Os recursos educacionais abertos resolvem o acesso para todos à educação?

Stavros Xanthopoylos
WhatsAppFacebookShare

Os Recursos Educacionais Abertos (REA) possibilitam que haja um processo de criação, adaptação, uso reuso, edição ou complementação de conteúdo, módulos, material didático e cursos, em diferentes formatos ou mídia, são gratuitos, de domínio público ou liberados sob uma licença aberta condicionando o a sua forma de uso.

O MIT (Massachusetts Institute of Technology) literalmente abriu todo o seu conteúdo em 1999 para acesso livre e gratuito, mais de 1050 cursos, à época, disponibilizando do programa do curso a todo material utilizado, dando origem a um consórcio mundial em 2001 denominado OCWC (Open Courseware Consortium). O OCWC ampliou o seu conceito de aberto e mudou a sua denominação para OEC (Open Educational Consortium) que engloba a educação aberta, online e flexível em todos os seus componentes. Hoje, considerada a maior rede de REA do mundo com mais de 230 instituições membros. A ação do MIT foi a origem do conceito de REA que resultou em declarações internacionais das comunidades acadêmico/científicas, além da adesão e atuação no tema por instituições, tais como, a UNESCO, o Col (Commonwealth of Learning) e o ICDE (International Council for Open and Distance Learning).

Atualmente, é comum depararmo-nos com cursos online gratuitos, desenvolvidos pelas principais instituições do mundo, ofertados de forma independente ou por meio de fundações, ONG’s e empresas. São os MOOC’s (Massive, Online, Open Course) acessados por dezenas ou centenas de milhares de estudantes, gerando redes de conhecimento informais e interação massiva. Estes são exemplos de um tipo de REA com impacto na obtenção de conhecimento, educação ou formação do indivíduo.

Observa-se a grande valia das iniciativas de REA mundo afora, com uma maior escalabilidade de projetos e ações no mundo anglo-saxônico. A maior parte do material é desenvolvido em Inglês. Porém, na China, por exemplo, o governo escala centenas de milhares de tradutores para transformar o conteúdo de boa qualidade em Mandarim. A China cuja Universidade Aberta reúne um corpo estudantil de 20 milhões. Vemos iniciativas de redes informais de alunos de MOOC’s que tomam à frente e fazem traduções livres em beneficio daqueles do grupo que não dominam a língua Inglesa. Temos iniciativas de Fundações e ONG’s no Brasil que apoiam o desenvolvimento e o fomento de REA e até decretos, como na Cidade de São Paulo, que regulamentam o fato de que todo conteúdo criado no âmbito da gestão educacional pública é de domínio público.

Em 2030, prevê-se um número de quatrocentos milhões de demandantes para o ensino superior, dados estimados pela UNESCO. Além de um número, talvez maior, de sedentos por ensino profissionalizante ou de educação continuada. Leia-se cursos de extensão, especialização, técnicos ou livres.

Os MOOC’s, as iniciativas de Universidades Abertas e dos REA, de forma geral, estão aí para permitir acesso à educação. Porém, pesquisas compravam que os usuários de MOOC’s em sua maioria são bem formados, em grande parte pós-graduados. Nada contra, certamente, os cursos gratuitos cumprem um papel de acesso parcial.

Oportunizar o acesso amplo e irrestrito do conhecimento gerado pelos professores, educadores, pesquisadores, estudantes e pessoas em geral, neste caso, ratificado pelas soluções mais simples e diretas, com impacto grande, podendo-se citar os canais do Youtube, dependerá de uma ação mais ampla de abertura. Esta abertura deverá prever os Recursos de Telecomunicação Abertos, por exemplo, pois de nada adiantará gerar conteúdo livre e gratuito que não poderá ser democratizado de fato.

Reunindo alguns poucos fatos apresentados acima, vimos que o movimento de abertura da educação passa a ser muito mais estratégico do que uma onda de boa vontade, a demanda por educação em todos os níveis está crescente, portanto o cenário reúne elementos claros que de nada servirão os REA se não houver conscientização dos governos para gerarem políticas públicas adequadas e das empresas de tecnologia e telecomunicação para estabelecerem estratégias viáveis e sustentáveis de abertura das ferramentas de acesso e de interação. Assim, poderemos ter uma efetividade muito maior no processo de educar o cidadão e permitir que tenhamos um mundo melhor. Processo que será no máximo eficiente se só um dos seus pilares estiver erguidos.

Stavros Xanthopoylos

Stavros Xanthopoylos

Educador, Fundador e Diretor da SPX Consultoria, Diretor Internacional da ABED

Ver todas as postagens publicadas por Stavros Xanthopoylos