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A realidade virtual ja é real!

Ricardo Marsili
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Sabe-se que o uso da tecnologia por parte da sociedade obedece a um certo padrão. Primeiro temos os inovadores que testam e desbravam qualquer produto. Logo depois temos os visionários, que não são tão vanguardistas como o primeiro grupo, mas gostam de estar à frente de seu tempo. Depois temos a maioria dos consumidores e, por fim, os retardatários.

Alguns produtos são inventados e mudam a vida da sociedade como um todo. Rádio, automóvel, televisão, internet, celulares, etc. Outros não têm a mesma sorte e, simplesmente, não caem no gosto popular.  Saber de qual grupo cada futuro produto fará parte não é uma tarefa fácil, porém temos sempre alguns indícios do que esperar.

Diversos futurólogos e empresas afirmam que a realidade virtual é a “the next big thing”, ou seja, é a próxima tecnologia que irá revolucionar uma parte da sociedade. As vendas de dispositivos de R.V aumentarão de 140 mil unidades em 2015 para 1,4 milhão de unidades ao final de 2016, de acordo com previsão da Gartner

O que é realidade virtual?

Há poucos meses nós tivemos um fenômeno de popularidade com o jogo Pokémon Go, abrindo os olhos de várias pessoas para as novas possibilidades de tecnologia móvel. Este aplicativo, na verdade, usa a realidade aumentada como base de funcionamento, ou seja, aproveita grande parte dos elementos do nosso mundo real para inserir elementos virtuais pontuais. Por exemplo, através da câmera do celular podemos ver o nosso quarto e, por causa do aplicativo, temos a ilusão de um Pokémon pulando em nossa cama.

Já a realidade virtual precisa transportar o seu usuário para um mundo completamente novo, com pouco ou nenhum vínculo com o que acontece no mundo que enxergamos com nossos olhos. Em um dos exemplos mais comuns, temos diversos vídeos na internet de pessoas que utilizaram um simulador de montanhas russas em R.V. Elas literalmente gritaram e tiveram reações bem semelhantes a se estivesse de fato no brinquedo real!

Assim como em outros conteúdos para R.V, o cérebro é enganado de tal forma que a experiência virtual passa a ser real. Assustador e excitante ao mesmo tempo, não acham?

Para que serve?

Como toda a tecnologia nova, as pessoas se perguntam qual seria a sua utilidade. Na verdade, são tantas, que poderíamos dedicar um livro inteiro ao tema. Hoje já é possível ver utilidade em diversas áreas, como:

Entretenimento

A experiência de ver um filme ou jogar um jogo em realidade virtual é fantástica. Já existem títulos totalmente criados para essa tecnologia, explorando ao máximo a capacidade de imersão da nova tecnologia. A Sony, através do Playstation VR, saiu na frente e lançou o primeiro óculos para videogames (Playstation 4). Ainda se trata de um investimento alto (400 dólares), porém é a opção mais barata entre os dispositivos de alta performance

Turismo

A nova tecnologia vem possibilitando passeios virtuais pelos mais variados lugares do mundo. “Visitar” um espaço sem conhecê-lo fisicamente tem se tornado cada vez mais comum. As cidades têm criado conteúdo para tours virtuais de seus principais pontos turísticos, enquanto alguns restaurantes e museus já possibilitam a visita interna e guiada de seus ambientes.

Além de uma excelente ferramenta de venda, a R.V possibilita a disseminação da cultura entre os menos favorecidos ou a possibilidade de que pessoas com problemas de saúde possam realizar seus sonhos de viagens sem saírem de suas camas.

Saúde

Manter um bom estado de espírito é muito importante para que os tratamentos de saúde mais intensos tenham excelentes resultados, porém a R.V vai muito além disso. Ela vem sendo usada com sucesso no tratamento das mais variadas fobias e transtornos psicológicos, colocando os pacientes em situações “reais”, com a proteção e orientação dos terapeutas. Também serve para facilitar a regularidade dos exercícios físicos e de fisioterapia.

Educação e treinamento

Podemos partir do princípio que a maioria das pessoas gosta de aprender, mas não de estudar. A realidade virtual pode desempenhar um papel importante na imersão dos alunos e na retenção do conhecimento. Imagine uma aula de história na própria revolução francesa? Ou uma aula de biologia onde é possível passear pelas reações químicas do corpo?

A experiência de EAD também já vem sendo transformada. Os alunos e professores podem ter uma sensação de presença muito maior e usarem o ambiente virtual para explorarem novas formas de expor e interagir com o conteúdo dado em sala de aula.

Por último, porém não menos importante, temos os treinamentos profissionais e corporativos. Médicos já podem realizar operações virtuais, onde treinam seus conhecimentos. Mergulhadores podem treinar um reparo de válvula subaquática, diversas vezes, antes de precisarem descer de verdade ao fundo do mar para realizar o trabalho.

Quanto custa? Já tem no Brasil?

Podemos dividir os dispositivos em 3 categorias, com faixas de preços e benefícios bem diferentes entre si.

Cardboards

Através de um projeto inovador do Google, foi possível usar papelão e lentes especiais para criar dispositivos de realidade virtual baratos e muito funcionais. Basta inserir qualquer smartphone na área indicada para ter acesso imediato a centenas de conteúdos gratuitos em realidade virtual. É possível achar modelos na faixa de R$30 reais. Algumas empresas brasileiras já importam os óculos de papelão ou tem fabricação própria, facilitando o processo de compra.

Dispositivos para Celulares

São parecidos com o conceito do Cardboad, porém tem um acabamento melhor e um maior nível de imersão e conforto. A Samsung, por exemplo, lançou o Gear VR, onde é possível ter realidade virtual através de um celular qualquer da empresa. O valor fica próximo de R$800,00.

Existem soluções mais baratas de empresas brasileiras (na faixa de R$150,00), utilizando materiais bem superiores ao papelão.

Capacetes de alto desempenho

Esses devices são ligados diretamente a computadores ou videogames e, com isso, são capazes de reproduzir conteúdos mais realistas. Sua ergonomia e capacidade de imersão são bem superiores em relação aos demais, porém a faixa de preço ainda fica bem “salgada” para o bolso do brasileiro, podendo variar de R$2.500,00 a R$4.000,00 dependendo do modelo e fabricante.

Conclusão

Como tudo na era do capitalismo, precisamos de escala e adesão em massa para que os valores sejam menos proibitivos ao cidadão comum. Já existem bons dispositivos baratos, que devem ser suficientes para instigar a curiosidade e aumentar o consumo de R.V entre todas as camadas da população.

Entendo que a realidade virtual será uma tecnologia fundamental nos próximos anos, mas aposto principalmente no setor de educação e treinamento. Será possível aumentar o interesse dos alunos e o grau de retenção de conhecimento como nunca antes. Teremos os bônus do ensino presencial e o EAD juntos e quase nenhum ônus. É bom demais para ser real, mas é!

Ricardo Marsili

Ricardo Marsili

CEO do Grupo M2BR, ex-diretor de cursos e eventos da Abradi-RJ, formado em Administração pela PUC e pós-graduado em Marketing pela FGV. É professor da cadeira de Search Engine Marketing do MBA de Marketing Digital e E-commerce do Instituto Infnet.

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