Ciberarquitetura pode alterar relações de ensino-aprendizagem

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Letícia Santos
Escrito por Letícia Santos

A ciberarquitetura, um dos pilares da educação 4.0, propõe uma nova modelagem das salas de aula de forma a integrar o espaço físico e o digital. Enquanto as relações de ensino-aprendizagem passaram por alterações, as salas de aula sofreram poucas modificações nos últimos 200 anos, como destacou a educadora Patrícia Lins e Silva durante sua palestra para o TEDx Talks, em 2014.

“Pode-se afirmar que um centro cirúrgico atual seria totalmente estranho para um médico de 200 anos atrás. O que, infelizmente, não ocorreria com um professor daquela época ao se deparar com uma sala de aula de hoje. Ao contrário, se sentiria muito à vontade”, disse Patrícia Lins e Silva.

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Para o arquiteto Cláudio Mafra, a forma como as salas de aula são organizadas influencia o processo de aprendizagem dos alunos.

“Quando uma pessoa se sente bem em um lugar, fica melhor emocionalmente. Então, o professor fala e os alunos escutam, absorvem melhor as informações e compartilham conhecimento. Tudo isso melhora o aprendizado”, destacou.

Escolas estão estruturadas de acordo com as demandas da primeira revolução industrial

Mafra explicou que a infraestrutura da maioria das escolas foi montada para atender às demandas da primeira revolução industrial. Seguem modelos semelhantes aos das fábricas e quartéis.

O posicionamento do professor em sala de aula também precisa mudar.

“Os professores não precisam estar ali na frente, transmitindo informações. Os alunos já acessam tudo pelo smartphone. O que eles precisam é ajudar a organizar essa explosão de conteúdos disponíveis.”

Diante disso, Mafra deu algumas dicas sobre como reorganizar os espaços das salas de aula.

Especialista dá dicas para escolas repensarem a arquitetura das salas

Segundo Mafra, as primeiras alterações a serem feitas nas instituições estão relacionadas à melhora do conforto ambiental. A ideia é aprimorar os aspectos básicos que compõem o ambiente da sala de aula:

  • Ambientação
  • Acústica
  • Iluminação
  • Climatização

Caso a escola queira mudar a configuração das salas, é possível adotar um mobiliário mais flexível. “Investindo um pouco mais, a instituição pode usar um tipo de mobiliário que ajude a criar um ambiente mais descontraído. Pode, também, tirar uma parede e juntar duas salas para ter um espaço um pouco maior”, indicou Mafra.

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Biblioteca do Colégio Santos Anjos (Foto: divulgação)

Outra opção é melhorar as áreas externas para que os alunos possam realizar atividades e permita maior contato com a natureza. O inverso também pode ser feito. Ou seja, separar um local dentro da própria sala de aula para cultivar um pequeno jardim, por exemplo.

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Escolas com mais recursos podem estudar formas de modificar o zoneamento do edifício. “É possível melhorar essa questão de salas de aula localizadas ao lado de quadras e criar barreiras acústicas onde for necessário.”

Letícia Santos

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