Educação Superior: é hora de inovar no material didático! 

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Norton Moreira
Escrito por Norton Moreira

Os últimos dez anos foram de muita inovação na educação superior. Algumas simplesmente desapareceram, outras foram sendo melhoradas e se tornaram prática normal. Por razões que vão do custo atrativo, passando pelo diferencial de mercado que podem trazer, o material didático oferecido aos alunos tornou-se suporte obrigatório do aprendizado.

E há uma boa razão para isso: textos complementares e exercícios forçam a atenção do estudante de uma forma que aulas expositivas não conseguem.

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Em outros artigos meus, até mesmo nos que publiquei aqui, me dediquei a falar sobre a necessidade de fazer mudanças profundas na forma que pensamos o ensino, e na dinâmica da sala de aula como um todo. Hoje, aproveito para me dedicar a falar sobre as inevitáveis mudanças que deverão ser agregadas ao material didático na esteira das novas metodologias educacionais e novas tecnologias.

A resistência às mudanças na educação

De uma forma ou de outra, não há como se afastar do debate sobre tecnologia em sala de aula. Desde a popularização do computador, há décadas atrás, falamos sobre a necessidade de usá-lo para fins educacionais. Debatemos sobre a disputa pela atenção do aluno durante a aula em vez de abraçar as oportunidades que a tecnologia nos traz.

Nos deixamos intimidar, possivelmente pelo medo de uma mudança tão drástica.

Mas quando limitamos o debate ao material didático, essa resistência diminui um pouco. Não é que a importância dele seja subestimada. É apenas uma constatação de que sabemos lidar melhor com uma mudança feita em partes, do que com ela por inteiro.

De qualquer maneira, é imprescindível iniciar o debate e falar sobre o que está por vir.

A experiência de aprendizagem está mudando

Uma das razões pela qual o material didático vem sendo bem-sucedido como pilar da aprendizagem é o fato de que o professor historicamente tem no livro um elemento estruturante do processo de ensino-aprendizado.

Agora, esse simplesmente não é um cenário realista. Milhares de fontes de informação, confiáveis ou não, reexplicam a matéria, com novo tom e nova abordagem; intermináveis textos em blogs oferecem informações complementares.

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O movimento de recorrer à internet para fazer pesquisas é natural e acontece com frequência. É claro que há riscos envolvidos caso os alunos façam isso por conta própria. Mas se os professores tomarem a iniciativa e fizerem uma boa curadoria, a experiência de aprendizagem pode ganhar um novo significado e se tornar até mais prazerosa para o aluno.

É importante que os professores e os livros ainda sejam a primeira fonte de informação confiável, mas o aprendizado transcende a instituição de ensino. E isso pode ser ótimo!

Inovação no ensino de fora para dentro

Talvez não seja exatamente como a inovação do ensino deveria acontecer, mas é como tem funcionado. A modernidade ganhou espaço do lado de fora e tem se direcionado para dentro das instituições de ensino.

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Com toda a possibilidade de acesso à informação à disposição, o estudante deixou de aceitar um material didático monolítico, especialmente se for padronizado e descolado da sua prática e seus objetivos profissionais.

No passado, a durabilidade e a reutilização do material didático foram considerados grandes avanços na educação nacional, em especial porque reduziam custos com impressão. Hoje, essas mesmas qualidades levantam dúvidas sobre a atualidade do conteúdo.

Perceba que ainda deixei de lado questões como interatividade e personalização que, no limite, poderiam nos levar a uma trilha de aprendizagem por estudante. Se pensarmos em termos globais, não seria tão absurdo pensar que cada caminho é único e deve ser orientado por um mentor na busca de informações confiáveis que se complementam para a construção do conhecimento.

Tecnologia de ponta e sua rápida defasagem

Há muitos anos, vimos projetos de uso de tablets com todo o material de um curso embutido. Ora, como um “mimo” para o novo estudante que se matricula, até pode fazer sentido, mas convenhamos, na velocidade em que andamos, é capaz desse conteúdo ficar obsoleto antes da segunda fase do curso.

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Isso acontece porque as instituições de ensino em geral querem otimizar investimentos. No momento da compra, pensam na tecnologia mais completa, sem pensar em seus “prazos de validade”. A questão “defasagem do dispositivo em relação aos aplicativos e programas utilizados” não seria tão limitador se pensássemos apenas nos livros didáticos digitais.

Tendo dito tudo isso, gosto de pensar que o material didático está à disposição do professor para ser personalizado para cada aluno, na medida que ele segue o seu caminho. Imagine se você, professor dedicado, pudesse acrescentar uma dica, uma nota de aula ou mesmo um pequeno vídeo seu chamando a atenção de seus estudantes para uma conexão entre assuntos.

Gosto de pensar que mentor e mentorado possam complementar o material didático e compartilhar seus melhores insights sem perder o fio da meada, sem precisar sair de um texto interativo para um fórum navegando entre dezenas de janelas desconexas.

O material didático digital é ótimo, mas fica muito melhor quando podemos recriá-lo constantemente. Quem viver, verá.

Norton Moreira

Norton Moreira

Especialista em educação a distância e gestão do conhecimento e CEO da DTCOM — uma das maiores produtoras de conteúdo para EAD e Educação Continuada do país