1º Educamakers: inovação na educação passa por disruptura dos padrões atuais

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Anderson Masetto
Escrito por Anderson Masetto

Quando se fala em inovação na educação, logo se pensa em tecnologia e novos métodos de transmitir os mesmos conteúdos.

Há, no entanto, um movimento que discute uma disruptura total dos métodos atuais de modo que o propósito de vida do aluno seja levado em consideração, ao mesmo tempo que o professor seja um facilitador deste objetivo e o ajude a desenvolver habilidades e competências.

Esse foi o tema principal discutido no 1º Educamakers, promovido pela Future Education, que aconteceu sábado, 19, em São Paulo.

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Luis Guedes, Adriana Martinelli, Eduardo Pereira e Roberto Celestino debateram sobre inovação na educação (Foto: Anderson Masetto)

“Queremos discutir e construir a educação básica a partir da troca de experiências”, destacou o co-fundador da Future Education, Thiago Chaer.

Educamakers reiterou o aluno como protagonista

O debate principal teve a mediação de Eduardo Pereira, coordenador do Anglo Morumbi, e contou com os professores Luis Guedes, da FIA/USP, e Adriana Martinelli e de Roberto Celestino, da IBM.

“Observamos que toda tentativa de inovação na educação veio atrelada aos aspectos tecnológicos. Para mim, isso foi um erro enorme, porque a inovação deve vir também das pessoas. É necessário mudar o modelo mental e talvez olhar de uma forma diferente. A tecnologia colabora com a inovação, mas não se não estiver acompanhada de uma boa intenção”, definiu Adriana.

O professor Luis Guedes destacou que a necessidade de mudança está no próprio aluno, uma vez que o mundo mudou em uma velocidade muito grande e as escolas continuam ensinando da mesma maneira.

Para ele, o modelo mental de escolas e professores precisa se ajustar ao que o público está demandando.

“Concordo que não é a tecnologia que traz a inovação, mas é preciso observar também que o mundo e as empresas mudaram, e esta inovação virá da vontade de fazer diferente”, explicou.

Celestino usou o exemplo da própria IBM para ilustrar a necessidade de mudar o modelo de educação existente hoje.

Lembrou que a empresa começou vendendo máquinas para cortar queijos e hoje detém a tecnologia de Inteligência Artificial. O mundo e as empresas avançaram na maneira de criar produtos e fazer negócios, mas as escolas seguem o mesmo modelo há séculos.

Criatividade precisa ser estimulada

Na opinião de Guedes, as escolas hoje fazem pouco para estimular a criatividade dos seus alunos. Para o professor, elas estão desconectadas do mundo real, pois não fazem com que o aluno se debruce sobre problemas — que é o que enfrentarão na vida profissional.

“Criatividade é sobre errar, e hoje o erro é punido. Precisamos nos preparar para este novo tempo e a criatividade está no centro de tudo isso”, disse.

Adriana Martinelli reiterou a necessidade de estimular os alunos a buscarem soluções. Mas reconheceu que na medida em que existem os padrões e currículos a serem seguidos, não existe espaço para quem pensa diferente.

“Os professores tinham que ter mais perguntas e menos respostas em sala de aula, mas talvez isso não aconteça porque o professor não esteja preparado para perguntar aquilo que não tem a resposta”, observou.

Mais do que a escola, Adriana a credita que a cultura da sociedade impede essa mudança.

“Tenho medo de que façam de inovação uma disciplina para que ela entre no padrão. Temos que entender que a plataforma atual não funciona mais. Temos que mudar tudo”, disparou. Não tenho uma regra ou uma fórmula pronta. Isso não deve ser construído de forma unilateral, mas em conjunto com o aluno”, complementou.

Curadoria também é papel do professor

Atualmente, as informações estão em todos os lugares e a apenas um clique dos alunos. Portanto, o conteúdo não pode mais estar no centro do aprendizado, e sim o desenvolvimento do aluno e o professor deve ser também um curador de conteúdo.

“Temos que mudar os fins. Quando o objetivo do ensino médio é preparar o aluno para fazer uma prova (Enem), há algo errado. Os alunos de hoje precisam de um propósito e saber porque eles aprendem as coisas. Eles querem quebrar os padrões, mas a escola não está conseguindo”, disse Adriana.

Celestino ressaltou que cada indivíduo tem o seu próprio objetivo de vida. Para contribuir com isso, as escolas devem estimular as habilidades dos alunos.

“Temos que ser curadores do novo, ajudar o aluno a entender o que ele quer e abraçar isso. O novo papel do professor é ser também um facilitador”, finalizou Luis Guedes.

Anderson Masetto

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