais sobre Maker Movement, acesse o site da revista Maker Magazine. No Brasil, uma boa referência é o blog do Fazedores. Veja também a reportagem especial do jornal O Estado de São Paulo.

João Alegria

João Alegria

João Alegria é diretor do Canal Futura e professor do Departamento de Artes e Design da PUC-Rio. Dedica-se a projetos e consultoria em educação, tecnologias contemporâneas e a experiência de ensinar e aprender.

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