Neurociências e educação: um diálogo possível?

Fernando Mazzilli Louzada
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Nas últimas décadas houve um enorme avanço na área das Neurociências. Um dos principais motivos foi o surgimento de técnicas que permitem a investigação do funcionamento cerebral durante a execução de tarefas associadas à aprendizagem.

Atualmente, sabemos o que acontece no cérebro quando aprendemos e identificamos sistemas cerebrais envolvidos com a leitura, com a escrita, com o cálculo matemático e assim por diante.

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Aprofundamos o conhecimento a respeito da plasticidade cerebral e dos períodos sensíveis do desenvolvimento na primeira infância e na puberdade, identificando potencialidades e vulnerabilidades destas faixas etárias. Identificamos fatores associados ao desenvolvimento cerebral e sua importância para o desenvolvimento cognitivo e socioemocional.

. Máquinas e aprendizado cada vez mais interligados

Esse conhecimento tem fornecido importantes subsídios para avaliações e intervenções voltadas à aprendizagem.

Avanços nas pesquisas beneficiam a educação

Conhecemos a importância do sono para a consolidação da aprendizagem e podemos repensar a organização temporal da escola. Passamos a utilizar ferramentas das neurociências para identificar alterações nas trajetórias do desenvolvimento e possibilitar intervenções mais precoces.

Ao mesmo tempo em que a perspectiva das neurociências abre novas possiblidades de compreensão dos processos relacionados à aprendizagem, há muitos problemas a superar: cientistas e educadores não compartilham o mesmo vocabulário, usam lógica e métodos diversos e exploram questões distintas.

O desafio que se apresenta é a construção de pontes sólidas de interação que permitam a criação de uma perspectiva diferente da atual, contaminada pela emergência de disciplinas supostamente relacionadas à neurociência: neuroeducação, neuropedagogia, neurodidática, muitas delas prometendo o que a neurociência ainda não pode fornecer.

Ainda há muito a ser feito para que a interação entre neurocientistas e educadores gere resultados efetivos em sala de aula. Entretanto, alguns passos já foram dados.

A criação da Rede Ciência para Educação (CpE) é um deles.

A rede CpE reúne pesquisadores nas mais diversas áreas e tem gerado frutos concretos, como a elaboração de documentos temáticos, a realização de eventos nacionais e internacionais sobre o tema e o desenvolvimento de projetos multidisciplinares de pesquisa.

 

Palestra no dia 8 de maio, às 11 horas, com o tema “Neurociências e educação: um diálogo possível?”
Fernando Mazzilli Louzada

Fernando Mazzilli Louzada

Mestre e doutor em Neurociências e Comportamento pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutor pela Harvard Medical School, EUA. Atualmente é professor associado do Departamento de Fisiologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR)

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