O papel dos cursos livres na formação continuada

Os cursos livres podem ser classificados em corporativos e não corporativos, e não são regulamentados por nenhum órgão educacional. A diferença é que os corporativos são elaborados para atender às necessidades específicas dos funcionários ou clientes de uma determinada empresa, enquanto os não corporativos são oferecidos para o público em geral, sendo os alunos vinculados ou não a uma instituição.

Os cursos livres podem ser classificados em corporativos e não corporativos, e não são regulamentados por nenhum órgão educacional. A diferença é que os corporativos são elaborados para atender às necessidades específicas dos funcionários ou clientes de uma determinada empresa, enquanto os não corporativos são oferecidos para o público em geral, sendo os alunos vinculados ou não a uma instituição.

Enquanto no mundo corporativo a maioria dos cursos livres é voltado para o treinamento operacional, no mundo não corporativo predominam os cursos de atualização, segundo o Censo EAD.BR 2016. Outra área bastante contemplada na oferta de cursos livres não corporativos é a iniciação profissional, onde os alunos buscam expandir seus horizontes educacionais.

Os cursos não livres também são bastante procurados para aperfeiçoamento e extensão universitária.

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É interessante observar que há uma procura significativa por cursos de treinamento em habilidades sociais e comportamentais, apontando para uma demanda crescente de habilidades socioemocionais. Este é um indicador importante da tendência de se inserir práticas de metodologias ativas, onde o aluno tem chance de praticar o uso e aquisição dessas habilidades dentro dos cursos formais.

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O fato de as empresas estarem assumindo parte considerável da formação inicial dos seus colaboradores usando a modalidade de educação a distância (EAD) coloca um desafio importante para os cursos de formação nas instituições de ensino superior, tanto presenciais quanto a distância.

O surgimento de tantos cursos livres questiona a adequação dos cursos universitários estão ao seu propósito de preparar os alunos para ingressarem no mercado devidamente qualificados para exercer suas profissões. Hoje, apenas as habilidades técnicas não atendem às demandas das empresas.

O ensino a distância permitiu o acesso à formação continuada em todos os níveis profissionais, complementando de forma importante a formação acadêmica formal. Os cursos de formação livre mais procurados em EAD são de nível tecnólogo, licenciatura e iniciação profissional.

Cursos livres impulsionam crescimento da EAD

As corporações muitas vezes encorajam os alunos a procurarem esses cursos, mas muitos são buscados espontaneamente por alunos que desejam progredir em suas carreiras. Os cursos de aperfeiçoamento e extensão tendem a atrair alunos em busca de crescimento profissional, mais do que alunos estimulados pelas empresas.

Segurança é grande preocupação dos cursos livres

A ferramenta de preferência nesses ambientes virtuais para promover a interação entre os alunos é o fórum. Em segundo lugar vem o chat, ferramenta muito usada para discussões síncronas e interação com o tutor, oferecendo assim a possibilidade de um atendimento em tempo real. As empresas tendem a personalizar seus ambientes e identificá-los com sua logo e identidade próprias.

A segurança da informação é sempre uma grande preocupação na tomada de decisão quanto à hospedagem do ambiente. Isso influencia a escolha por hospedagem na nuvem ou na própria empresa. O que se observa é que a maioria opta ou pela manutenção das informações na própria empresa ou por um modelo compartilhado empresa-nuvem.

É significativo o número de cursos que estão presentes apenas na nuvem. Com o desenvolvimento da tecnologia de segurança da informação Blockchain, que começa a ser estudada para aplicação na educação, os cursos de EAD passam a ser cada vez mais seguros e as empresas e instituições que oferecem cursos a distância passam a ter mais segurança para investir no modelo em nuvem.

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Os cursos livres não corporativos tendem a automatizar mais o atendimento aos clientes, uma vez que o público alvo busca um curso com atendimento personalizado para seu ritmo e o seu horário. Seria inviável ter um professor disponível para atender a qualquer momento.

Grande parte dos cursos livres usa o recurso de discussões e estudos de caso, com menos atividades práticas que necessitariam de acompanhamento. Isso se reflete no tipo de avaliação e feedback oferecido. A avaliação formativa é menos presente nos cursos livres, uma vez que estes são mais automatizados para estudos independentes. Para fazer este tipo de curso, o aluno precisa ter um perfil mais autônomo, a fim de persistir por conta própria e finalizar o curso com êxito.

■ Conclusão

Os cursos livres oferecem uma oportunidade que beneficia tanto os profissionais como as empresas, uma vez que oferecem a oportunidade de uma formação continuada e customizada aos interesses de cada um, elevando a qualidade dos profissionais que hoje se encontram no mercado e contribuindo para a oferta de mão de obra qualificada, tão necessária para o desenvolvimento do país.

 

■ Referências
ROTHERHAM, A. J.; WILLINGHAM, D. T. “21st-Century” Skills. American Educator, Washington, Spring 2010, p. 17-20, 2010. Disponível na internet. Acesso em: 7 jun. 2017.

Cristiana Mattos Assumpção

Cristiana Mattos Assumpção

Consultora em STEAM e Tecnologia Educacional na empresa Consultoria EDUC'4X100 e pesquisadora na empresa Earth2Class. Mestra e doutora em Instructional Design and Media pela Universidade de Columbia, em Nova York. Coordenadora de Tecnologia Educacional no Colégio Bandeirantes desde 2002. Membro do comitê gestor da Comunidade Práxis e de comitês científicos de várias organizações, incluindo a Associação Brasileira de Ensino a Distância (Abed), onde é atualmente diretora, a American Educational Research Association (Aera) e a MoodleMoot