A formação linguística de professores para a educação bilíngue

Marcello Marcelino
WhatsAppFacebookShare

palestrante-BETT-EDUCAR-InoveducA Educação Bilíngue está aí. E veio para ficar. No entanto, o que ainda não é claro é quais são as qualificações que o professor dessa nova área deve ter. Principalmente ao novato, o professor em início de carreira, ou aquele professor de idiomas que procura uma mudança de carreira.

Onde começar? Qual a formação necessária? Em que investir? A escola de educação bilíngue no Brasil, após mais de 15 anos desde o seu boom, e, em especial, o dito “bilinguismo de elite” é ainda uma escola em busca de identidade.

. International School: ensino bilíngue com muita tecnologia e inovação

Não versarei aqui sobre os motivos mais formais por trás disso, tais como a dificuldade (ou negligência) da regulamentação das escolas de educação bilíngue ou qual programa adotar, tudo isso vai para a conta da “identidade em formação”. Tocarei brevemente na questão das habilidades gerais que um professor de educação bilíngue deve ter. Em especial, tratarei rapidamente das habilidades linguísticas.

De forma geral, considero escolas que têm inglês em seu currículo bilíngue, por ser essa minha área de conhecimento. Para tanto, retomo as perguntas que fiz acima.

Onde começar?

Sempre sugiro aos iniciantes, sejam os alunos de graduação ou professores de inglês buscando mudança de carreira, que iniciem a carreira como assistentes de classe. É essencial que o profissional, advindo de um curso de graduação e sem experiência, ou com experiência de ELT vivencie o cotidiano da educação bilíngue.

O candidato, nesse caso, deve buscar escolas que encarem o assistente como um professor em formação, e não apenas como uma “ajuda” na sala. Só assim, o professor em desenvolvimento poderá aprender, experimentar, receber feedback e se desenvolver enquanto se aclimata ao novo ambiente e filosofia da escola.

Qual a formação necessária?

Em termos de educação infantil e fundamental (I), a resposta é clássica: graduação em pedagogia. É o exigido por lei.

Obviamente que isso está longe de garantir que o professor de educação bilíngue esteja preparado para a empreitada apenas com seu diploma de pedagogia em mãos. Por se tratar de Educação Bilíngue, o professor deve possuir certo nível de proficiência na L2 (aqui o inglês). O recomendado é que seja, no mínimo, um C1.

. Plataforma da Simple Education transforma escola convencional em bilíngue

É comum que as escolas aceitem também graduados em Letras, que posteriormente deverão complementar sua formação com um curso de pedagogia. Letras, em contrapartida, não oferece o conhecimento sobre pedagogia, necessário para que o professor se sinta apto e seguro para atuar na área.

É, portanto, bastante comum encontrar um profissional com as duas graduações e que se sente ainda assim despreparado.

Em que investir?

Considerando-se o acima, e o fato de que não há um curso que forme o professor especificamente para a educação bilíngue, o professor formado deve ainda investir em cursos (de curta duração, de extensão e de pós-graduação Lato e Stricto Sensu) que complementem sua formação. Eles vão desde cursos de elementos pedagógicos específicos até os cursos que focam no componente linguístico.

O componente linguístico é essencial à formação do professor para esse contexto, e não é suprido adequadamente nem no curso de Letras. Há de se ter conhecimento sólido dos processos de aquisição de linguagem, das diferenças entre primeira e segunda línguas, dos estudos comparativos de aquisição em adultos e crianças e, claro, acesso à literatura sobre bilinguismo.

Lembro que o desenvolvimento da estrutura de uma língua segue uma lógica matemática, e é impactante no desenvolvimento cognitivo e aquisição de outras áreas do conhecimento. É desejável também que o professor tenha conhecimento de fonética e fonologia do inglês (ou da língua em questão), já que esses componentes linguísticos têm papel fundamental no processo de aquisição da escrita.

Se a língua for o inglês, o professor lidando com biletramento deve ainda obter conhecimento sobre Phonics, muito utilizado no processo de aquisição da escrita pela criança falante de inglês.

O professor deve ainda ter a preocupação em manter-se atualizado em seu processo de aprendizagem e aquisição de sua L2. A L2 pode estagnar (ou fossilizar) e isso limita o desenvolvimento linguístico do professor de educação bilíngue.

educacao-bilingue-inoveduc-artigo

O ideal é que a escola tenha um programa específico de desenvolvimento da linguagem, que trate tanto das (1) questões de aquisição de linguagem para a criança que ali está, como também atrele tal conhecimento ao (2) desenvolvimento linguístico do professor.

O professor necessita de estímulo linguístico, pois ainda é um aprendiz de sua segunda língua, e as suas aulas são o ambiente ideal para motivá-lo a aperfeiçoar sua L2, desde que ele esteja consciente do impacto que ela exerce sobre a criança em fase de desenvolvimento da linguagem.

Um professor com consciência do desenvolvimento linguístico saberá, com orientação, não somente fazer o melhor uso de sua L2 em sala, como também fará escolhas linguísticas mais ricas para uso em sala de aula, associando a linguagem como input linguístico a várias outras atividades ao longo do dia, de forma natural.

 

Marcello Marcelino será palestrante na Bett Educar 2018, onde apresentará, no dia 11 de maio, às 10h, a palestra “Os Desafios da educação Bilíngue brasileira ou/e formação de professores para a Educação Bilíngue”
Marcello Marcelino

Marcello Marcelino

Ver todas as postagens publicadas por Marcello Marcelino