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Cultura Digital na Curiosidade

Marcio Gonçalves
Written by Marcio Gonçalves

Enquanto leio Educar na Curiosidade: a Criança como Protagonista da sua Educação, de Catherine L’Ecuyer, publicado em português, no Brasil, em 2015, pela editora Fons Sapientiae, fico pensando se eu substituísse o título principal por Cultura Digital na Curiosidade, o conteúdo da obra teria o mesmo sentido.

Logo no prefácio, escrito por Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida, destaco “que as tecnologias digitais potencializam o protagonismo da criança, o desenvolvimento da imaginação, da criatividade e do pensamento crítico, o levantamento de hipóteses, a averiguação e a descoberta”.

Ainda nos primeiros capítulos, encontrar uma passagem mencionando que os gregos já diziam que o princípio da filosofia era a curiosidade e a primeira manifestação daquilo que é intangível e move o ser humano é o desejo de conhecimento reforça minha hipótese de que ensinar cultura digital na curiosidade faz sentido.

Estamos em um momento de muita produção de informação. Bem antes da internet se popularizar, Herbert Simon, ganhador do Prêmio Nobel, lá nos anos 70 do século XX, afirmava que o que a informação consome é bastante óbvio. “Consome a atenção de quem a recebe. Consequentemente, uma grande quantidade de informação cria um empobrecimento da atenção”.

Mas para esse cenário apresentado há salvação diante da possibilidade de ensinar cultura digital, juntar a criatividade e ainda se destacar perante a disputa de atenção?

. Desafios práticos da gestão do uso das tecnologias na educação

Eu vejo que a curiosidade das crianças se apresenta incisivamente e precisa ser explorada pela escola. Conforme o documento da Prefeitura da Cidade de São Paulo referente às Tecnologias para Aprendizagem: “as tecnologias são pontes que abrem a sala de aula para o mundo e para diferentes formas de representação da realidade”. É nessa hora que a Cultura Digital, apontada na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Fundamental I e II deve ganhar espaço.

Austrália tem no currículo solucionar problemas complexos

A Austrália, por exemplo, incluiu no currículo de tecnologia o pensar “fora da caixa”, projetar e produzir soluções para problemas complexos. O governo do Chile estabeleceu que o uso da internet deverá, ao decorrer do tempo, desenvolver habilidades de busca, resolução de problemas, análise e avaliação crítica de informações.

Enquanto isso, o Reino Unido estruturou o currículo dividido em Computação, Tecnologia da Informação e Alfabetização Digital e Design e Tecnologia.

E no Brasil, em que pé estamos?

Tomando como base o texto da BNCC e, especificamente o item Cultura Digital, sabemos que os “jovens têm se engajado cada vez mais como protagonistas da cultura digital, envolvendo-se diretamente em novas formas de interação multimidiática e multimodal e de atuação social em rede, que se realizam de modo cada vez mais ágil”.

É aqui que devemos juntar curiosidade, criatividade e mão na massa. Professores e alunos podem reunir as ideias e produzirem, em contexto de interdisciplinaridade com o currículo, posts em redes sociais, memes, gifs, fanfics, vlogs, vídeo-minuto, e-zine etc.

Mariana Ochs, que tem o título de Google Innovator e Google Certified Trainer, disponibiliza uma base de muitos recursos digitais para todas essas possíveis produções no Padlet. É pegar sua criatividade, sua curiosidade e explorar.

. As edtechs e a Base Nacional Comum Curricular

Diante disso tudo, com a licença da livre adaptação e lançando mão da cultura do remix, que é uma questão muito pertinente ao ambiente tecnológico, parece adaptável e possível se houvesse uma nova obra com o título de Cultura Digital na Curiosidade: a Criança como Protagonista da sua Educação.

É porque do 1º ao 9º anos do ensino fundamental a BNCC vai cobrar que as escolas contemplem gêneros que “lidem com informação, opinião e apreciação, gêneros mais típicos dos letramentos da letra e do impresso e gêneros multissemióticos e hipermidiáticos, próprios da cultura digital e das culturas juvenis”.

Das competências específicas de Língua Portuguesa para o ensino fundamental está no item 10: mobilizar práticas da cultura digital, diferentes linguagens, mídias e ferramentas digitais para expandir as formas de produzir sentidos (nos processos de compreensão e produção), aprender e refletir sobre o mundo e realizar diferentes projetos autorais.

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Marcio Gonçalves

Marcio Gonçalves

Líder do projeto “Aula Sem Paredes”, professor de cultura digital do Fundamental I e II na Escola Eliezer Max e docente no Ibmec, na Facha e na Unesa