Metodologias ativas e tecnologias aplicadas à educação

Stavros Xanthopoylos
WhatsAppFacebookShare

Acessar praticamente todo conhecimento comum da humanidade é uma realidade hoje, porém aguçar e motivar o aprendiz a buscar seus caminhos de forma proativa, apoiado com aplicações tecnológicas, ainda é um terreno a ser plantado para num futuro próximo colher o que será o novo desenho do ambiente educacional.

A internet em conjunto com as tecnologias de rede socializará um novo ciberespaço de comunicação que nos une e permite a interação de muitos com muitos, a construção de redes de interesses comum, a disseminação, o compartilhamento e a contribuição coletiva eficaz de informações e conteúdo. Essas tecnologias integram o nosso dia a dia, nosso ambiente de trabalho e cada vez mais intensifica-se o seu uso nos processos de aprendizagem.

Os métodos ativos colocam em primeiro plano o estudante, mais autodidata, buscando trilhar seu caminho na aprendizagem por meios como, a sala de aula invertida, PBL (aprendizagem baseada em problemas ou projetos, usando-se a mesma sigla), jogos, estudo Blended ou Híbrido, simuladores e tecnologias baseadas em realidade virtual, realidade aumentada, Learning Analytics, entre outras. O impacto desses novos caminhos envolve a ruptura de elementos tradicionais funcionais, como disciplinas e espaços físicos lineares, trazendo uma visão sistêmica e integrada com maior foco em estudo de fenômenos. Esta abordagem está sendo praticada de forma experimental em diversos ambientes educacionais inovadores e na Noruega passa a ser parte integrante da política educacional. Ou seja, na era digital, o estudante pode definir a forma ou a “distância”, melhor dizendo, a proximidade, de como irá obter o conhecimento e não mais será estabelecido de forma rígida pela escola.

As formas de transformação do estado de conhecimento do indivíduo terão um papel fundamental para atrai-lo a interagir ou adotar um processo ou instituição para desenvolver a sua aprendizagem, num mundo onde a realidade, a prática e os problemas florescem como demandas associadas ao desenvolvimento de habilidades e competências com impacto efetivo na evolução e qualidade de vida do indivíduo. Muito diferente dos métodos ativos de sala de aula invertida da minha época, no meu primeiro ano de engenharia na Universidade de Witwatersrand, em 1977, por exemplo, quando o professor proferia uma aula magna do assunto da semana, introduzindo os conceitos e indicando bibliografia vasta. Nós tínhamos que buscar aprender em estudo individual ou em grupo, buscando apoio em tutoriais marcados para tirar dúvidas e fazer exercícios ou discutir o assunto, tudo de forma presencial, com logística física e sem nenhuma rede de contato que não fosse o telefone fixo. A forma de aprendizagem era ativa, com certeza, rompendo tudo paradigma das aulas tradicionais do colégio.

Os frutos resultantes do plantio, mencionado no início do texto, formam um desafio enorme que conjuga a aplicação de métodos ativos de aprendizagem, alguns consagrados e utilizados em ambientes educacionais tradicionais, em todos os níveis, que deverão ser mesclados com as tecnologias de comunicação e integrados pedagogicamente com as aplicações inovadores que vem sendo desenvolvidas nos últimos anos, rompendo os paradigmas da nova realidade que transforma o mundo a cada momento, a virtualidade em serviço da aprendizagem e do conhecimento.

Stavros Xanthopoylos

Stavros Xanthopoylos

Educador, Fundador e Diretor da SPX Consultoria, Diretor Internacional da ABED

Ver todas as postagens publicadas por Stavros Xanthopoylos