Educação 4.0: saiba como gestores e professores podem se preparar

Letícia Santos
Escrito por Letícia Santos

Assim como em outros segmentos da indústria, as inovações disruptivas ganham cada vez mais espaço no segmento educacional. Com base nesse cenário, a educação 4.0 surge com a proposta de integrar essas inovações a ações metodológicas que visam ao desenvolvimento de habilidades essenciais para o futuro dos estudantes.

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No entanto, promover essas transformações pode não ser tão simples quanto parece. Cassiano Zeferino, pós-doutor em Educação Digital pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) ressaltou que, em primeiro lugar, todos devem entender o propósito das inovações.

“A primeira providência para que se possa empreender ou implementar um processo de inovação em um escola é ter o firme propósito de que fazer inovação não é modismo, mas sim uma necessidade fundamental.”

Quanto aos motivos para as instituições de ensino apostarem em novos modelos, Zeferino é enfático: “Precisamos investir na educação 4.0 porque o mundo já se tornou 4.0. Diferentemente das outras revoluções industriais, essa é muito mais rápida e acontece em tempo real.”

Educação 4.0 provoca quebra de paradigmas estabelecidos socialmente

As instituições também podem usar os conceitos da educação 4.0 para implementar as determinações propostas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Isso porque nesse modelo a proposta é que as aulas sejam mais interativas e estimulem o desenvolvimento de habilidades e competências nos alunos.

“A BNCC não é simplesmente tomar decisões de ordem prática. Envolve visões e qualificações importantes, e a educação 4.0 fundamenta as ações para essas transformações propostas na base.”

O educador destacou, ainda, que a dificuldade em implementar a educação 4.0 ocorre porque esse modelo provoca uma quebra em paradigmas socialmente pré-estabelecidos.

Professores precisam repensar seus papéis em sala de aula

Zeferino também reforçou a importância de gestores e professores investirem em conhecimento.

“Os educadores devem ter acesso a um tipo de conhecimento que transcende as visões pedagógicas clássicas. Se o professor não tem uma base teórica e tecnológica minimante sustentável, vai fazer ações isoladas e baseadas em senso comum. E isso não é um começo muito propício para mudanças.”

Além disso, os educadores devem aprender a usar os diferentes tipos de mídia como ferramentas de aprendizagem. De acordo com Zeferino, a sociedade vive em uma realidade hiperfísica onde é possível se conectar com qualquer pessoa de qualquer lugar do mundo. Isso deve ser respeitado em sala de aula.

“O educador precisa pensar em como organizar melhor o espaço das salas de aula. Além disso, devem criar processos que possam promover mais interatividade e participação nas aulas.”

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Outra questão abordada foi o entendimento do professor em relação ao novo papel que desempenha em sala de aula.

“O perfil do docente não é mais o de informador, como foi durante séculos. Hoje a informação é multifacetada e disponível. Então, hoje o professor atua mais como um mediador, e esse é um dos pontos cruciais da transformação.”

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