Ensino Híbrido: o caminho para a personalização do aprendizado

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Norton Moreira
Escrito por Norton Moreira

Não é sem motivos que o Ensino Híbrido desponte como um dos mais promissores modelos de aprendizado da atualidade, mesclando momentos presenciais com o uso de tecnologia, como os ambientes virtuais de Educação a Distância.

Ações como a da sala de aula invertida, em que o aluno chega para a prática já com a teoria absorvida por meio de canais de EAD, ajudam a compreender a importância do Ensino Híbrido para a construção de uma educação mais personalizada e mais assertiva.

Mas o que é Ensino Híbrido?

É algo que junta vários aspectos para o aprendizado de origens, formatos e plataformas diferentes. Se temos uma aula presencial e uma aula a distância, temos um exemplo de Ensino Híbrido.

Em inglês, o termo blended learning é muito usado na educação corporativa. É um e-learning que tem um momento presencial, que pode ser uma palestra de sensibilização, uma aula prática, enfim.

Quando este conceito migrou para a educação acadêmica, veio com a mesma flexibilidade de conceito e sempre com o aluno estudando em casa e tirando dúvidas e aprendendo na prática na Universidade. Por isso, pensar em Ensino Híbrido remete imediatamente à máxima de que não existe teoria sem prática.

Não existe conhecimento sem prática

A ideia de ter momentos diferentes para teoria e prática é o que considero mais impactante – positivamente – no Ensino Híbrido. Quando se tem isso muito claro, não há como pular nenhuma etapa. Uma é o mobilizador para outra. Assim, a expectativa com o Ensino Híbrido é que o aluno aprenda mais a prática e a aplicação de um conceito.

Conhecimento é aquilo que foi construído na cabeça de uma pessoa a partir da ressignificação de alguma uma informação, ou seja, o conhecimento acontece quando se conecta o que já sabe com a prática de utilizá-lo. Ou seja, o aluno só consegue entender algo pela associação com outra coisa que já sabia e vai consolidar a medida em que seja aplicado.

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Por isso, ouvir um professor na sala de aula por duas horas contando sobre a experiência dele, mesmo que seja muito boa pode gerar somente o desejo de aplicar e aprender. O aprendizado só ocorre quando a experiência dele se conecta com a do aluno e este a aplica. O Ensino Híbrido permite este ciclo completo.

Por tudo isso, eu tenha a convicção de que mais dia, menos dia. Cada pessoa vai construir o seu caminho de aprendizado. O aluno não entra na Engenharia Mecânica, por exemplo, e faz Cálculo I, Cálculo II, Cálculo III e depois faz uma disciplina de Mecânica Aplicada e assim por diante. Ele vai transpassar estes conteúdos para construir o que ele tem de aplicar.

Neste modelo de Ensino Híbrido, portanto, o caminho que se percorre é o caminho aplicado àquilo que se quer fazer.

Vejam o exemplo:

Se a gente sabe hoje que uma criança de 10 anos quando chegar no mercado de trabalho verá que somente 25% das funções e empregos de hoje ainda existirão. Ou seja, 75% das oportunidades de trabalho para uma criança que hoje tem 10 anos ainda vão ser criadas.

Nesta perspectiva, como vou ter um curso monolítico, de quatro a cinco anos de duração, sem flexibilidade?

Por isso, a convicção que eu tenho é que o caminho do sujeito, na construção de sua prática social aplicada ao trabalho, será totalmente personalizado. Isto é, construído à medida em que o ele se move em direção ao seu objetivo. Ele tem uma ideia e traça seu caminho de aprender o que interessa para concretizá-la, transpassando diversos cursos. O Ensino Híbrido é a única opção possível para isso acontecer na prática.

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A propósito disso, penso que o aluno chega ao Ensino Médio com uma ideia de futuro e um caminho a ser construído personalizado. Com plataformas como a WayCO®, desenvolvida pela DTCOM, já é possível trabalhar com este conceito de personalização do aprendizado.

A plataforma já nasceu com a visão de que, no futuro, o material didático será feito para cada pessoa individualmente.

A sala de aula vira laboratório

Ao refletir a respeito do caminho que deve-se recorrer para que seja mais frequente a aplicação dos conceitos e ferramentas vinculadas ao Ensino Híbrido, lembro sempre da experiência do educador Ryon Braga, da Uniamérica, que vem colocando em prática, elevada ao cubo, a arte de ensinar com inovação .

Para começar, aula presencial é para fazer exercícios, tirar dúvida e desenvolver projetos. Ou seja, a sala de aula é, na verdade, um laboratório onde se aplica aqueles conceitos que recolhemos e organizamos em aulas a distância.

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O aluno é apresentado a uma teoria, aplica, avalia o resultado e é sensibilizado a partir dele. É um ciclo que está em tudo. Toda a educação hoje se baseia neste ciclo: mobilizar, conceitualizar, aplicar e avaliar. E se recomeça novamente em um novo ciclo ou no mesmo ciclo. O Ensino Híbrido tem exatamente essa lógica.

Não acredito que haja qualquer tipo de resistência ao Ensino Híbrido enquanto modelo de educação.

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Veja, no entanto, que muitos ainda resistem ao uso do Ensino a Distância como parte do blended learning. Há muitos relatos de professores na graduação que não se adaptam ao uso de EAD por causa do modelo de ensino expositivo que emprega uma rotina em que há pouco espaço para ações de motivação e sensibilidade.

Ou seja, o Ensino Híbrido, a partir do uso do EAD, tira o professor da zona de conforto, no sentido de que ele assume de fato o papel de mentor e facilitador na trilha de aprendizado dos alunos. Isso significa que seu trabalho não será mais o de compartilhar sua experiência pessoal e moldar a aula conforme a participação dos alunos.

A aula presencial ganha nova vida ao servir para a aplicação da teoria, deixando aberta a interação aluno e professor na avaliação dos resultados e assim manter o aluno motivado.

Também os alunos precisam rever conceitos e posturas para que possam tirar o máximo de proveito do Ensino Híbrido. Começa pela tomada de ciência de que neste modelo não há como não praticar de verdade o hábito da leitura. Este é um item essencial para o sucesso de uma aula no modelo de sala invertida.

O aluno não pode chegar nos encontros presenciais sem que tenha mergulhado no conteúdo oferecida previamente e extraído de lá dúvidas e hipóteses que testará na prática com o auxílio do professor e, por que não, dos colegas de turma. O esforço não é somente pelo diploma, mas também por uma formação que garanta um emprego – quem sabe até o dos sonhos.

Norton Moreira

Norton Moreira

Especialista em educação a distância e gestão do conhecimento e CEO da DTCOM — uma das maiores produtoras de conteúdo para EAD e Educação Continuada do país