Edify promove evento de pura inspiração para professores no RJ

Débora Thomé
Escrito por Débora Thomé

Bilinguismo, storytelling, gamificação, letramento midiático, arquitetura e colaboração. Todos esses assuntos protagonizaram ou, pelo menos, permearam, palestras, debates e atividades realizados durante a conferência “HUB: conexões para a educação do futuro”.

O evento aconteceu nos últimos dias 31 de agosto e 1º de setembro, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. A iniciativa do programa bilíngue Edify, que pertence ao fundo Gera Venture e é adotado em escolas regulares de diferentes estados, foi um sucesso. A diretora do programa, Marina Dalbem, resumiu bem a experiência.

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Estruturamos o evento pensando em três grandes pilares da atual revolução na educação: gente, inovação e o inglês. Acreditamos que o conhecimento é construído com diversidade. E que são necessárias pontes para conectar os educadores com as principais tendências do setor. Nesse sentido, acredito que passamos, realmente, dois dias proveitosos no hub.”

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A apresentação mais esperada do primeiro dia do evento foi a da diretora do Instituto Inspirare, Anna Penido. Ao falar sobre a “Construção de uma educação que faz sentido para os estudantes do século 21”, a educadora chamou os presentes para a necessidade de adoção de novas ferramentas no processo de ensino-aprendizagem.

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Anna Penido no palco do Hub 18 (Foto: Débora Thomé)

As crianças estão com dificuldade de se adaptar já no ensino na educação infantil. E isso vai só se agravando e ganha um volume considerável de preocupação nos anos finais do ensino fundamental desses aunos que já não conseguem se adaptar ao estilo tradicional de aprendizagem. Precisamos oferecer um leque cada vez mais amplo de oportunidades que de fato preparem essa nova geração para o mundo de hoje.”

Palestras inspiradoras, motivadoras e emocionantes

O público presente também se informou sobre a mportância do bilinguismo na educação atual. A diretora do Learning Factory, Maria Eugênia Sanson, trouxe dados importantes sobre essa primeira geração que não conheceu o mundo sem a internet.

E frisou a necessidade de adoção do lifelong learning, ou educação continuada. “Nunca é cedo ou tarde demais para aprender. E aprender, sempre, nunca é demais. Essa é a única maneira de enfrentar os desafios constantes e voláteis da era digital”, disse.

Ainda passaram pelo palco, trazendo uma gama de informações, o editor da Learning Factory, Guilherme Pacheco, que abordou neurociências, e Fernando Palacios, pioneiro de storytelling.

E, enquanto as apresentações de Cristiano Silva, coordenador da Escola da Ponte, e da colunista Rosely Sayão foram inspiradoras, e a palestra do diretor-executivo da Rádio Ibiza, Pedro Salomão, foi marcada por pura emoção, a especialista em tecnologia da educação Cíntia Nogueira trouxe um choque de realidade.

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Cintia Nogueira falou sobre ‘Letramento midiático’ e encantou os presentes (Foto: Débora Thomé)

Graduada em Letras, Cintia Nogueira é certificada como fact-checker pela Agência Lupa. É um trabalho que consiste na verificação ou checagem de fatos ou dados em jornalismo para detectar detectar erros, imprecisões e mentiras e, assim, diminuir a proliferação das chamadas fake news. A especialista abriu sua palestra, “Letramento midiático”, evocando o Zeitgeist (pronúncia: tzait.gaisst).

O termo alemão significa espírito do tempo ou sinal dos tempos. O conceito ficou melhor conhecido pela obra de Hegel, Filosofia da História. E foi expandido com o lançamento da trilogia homônima do documentarista americano Peter Joseph, a partir de 2007, ao tratar temas como globalização e manipulação midiática.

Os professores precisam estar aptos a orientar seus alunos a ter acesso a informações confiáveis. É preciso treinar o olhar do estudante a identificar tipos de conteúdos e a procurar uma diversidade de fontes e opiniões para formarem a sua própria com embasamento. O professor, hoje, também precisa ensinar ceticismo”, disparou Cintia Nogueira.

Evento realizado pelo Edify primou pela diversidade

O segundo dia do evento trouxe a dupla de arquitetas Suyene Arakaki e Nazareth Pinheiro, de Brasília. As palestrantes “surpresa” falaram sobre a relação entre Arquitetura e Educação. As especialistas defenderam que é preciso olhar para espaços de aprendizagem com os olhos do século 21. “A sala de aula do futuro é para indivíduos totalmente conectados.”

Um dos pontos altos foi a presença da jornalista e pedagoga Carolina Sanches, diretora do LER – Educação Literária, sobre “Cultura Remix” na educação. A palestra mostrou como os games podem trabalhar habilidades. Carolina brincou, usando a expressão “pensamento minecraftiano” em referência ao jogo Minecraft.

“Não se vence o sistema. Os jogos ensinam lógicas, imposições, limites, raciocínio e estratégia”, disse Carolina Sanches. E completou: “Estamos vivendo uma grande revolução cognitiva e não dá para inovar sem estudar.”

Mas o nome mais aguardado do segundo dia do evento foi o professor António Nóvoa. Para o catedrático da Universidade de Lisboa, nunca antes foi tão necessário existir professores. No Brasil e no mundo.

E provou sua “teoria” ao contar a história do formato tradicional de escola, consagrado em 1850. Nóvoa levantou uma reflexão a respeito da mudança desse modelo. Sempre com um olhar humanista para a educação.

Para fechar o evento, professoras do Projeto Âncora, de São Paulo, depuseram sobre o funcionamento da escola. Na instituição, “grupos de responsabilidade” são formados para resolver questões específicas identificadas pela própria comunidade escolar.

Débora Thomé

Débora Thomé

Editora-chefe
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