As dificuldades que o Brasil enfrenta na educação não são exclusivos

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Norton Moreira
Escrito por Norton Moreira

O mercado de educação no Brasil, como acontece na maior parte da América Latina, vem sendo fortemente impactado pela globalização que estimula o crescimento de instituições privadas em todos os níveis educacionais e das Tecnologias de Comunicação e Informação (TIC).

No Brasil, desde os anos 2000, a Educação a Distância (EAD) é a modalidade de ensino que cresce em ritmo mais acelerado. A tendência, inclusive, é que as matrículas em EAD ultrapassem as do ensino presencial já em 2023. Mas isso não significa que seu crescimento se deu sem algumas dificuldades.

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O ponto chave disso é que os principais obstáculos educacionais que enfrentamos no Brasil, inclusive a aceitabilidade da EAD como modalidade de ensino oficial, não é exclusiva de nosso país. Ao contrário, elas se repetem em todo o nosso continente.

A realidade do Brasil é a realidade da América Latina

Nos últimos dez anos, a economia experimentou importantes avanços na América Latina, com a expansão de mercados baseados em conhecimento e no crescimento da classe média. Isso impulsionou a demanda por educação em todos os níveis, mas especialmente na educação superior, que dobrou de tamanho entre 2000 e 2010.

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Apesar do crescimento, a qualidade da educação segue baixa nas instituições de educação superior da América Latina. Percebemos isso especialmente quando comparamos seus resultados com os de alguns países que são referência no assunto, e isso evidencia o fato de que o crescimento da educação aconteceu às custas da qualidade.

Nos países desenvolvidos, uma sociedade mais equilibrada e com menos desigualdade social propiciou melhor acesso à informação e trouxe oportunidades de aprendizagem. Como consequência, vemos um bom rendimento escolar desde os primeiros anos e um processo educacional fortemente ancorado em estratégias de ensino-aprendizagem que colocam o estudante como participante ativo na construção de seu próprio conhecimento.

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Já na América Latina, percebe-se que o baixo aproveitamento educacional nas séries iniciais impele as instituições de ensino médio e superior ao modelo expositivo no qual o participante ainda não tem os meios para ser o principal agente do processo, e acaba perdendo o interesse no aprendizado.

Qual a melhor solução educacional?

Até o momento, segundo pesquisa da Organização para Desenvolvimento e Cooperação Econômica (OECD), a região está ficando para trás em relação ao resto do mundo. Estudos mostram que existe uma carência por atualização e maior flexibilidade tanto no currículo quanto no conteúdo utilizado na educação de países latino-americanos. Também há uma necessidade emergencial de fazer melhorias que incluam a adoção de novas metodologias na formação de professores.

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Dentre os motivos para essa realidade, podemos destacar a falta de reconhecimento formal dos programas em EAD, seu alto custo de desenvolvimento e manutenção, a baixa qualidade e os resultados ruins dos processos de ensino-aprendizagem. O que é curioso já que é na EAD que se deveríamos investir nesse momento.

Educação a distância no InovEduc

Segundo a OECD, a qualidade da EAD deve se sustentar em melhores sistemas de avaliação e acreditação. Mais moderna, essa modalidade pode influenciar positivamente no avanço de uma educação efetiva e alinhada com as necessidades de desenvolvimento social e econômico da região. E há um consenso sobre as facilidades de utilizar sistemas educativos com metodologias ativas a fim de reverter o atraso educacional da região.

Uma boa educação não é, nem deve ser, um modelo único utilizável por qualquer instituição de ensino e para qualquer pessoa.

Para melhorarmos a qualidade da educação, tanto aqui no Brasil como em toda a América Latina, precisamos aprender a levar em consideração os interesses individuais do aluno, sua motivação, seu talento inato e a nossa prontidão acadêmica. E precisamos, acima de tudo, aceitar o que nos dizem as análises do mercado educacional em toda a América Latina: a EAD merece receber das instituições e dos governos uma atenção proporcional à procura que ela tem tido no mercado.

Norton Moreira

Norton Moreira

Especialista em educação a distância e gestão do conhecimento e CEO da DTCOM — uma das maiores produtoras de conteúdo para EAD e Educação Continuada do país