EdTech Conference discute papel das startups no futuro da educação

Igor Regis
Escrito por Igor Regis

Evento contou com cerca de 1,5 mil pessoas

“A próxima grande empresa de tecnologia será da área de educação.” Foi essa previsão que deu início à EdTech Conference 2018, que reuniu cerca de 1,5 mil pessoas na última quarta-feira (18) em São Paulo. O congresso foi organizado pelo StartSe, maior ecossistema de startups do Brasil, e reuniu especialistas em Educação, Edtechs e representantes de instituições de ensino para discutir o futuro da educação e os caminho que a tecnologia pode trilhar para a evolução do processo de aprendizagem.

O evento, que no ano passado se chamou Edtech Class, partiu para uma discussão mais profunda em sua segunda edição, que englobou todas as esferas da educação, começando com a básica e universitária e seguindo para a profissional e corporativa.

“No ano passado a gente tinha uma proposta de começar a falar sobre este movimento de startups de educação que estão trazendo uma mudança de mindset. Este movimento trouxe resultados expressivos e começou-se a falar muito de edtechs. O número de startups de educação dentro da nossa plataforma cresceu e as pessoas começaram a demandar isso da gente, com universidades e escolas perguntando sobre isso”, explicou o cofundador do StartSe, Junior Borneli.

“O número de startups de educação dentro da nossa plataforma cresceu, e as pessoas começaram a demandar isso da gente”, disse Junior Borneli.

Esse crescimento do interesse pelo tema resultou em aumento de conexões entre grandes grupos educacionais e Edtechs. “Olhando o evento é possível entender o impacto.  Temo quase o dobro de pessoas do ano passado, quase não tínhamos expositores e hoje há mais de 30 startups apresentando seu trabalho aqui. A procura pelo termo edtech em nossa plataforma cresceu muito. O número de investimentos cresceu e tivemos o investimento de grupos educacionais. Isso criou um barulho no mercado é vimos um movimento muito grande”, ressaltou o organizador da EdTech Conference.

Mais chances para o mercado de edtechs

Junior Borneli, cofundador do StartSe

O estabelecimento de uma nova Base Curricular focada em competências, a mudança de currículos e a reestruturação de escolas para atuar em modelos educacionais modernos mostram que as movimentações do mercado devem ficar cada vez mais intensas, o que deve fomentar ainda mais o negócio de edtechs.

No Brasil, a atuação de grandes grupos já é um indicativo desta tendência, como destacou o cofundador do StartSe.

“A perspectiva é totalmente positiva, pois a tecnologia não é um ponto fora da curva. A tecnologia está presente na vida das pessoas e já nasce com as crianças, elas já nascem digitais. Quando o Kroton, que é o maior grupo educacional do mundo começa a comprar startups, você percebe aí uma tendência”, salientou.

Junior ainda citou o exemplo do EAD. “Escolas tradicionais deixaram o bonde do EAD passar e não ingressaram, enquanto instituições pequenas investiram e hoje têm mais de 100 mil alunos e são gigantes do EAD. Em 2035 nós vamos ter 2,7 bilhões de pessoas em idade escolar, seria necessário construir duas universidades por dia para atender esta demanda, então estes alunos terão que migrar para o modelo digital. O tamanho desafio é proporcional ao tamanho da oportunidade”, completou.

“Quando o Kroton, que é o maior grupo educacional do mundo começa a comprar startups, você percebe aí uma tendência”

Evento totaliza nove horas de palestras e debates

Conrado Schlochauer, da Affero Lab, abriu o ciclo de palestras da EdTech Conference

Foram nove horas de conteúdo, dividas em apresentação de negócios, palestras e debates, que contaram com a presença de edtechs, escolas com modelos diferentes dos tradicionais, representantes do setor público e de grandes grupos educacionais.

A EdTech Conference teve início com a apresentação de Conrado Schlochauer, da Affero Lab, que falou sobre o gap de qualificações existentes no mercado de trabalho, causado pela falta do ensino de habilidades socioemocionais na escola.

O empreendedor ressaltou que a educação precisa seguir o crescimento exponencial da tecnologia, o que reforça o desafio e a responsabilidade das edtechs em criar soluções que democratizem a educação do futuro.

“Se o seu negócio e ganhar dinheiro, esqueça a edtech, pois esta é uma causa global. O que está sendo vendido não é tecnologia, mas educação das gerações futuras”, afirmou Conrado Schlochauer.

Na sequência, a EdTech Conference abriu espaço para a discussão sobre a educação básica, que iniciou com a palestra de Luciano Meira, sócio-fundador da Joy Street. De acordo com ele, o desengajamento aumenta conforme o tempo que o aluno passa dentro da escola.

“O índice de engajamento de estudantes no quinto ano é 75%, agora no ensino médio é cerca de 30%. Isso é problemático”, disse. Meira reforçou a necessidade de se pensar em uma nova arquitetura da sala de aula, citando a sala de aula invertida, que vem ganhando cada vez mais adeptos nos Estados Unidos.

Painel discutiu educação básica

O assunto educação básica continuou em um debate que reuniu Carla Zeltzer, da Faz Game, Anderson Morais, da Agenda Edu, Carla Weisz, do Mundo-E, e o secretario municipal de Educação de São Paulo, Alexandre Schneider, que ressaltou o desafio da tecnologia em democratizar os novos modelos de educação. “Tem uma avenida de questões para trabalhar a rede pública desenvolvendo competências, mas o ensino por projetos é caro. A tecnologia tem que achar um meio pra democratizar”, argumentou.

Na parte da tarde, o evento discutiu a realidade universitária. O encontro contou com a presença de Mario Ghio, vice-presidente Acadêmico da Kroton que reforçou a necessidade de que a educação seja menos erudita e mais dinâmica. Mediado por Eduardo Glitz, sócio da StartSe, ainda contou com as presenças de Júlio de Angeli, da MedCel, Everton Martins, da Mettzer, e Sandro Nhaia, da Med Room. Os especialistas também destacaram a importância das habilidades e fizeram um panorama para o setor nos próximos dez anos, se dividindo entre os que prevêem mudanças radicais e os que acreditam em um processo mais lento.

Nos últimos painéis, o EdTech Conference 2018 reuniu grandes edtechs, como Udemy, Qranio, Kanttum  e Gama Academy, além de aceleradoras como a Future Education, que falara sobre a forte atuação das startups no mercado de educação corporativa e de formação profissional.

Primeiro painel da tarde discutiu a realidade universitária

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