O tal ensino híbrido, você conhece?

João Alegria
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Já ninguém mais duvida que há um descompasso entre a escola e o tempo presente. Refiro-me à escola regular de educação formal, organizada em séries e separada em disciplinas, que organiza suas salas de aula em filas de carteiras nas quais os alunos sentam-se uns atrás dos outros e olham para frente, para o quadro e o professor, com o objetivo de acompanhar o conteúdo que será apresentado no dia. Ou seja, aquela escola que está na memória de quase todos nós; que nossos avós, pais e filhos também experimentaram, e que vem sendo motivo de frustração para tanta gente.

No Brasil esse modelo de escola tem produzido insucesso. Há um percentual grande de pessoas que passam por doze anos de escolaridade – se pensarmos em toda a Educação Básica – e saem sem saber ler e escrever de forma fluente e correta. Sem terem alcançado a condição de se tornarem alfabetizados, com as competências de ler, escrever e interpretar, utilizando-se das várias linguagens às quais a escola se dedica.

Um problema que não é apenas dos brasileiros, visto que em vários países ocorre a mesma coisa, com intensidade diferente, colocando a instituição escolar em cheque. Por isso tantos educadores têm se dedicado a repensar as possibilidades de produzir uma nova experiência de ensinar e aprender, que faça mais sentido para todos os envolvidos com educação e que produza resultados melhores.

É provável que a maior ameaça à escola, à essa escola baseada num modelo de ensino tradicional, como o descrito acima, venha do fato que atualmente é possível aprender de muitas maneiras, principalmente pela liberdade de acesso a conteúdo e conhecimento que está disponível na web e acessível com o uso de tecnologia da internet, computadores portáteis e aparatos de tecnologia convergente, como o smartphone (telefone celular com acesso a internet).

Em artigo para o InovEduc, João Alegria fala sobre a importância do ensino híbrido

Com o objetivo de aproximar esses dois mundos – o analógico e o digital – que separam o ensino tradicional das novas formas de aprender, profissionais da educação criaram o conceito de ensino híbrido. Ou seja: uma escola que organiza seu trabalho utilizando as metodologias do ensino tradicional, com salas, turmas e disciplinas, mas introduzindo em algum ponto da rotina escolar atividades online, com uso de computadores ou equipamentos eletrônicos com funções similares. Assim parte das atividades de aprendizagem previstas para cada estudante são feitas diretamente no computador pelo aluno, inclusive sem a necessidade de serem acompanhadas pelo professor.

O conceito é bem simples. Fácil de entender e colocar em prática. Um exemplo: um determinado aluno cursa o núcleo principal de disciplinas em sala de aula, da forma costumeira, mas faz o curso de línguas numa plataforma de ensino à distância específica (EaD). Outro exemplo é quando o módulo feito à distância é um aprofundamento em alguma disciplina que o aluno já está cursando do modo tradicional da escola, um aprofundamento em geometria ou em redação. Coisas assim.

Resumindo, o ensino híbrido é uma modalidade de educação que acontece atrelada à educação formal da escola tradicional, onde uma parte dos conhecimentos a serem alcançados é integrada ao currículo a partir de alguma experiência de aprendizagem online.

Não importantando muito a modalidade, pode ser EaD, curso livre ou percurso pedagógico organizado por uma curador. O que o caracteriza é essa experiência de mesclar situações de aprendizagem online com outras, de sala de aula, que caracterizam o ensino tradicional. Há muita gente apostando nessa alternativa como meio de renovar e revitalizar a escola e a educação. Sendo estudante, educador ou responsável, fique atento ao que as escolas têm apresentado como alternativa!

João Alegria

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João Alegria é diretor do Canal Futura e professor do Departamento de Artes e Design da PUC-Rio. Dedica-se a projetos e consultoria em educação, tecnologias contemporâneas e a experiência de ensinar e aprender.

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