Investir em tecnologia ainda não é inovar - Inoveduc

Investir em tecnologia ainda não é inovar

Betina von Staa
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betina artigo 2 inoveducÉ muito comum escolas e instituições de ensino superior (IES) associarem o conceito de inovação à adoção de novas tecnologias, que já fazem parte do cotidiano do jovem e, portanto, devem ser necessárias para uma educação de qualidade.

Se entendermos, como Keeley et al (2013) que “inovar requer identificar os problemas que importam e lidar com eles sistematicamente até entregar soluções elegantes”, veremos que adequar-se às possíveis preferências dos jovens está longe de resolver um problema que realmente importa. Este pode ser um dos componentes de uma proposta inovadora, mas há problemas na educação muito mais profundos, que importam muito mais.

Como mencionei em meu artigo publicado na  edição 2 da Revista InovEduc, “Inovar na educação não é opção. É necessidade. É urgente”, as altas taxas de evasão do sistema educacional brasileiro provavelmente são o problema maior e mais importante que temos para enfrentar. Cada instituição tem os seus próprios desafios, mas, neste artigo, vamos investigar o exemplo da evasão.

A evasão pode ocorrer por falta de sensação de pertencimento, por falta de aprendizagem, por falta de auto-estima, entre muitos outros motivos. Uma instituição deve ser capaz de olhar para si própria e identificar as reais causas de seus desafios. Para o nosso exemplo, seria importante perguntar: o que os alunos desejam, de fato? O que esperam da sua escola? Estão recebendo o apoio de que precisam? Estão integrados e sentem-se valorizados na comunidade escolar?

Uma vez identificados os problemas, é hora de investigar em outros locais como foi possível resolver estes problemas. Fazer pesquisa de estudos de caso, visitar outras instituições, conhecer teorias que explicam os problemas identificados são essenciais para que se encontre a melhor solução. Dificilmente uma solução concreta surge somente a partir do conhecimento interno da instituição.

Por fim, é até possível que se identifique que investir em tecnologia é necessário para promover comunicação, para viabilizar mais engajamento com conteúdos ricos, para promover mais acompanhamento da aprendizagem com plataformas adaptativas ou para o jovem perceber que a instituição “fala a sua língua”. Ainda assim, não basta instalar a nova tecnologia. É importante orientar e checar se o modo que ela está sendo adotada por alunos e professores favorece a sensação de pertencimento, aumenta os índices de aprendizagem ou promove a auto-estima dos alunos.

É somente com uma implementação absolutamente cuidadosa, que enfoca os usuários e potenciais beneficiários da tecnologia, e não a tecnologia em si, que poderemos, de fato, inovar. É bem provável que seja necessário trabalhar a autoestima do aluno antes de apresenta-lo a uma plataforma adaptativa; que os professores tenham que conhecer e praticar o conceito de avaliação formativa para fazer melhor uso das ferramentas de avaliação automática, entre outras pontes entre abordagens pedagógicas e humanas associadas ao uso tecnologias produtivas e engajadoras.

Qualquer abordagem que enfoque a tecnologia por si só, para atender possíveis preferências de alguns grupos ou para acompanhar tendências, estará promovendo modernidade, mas não inovação.

 

KEELEY, Larry; Pikkel, Ryan; Quinn, Brian et Walters, Helen; Ten types of innovation: the discipline of building breakthroughs. John Wyley & Sons, Inc. Hoboken, New Jersey, 2013.
Betina von Staa

Betina von Staa

Coordenadora do CensoEAD.BR, da Abed e designer Pedagógica na TransFor.Me

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