A criança na esfera pública digital

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Marcio Gonçalves
Escrito por Marcio Gonçalves

Os pais das crianças contemporâneas estão inventando o que é ter uma infância digital e, ao fazê-lo, estão ajudando a (re)pensar as famílias, as escolas e as políticas para novas formas de pensar, fazer e ser na atual sociedade. Uma série de temas emerge, consequentemente, diante deste cenário: letramento de mídia em casa e na escola; pesquisa com crianças muito novas; dados da criança compartilhados na internet e saúde digital.

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O conceito de esfera pública, de Jürgen Habermas, neste contexto, pode ser descrita como uma rede adequada para a comunicação de conteúdos, exposição de opiniões e tomadas de posição e opiniões. O que se discute, passando do privado para o público, transforma-se em opiniões públicas que são postas em evidência.

Estende-se a reflexão para o ambiente digital com a abordagem de Yochai Benkler, de esfera pública interconectada, que serve para interpretar o uso das tecnologias de informação e comunicação no cotidiano dos atores sociais a partir da liberação do pólo de emissão de conteúdo.

Mas o que significa tudo isso na prática?

A resposta está na dinâmica que a cultura digital nos impõe. Somos mais de 200 milhões de habitantes no Brasil e há 300 milhões de celulares. Se considerarmos que boa parte deles tem conexão com a internet e mais desses dispositivos estão chegando às mãos das crianças, há chances de aumentar a participação de jovens nas discussões ou, até mesmo, na exposição da imagem infantil em meio digital.

Uma esfera pública na internet avança para as discussões estabelecidas com a interconectividade. Em relação às crianças, nem sabemos se há verdadeiro interesse por parte delas em entrar em mídias sociais, por exemplo, para debater com os demais interagentes sobre assuntos de interesse político.

Deve ser levado em conta que é o adulto que pode tornar a criança como assunto da hora. Casos como assédio moral e manifestações de racismo com crianças têm sido constantes em ambientes digitais. Nestes casos, ainda cabe ao adulto interferir na defesa de ofensas às crianças porque elas não possuem a maturidade do bom argumento.

Guerra às fake news

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As escolas suecas já ensinam às crianças sobre como identificar notícias falsas na internet. Espera-se que esse letramento digital permita a formação de jovens mais cientes dos males que o mau uso da internet pode causar. A saúde digital das crianças deve ser parte dos cuidados dos pais com os filhos da geração millenium.

O curso de Biblioteconomia da UFRJ, em parceria com o Colégio Pedro II, desenvolve oficinas de competência em informação na escola.  Os estudantes só ganham com essa iniciativa, pois aprendem a ter um olhar mais crítico com a informação distribuída em rede.

Na esfera pública digital, para avançar em qualquer discussão, é preciso fazer algumas perguntas:

  • Conferiu a data de publicação?
  • A URL é confiável?
  • O autor é confiável?
  • Qual a fonte da fonte?
  • Já ouviu falar do site onde leu a notícia?
  • A informação se apresenta de forma viralizada na timeline?
  • O título da mensagem tem adjetivos apelativos?
  • O texto apresenta erros de português?

É porque fake news + notícias + mídias sociais formam uma soma perfeita capaz de causar um caos na sociedade da informação e do conhecimento. As tecnologias digitais, na pele das mídias sociais, parecem atrair cada vez mais público.

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A esperança é que esses novos usuários cheguem mais conscientes da boa utilização da internet. Ou, pelo menos, mais preparados para travar discussões saudáveis. Uma notícia falsa precisa ser identificada mais facilmente. Nesse caso, criança e adultos devem estar sempre alertas.

Marcio Gonçalves

Marcio Gonçalves

Líder do projeto “Aula Sem Paredes”, professor de cultura digital do Fundamental I e II na Escola Eliezer Max e docente no Ibmec, na Facha e na Unesa