Neurociências e Educação: O cérebro em busca de soluções - Inoveduc

Neurociências e Educação: O cérebro em busca de soluções

Jô Furlan
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“Não existe realidade, apenas percepção.” Em boa medida, esta expressão já diz tudo. Permite ainda a pergunta que deve direcionar todo o processo educacional: como está o meu cérebro quando eu aprendo? Como está meu cérebro no momento em que mensagens estão sendo transmitidas, informações estão sendo passadas com o objetivo de educar?

Cérebro subaproveitado

O cérebro, e os seus 100 bilhões de neurônios e os seus trilhões e trilhões de sinapses, é um universo rico para o desenvolvimento do capital humano, que infelizmente tem sido subaproveitado. A insistência em processos de pouca efetividade na contramão da neuroaprendizagem são mais comuns do que imaginamos.

A Neurociência trouxe inúmeros avanços para o campo da educação, muitas práticas foram confirmadas e outras invalidadas. Nas últimas décadas, a tecnologia entrou como mais um “ingrediente”, e veio para ficar, não com o objetivo de substituir o professor, mas sim como uma poderosa aliada, uma ferramenta prática e extremamente interativa e integrante do processo de aprendizagem.

O que torna muito importante o estudo do cérebro, quando hoje na educação conhecimentos sobre o seu funcionamento estão sendo levados em consideração? Como os nossos modelos de educação utilizam estes conhecimentos associados ao processo de aprendizagem com base na neurociência no método pedagógico?

Por volta de 2006, lancei o livro “Inteligência do Sucesso” em que explicava a teoria da inteligência comportamental humana e apresentava a importância de trabalharmos por objetivos. A definição é simples: Inteligência é escolher o caminho que permita a você atingir os objetivos estabelecidos. Existem circuitos no nosso cérebro que podemos chamar de circuitos de metas. Por isso, a educação deveria trabalhar com processos de metas e resultados. Por exemplo, não deveríamos ter lições de casa, mas sim a meta para o dia seguinte, a meta para a próxima semana ou a meta para a nossa próxima aula.

“Não deveríamos ter lições de casa, mas sim a meta para o dia seguinte, a meta para a próxima semana ou a meta para a nossa próxima aula.”

Criatividade e lógica dão as mãos mobilizando simultaneamente áreas de diferentes hemisférios cerebrais. Dessa forma, deixamos de trabalhar efetivamente com conceito de certo ou errado, mas estabelecemos um processo de melhoria contínua onde trabalhamos o cérebro buscando sempre soluções – e não culpa. A partir disso, podemos aprender melhor algumas questões. Se você não teve êxito na realização de algumas tarefas, ok! Pergunte-se então o que é preciso aprender para resolver isso? O que é preciso agregar? Que novas competências devem ser desenvolvidas? Que novas capacidades devem ser mobilizadas e estimuladas para que o resultado desejado seja efetivo?

Quando nós transferimos isso pra vida de forma geral, abrimos possibilidades de gerar uma vinculação com os mais variados conhecimentos humanos. A experiência da percepção de mundo pode ser potencializada tanto para o educador como para o aluno, no exato momento em que se faça melhor uso do cérebro. E a tecnologia é mais uma (entre tantas) ferramenta que deve ser aproveitada neste contexto, auxiliando as melhores práticas de ensino e aprendizagem.

Jô Furlan

Jô Furlan

Jô Furlan é médico, escritor e conferencista internacional. Neurocientista, professor e pesquisador na área de Neurociência do Comportamento. Autor da Teoria da Inteligência Comportamental Humana – “Inteligência do Sucesso” e da Teoria da Liderança Comportamental. Precursor do Neurotreinamento e da Neuromentoria no Brasil. Especialista na implantação de Programas com base em neurociências para a educação e mundo corporativo.  Fundador e Presidente da Universidade da Inteligência.

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