O potencial inclusivo da EAD

Rita Guarezi
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De acordo com o estudo Education at a Glance 2017, da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), somente 15% dos adultos brasileiros têm ensino superior, percentual considerado baixo comparado à média que é de 35%. Apesar de ter evoluído em relação ao estudo anterior (em 206, eram 14%), tal resultado evidencia que temos muito a fazer para melhorar definitivamente este índice.

Neste contexto, uma das possibilidades que se abre é a modalidade de educação a distância (EAD). Apesar de não ser uma modalidade de ensino nova, só recentemente foi regulamentada. Além disso, a procura e escolha por esta modalidade tem aumentado significativamente nos últimos anos. Ficou claro para as universidades que, para expandir as vagas, é necessário atuar com EAD.

Alguns autores, pesquisadores e estudiosos do assunto também já abordaram o assunto. Entre eles, Marcia Reis, em um artigo denominado EAD como Instrumento de inclusão social. Para a autora “Esta modalidade de ensino tem sido apontada como favorável por criar possibilidades para amenizar a desigualdade social e oportunizar a atualização profissional de muitas pessoas, permitindo que estas tenham acesso a diferentes tipos de conhecimento”.

Ao que Petri, em passagem do livro Educação a distância: uma prática mediadora e mediatizada (1996), complementa: “A EAD é uma modalidade educacional que tem por finalidade democratizar o conhecimento, uma vez que ela chega onde o aluno está com flexibilidade de local e horário de estudo”.  Landim (1997), também defende que a EAD pode diminuir distâncias e “isolamentos geográficos, psicossociais, econômicos e culturais, caracterizando uma nova revolução na democratização do conhecimento”.

Crescimento acelerado da EAD é um sinal de sua assertividade

De acordo com o Mapa do Ensino Superior no Brasil (2016), a evolução das matrículas de nível superior a distância registrou, de 2009 a 2014, um crescimento de 60%. Só no último ano, foram contabilizados mais de 561 mil alunos em cursos regulares totalmente a distância, sendo que 217,1 mil são alunos de cursos regulamentados semipresenciais e mais de  1,6 milhões são alunos de cursos livres (não regulamentados).

Dos alunos de cursos regulamentados, 135,2 mil são matriculados em cursos de licenciatura e 33 mil estão cursando licenciatura com bacharelado. Os bacharelados contam com 105,6 mil alunos e os cursos tecnológicos, 91 mil. Destaca-se que esses números certamente são bem maiores, pois estes dados são somente das instituições que responderam a pesquisa do CENSO.BR 2016.

Os indicativos de matrícula e aceitação dos cursos EAD são significativamente altos e, por si só, animadores para quem trabalha com Educação a Distância. Mas é a análise do perfil dos alunos que comprova a tese de que esta modalidade é uma facilitadora da educação: a esmagadora maioria (entre 75 e 100%, segundo Censo EAD.BR 2016) dos alunos interessados em cursos a distância dividem seu tempo entre trabalho e estudo. Além disso, as idades predominantes entre 31 e 40 anos (37% das respostas), seguidas pela faixa etária 26-30 (29% das respostas). Com este perfil, fica fácil entender porque a flexibilidade de poder escolher local e horário de estudo são tão importantes.

Há melhorias iminentes a serem feitas

Todos estes dados nos mostram que a EAD é uma alternativa realmente importante para possibilitar que mais alunos tenham acesso ao ensino superior. Contudo ainda há bastante espaço para crescer. De acordo com o CENSO, a maioria dos cursos oferecidos são especializações lato sensu (1.098 cursos). E com uma grande distância, há 235 cursos em nível tecnólogo; 219 no nível técnico profissionalizante; e 210 cursos de licenciaturas.

Quanto à área de conhecimento, a maioria está centrada nas ciências humanas e nas ciências sociais e aplicadas. O CENSO ressalta, contudo, que todas as áreas de conhecimento estão representadas, mostrando que a EAD tem potencial para atender alunos de todas as áreas de conhecimento.

A implantação da EAD nas Instituições, bem como o aumento da oferta de cursos a distância tende a aumentar o índice de alunos no ensino superior no Brasil — claro, desde que sejam considerados todos os requisitos de qualidade exigidos para que a formação seja igual ou até melhor que a do ensino presencial.

Fontes:
LANDIM, C. M. M. P. F. Educação à distância: algumas considerações. Rio de Janeiro. 1997.
PRETI, O. (org.). Educação a distância: uma prática mediadora e mediatizada. In: Educação a distância: inícios e indícios de um percurso. Cuiaba, UFMT.1996.
REIS, M. EAD como Instrumento de inclusão social. São Paulo. SP – 04/2015. Disponível em http://www.abed.org.br/congresso2015/anais/pdf/BD_335.pdf. Acesso em 20/09/2017.
CENSO EAD.BR: relatório analítico da aprendizagem a distância no Brasil 2016. ABED, Curitiba: InterSaberes, 2017.
OCDE. Relatório OCDE: Education at a Glance 2017.
Rita Guarezi

Rita Guarezi

Sócia e diretora de Educação na DTCOM. Doutora em Engenharia de Produção de Mídia e conhecimento pela UFSC, com pesquisa em processos e procedimentos para qualidade da educação pela internet

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