Nativos digitais: sua instituição está adaptada? - Inoveduc

Nativos digitais: sua instituição está adaptada?

Norton Moreira
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Conteúdo qualificado e disponível nas mais diversas plataformas é estratégia de retenção

Há quase 20 anos o pesquisador e especialista Marc Prensky escreveu um dos artigos mais importantes quando o assunto são nativos digitais, o “Digital natives, digital immigrants”. Desde então o tema é centro de discussão e pesquisa, principalmente, quando se trata de educação a distância.

O foco aqui é discussão recorrente: como efetivar a aprendizagem dos nativos, que não sabem o que é estar desconectados, pois nasceram com a internet, convivendo em meio a computadores e dispositivos móveis? Para responder a esta pergunta, antes é necessário saber quem são: parte da geração Y (Millennials) e geração Z (Pós-millennials), compostas pelos nascidos ao final da década de 80, e a partir de 1995, respectivamente.

Prensky diz que estes jovens estão acostumados com informações em tempo real, recorrendo a fontes on e não offline. Entender como pensa esta nova geração é o segredo para que a educação, de fato, produza efeito, defende o pesquisador. Fica a dúvida: o que estaria faltando em sala para que “aluno Y/Z” mantivesse o mesmo nível de interesse que gerações passadas durante a aprendizagem?

O Relatório de Monitoramento Global da Educação, da Unesco, lançado em 2016, aponta que, até 2020, o mundo poderá ter excesso de trabalhadores com níveis educacionais mais básicos, ou seja, déficit de pessoas com ensino superior. O dado sugere que as instituições e governos precisam investir de forma abrangente em educação, a fim de que as camadas sociais mais baixas da população tenham acesso à nível de graduação, destaca o relatório.

É necessário qualificar o ensino para que — sustentem pedagogias do século 21, de modo que desenvolvam habilidades que possam promover o “sucesso no mundo do amanhã”, destacou o Diretor de Educação e Habilidades Andreas Schleicher, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O Diretor reflete acerca dos dados da última edição de uma das maiores avaliações de estudantes do mundo, a PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes).

Além disso, é necessário, segundo o relatório sobre educação, da Fundação Santillana, que as instituições promovam formas de aprendizagem colaborativas, buscando “enfoque competencial” em seus currículos. Isto porque o currículo tem alto impacto na integração da tecnologia com a sala de aula.

Dessa forma, mais que tecnologia, é preciso ter conteúdo qualificado e disponível através dos mais diversos dispositivos e formatos, que se adaptem ao contexto dos nativos digitais, de forma a desenvolver habilidades e engajamento.

E quando se trata de educação a distância, é maior a preocupação de que o modelo educacional esteja alinhado ao contexto dos nativos. Os Millennials assistiram as primeiras aulas de EAD, ainda quando o Ministério da Educação começava a autorizar cursos nesta modalidade, e em formatos simples. Hoje, o material didático está disponível através de diferentes objetos de aprendizagem, como ambientes virtuais, videoaulas, chats, fóruns, bibliotecas virtuais entre outros, que promovem nova perspectiva de interatividade.

A Doutora em EAD, pela UFSC, e Diretora de Educação da DTCOM Rita Guarezi cita que o material didático precisa ser construído tendo como premissa algumas “diretrizes educacionais”. Entre as diretrizes, a Diretora destaca a “contextualização”, para que o conteúdo seja adequado à realidade social, histórica e econômica do estudante. A “ênfase no aprender a conhecer, fazer e ser”, garante práticas que levam em consideração os níveis cognitivos de cada estudante. “A teoria aliada à prática” que envolve o aluno, instigando-o a aplicar o que aprendeu por meio de situações problema e estudo de casos, por exemplo. Por fim, a Diretora destaca a importância do uso de “metodologias ativas”, desafiando o estudante a pesquisar, refletir e resolver problemas. Segundo a pesquisadora, adotar práticas embasadas em diretrizes como estas “adaptam o material didático ao estilo de aprendizagem de nativos e imigrantes digitais”.
Fica a reflexão: o que a sua instituição tem feito para se adaptar ao novo modelo de EaD?

Norton Moreira

Norton Moreira

Norton Moreira é CEO da DTCOM, produtora de conteúdo para EAD do Brasil e tem experiência de mais de 15 anos em educação a distância.

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