Onde devemos realmente inovar na educação superior

Norton Moreira

De acordo com o mais recente Censo da Educação Superior divulgado pelo Inep, o crescimento do número de matriculados no Ensino Superior na modalidade a distância ficou abaixo de 4%. Embora já seja um crescimento maior do que o do ensino superior presencial, ele ainda é relativamente baixo. Isso acontece por causa da falta de políticas públicas bem definidas na área.

É visível a ineficiência do MEC em destravar regras burocráticos que impedem o setor de deslanchar, mesmo sem FIES. Vejam que quando o mercado define seu próprio caminho, como em cursos livres e corporativos a distância, o crescimento é gigante, segundo aponta o Relatório Analítico da Aprendizagem a Distância no Brasil (Censo EAD.BR), realizado pela ABED.

Parece óbvio, até para os mais protecionistas conselhos profissionais, que a educação precisa se renovar na imediata necessidade de ampliar o desenvolvimento de competências que a sociedade necessita. Se de um lado, segue a dúvida se o MEC será capaz de definir indicadores que meçam qualidade ao mesmo tempo em que destravem iniciativas inovadoras, por outro as metodologias ativas, o ensino híbrido e tantas outras práticas se consolidam nas melhores escolas.

. 7 mudanças estratégicas para melhorias no ensino híbrido

Em meu último artigo, falei sobre a necessidade de revermos o uso da tecnologia em sala de aula, e a todo momento especialistas em educação comentam sobre as técnicas utilizadas. E isso tem uma razão: há melhorias a serem feitas nas duas áreas, mas a inovação do ensino superior precisa ir além disso. Inovação tem que ir além da tecnologia nua e crua, além da metodologia utilizada. A inovação tem que chegar até o interesse do estudante e gerar resultados imediatos no seu dia a dia.

É importante lembrar quem é o estudante e adaptar o ensino para a sua realidade

Um dado interessante que o Censo EAD.BR traz é o perfil de quem escolhe estudar a distância hoje no Brasil: a maioria mulheres, a maioria com idades entre 26 e 40 anos (o que indica alta probabilidade de estar na especialização, segunda graduação, ou de ter a maturidade de retomar os estudos tardiamente), e a maioria capaz de se dividir entre trabalho e estudo.

. Quero Bolsa divulga dados sobre o atual quadro da EAD no Brasil

Com o perfil do estudante em análise e a informação de que os cursos a distância mais procurados têm ênfase na vida profissional, fica mais fácil entender o que lhes desperta o interesse. Sua rotina, suas peculiaridades e suas necessidades se encontram nas exigências profissionais. E enquanto o conteúdo de nossas graduações e especializações não acompanharem esta realidade, elas não serão inovadoras nem atraentes o suficiente.

Thayran Melo-Divulgação DTCOM
Ilustração: Thayran Melo/Divulgação DTCOM

Modernizar metodologias de ensino e incluir tecnologia no processo de ensino-aprendizagem como um todo é uma das formas de mudar, a que está em nosso alcance no momento.

Aprendemos muito nestes últimos anos, mas precisamos aceitar que o maior problema da educação ainda está na dissonância entre o que vemos em sala de aula e o que colocamos em prática no mercado de trabalho. Quanto mais conectarmos o dia a dia e as competências laborais dos profissionais de todas as áreas com a prática de ensinar e aprender, melhor estaremos realizando nossa missão.

Nos portais especializados em educação, algumas das matérias mais interessantes que li nas últimas semanas são as que levantam questões sobre as dificuldades de nossos instrutores. Aqui mesmo no InovEduc, li sobre as dificuldades que eles enfrentam em sala de aula e o medo de inovar. Muitas vezes, com longas horas de trabalho e com pouco espaço para fazer um bom planejamento, nossos professores temem o fracasso de métodos inovadores e sentem dificuldade em atualizar o conteúdo transmitido. Estamos todos aprendendo e precisamos ser cada dia mais rápidos nesse processo.

. Professor 3.0: onde estão os melhores cursos para lecionar na era digital

Acredito que futuro é melhor quando participamos de sua construção. E para 2018, este é o meu principal desejo: muitas oportunidades de aprendizado e crescimento.

Norton Moreira

Norton Moreira

Especialista em educação a distância e gestão do conhecimento e CEO da DTCOM — uma das maiores produtoras de conteúdo para EAD e Educação Continuada do país

Ver todas as postagens publicadas por Norton Moreira