O ensino online e os componentes sociais

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Lars Janér
Escrito por Lars Janér

Quase todo mundo tem um professor favorito, alguém que fez diferença não apenas na sala de aula mas também fora dela — na forma como interagia com com os alunos, conectava com a classe e criava uma relação especial, e que acabava fazendo diferença na aprendizagem.

Pesquisas confirmam que um senso de conexão social pode ajudar a melhorar a aprendizagem, principalmente com atividades que unem os alunos — seja ensinando uns aos outros, ou aprendendo em duplas e grupos. A performance nesse caso pode ser até 75% maior, quando medida em testes e provas.

Os professores que estimulam esse tipo de atividade em grupo podem causar impacto maior do que aqueles que permanecem alheios ao que está acontecendo em sala de aula, e se “isolam” da turma.

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Por isso uma das grandes questões atuais é: como será possível replicar isso em uma turma online? A chance de se sentir isolado em um curso aumenta muito quando tudo acontece via web.

Qual a probabilidade de um professor de um curso a distância se tornar um ‘professor inesquecível’?

Quando se leva em conta todos os estudos que apontam para a importância do aspecto social, da aprendizagem em grupo, das vantagens da interação humana na aprendizagem, surge a pergunta: por que a tecnologia parece querer “automatizar” todos os processos e eliminar por completo as interações entre pessoas?

A verdade é que as plataformas de aprendizagem atuais cada vez mais procuram oferecer ferramentas para que as interações continuem acontecendo — e de forma cada vez mais colaborativa. Cabe aos criadores a administradores desses cursos fazerem uso delas.

Alguns exemplos são:

  • Aluno-ensinando-aluno: ocorre quando as aulas online agrupam os alunos em duplas, e um deles fica encarregado de dar suporte e ajudar o outro a compreender o conteúdo. São as oportunidades de interação 1:1 em chats, vídeo-conferências e fóruns, e replicam uma situação muito comum em sala de aula — porém gerenciada pela plataforma.
  • Aluno-ensinando-vários: um aluno fica encarregado de fazer as anotações, criar os resumos e transmitir o conteúdo para os demais — muitas vezes em grupos. O “líder” daquele grupo inicia o debate, apresenta suas descobertas e se encarrega de conferir se todos compreenderam o tema. Acontece em fóruns, chats, emails e vídeo-conferências.
  • Aprendizagem colaborativa: acontece quando um grupo de alunos aprende em conjunto, muitas vezes através de um único documento compartilhado, onde todos podem acrescentar comentários e notas. Assim como os demais métodos, pode acontecer de forma síncrona ou assíncrona, utilizando fóruns e chats.

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Para permitir essas e outras modalidades, diversas outras ferramentas estão hoje disponíveis — permitindo não apenas que o ensino online replique o presencial mas vá além, alavancando inclusive a linguagem cada vez mais comum entre os jovens: as “curtidas” e “comentários” das redes sociais.

Utilizar o que de melhor existe nessas redes para a melhorar a aprendizagem online pode ser uma das maneiras como um professor “virtual” também poderá um dia vir a se tornar inesquecível.

Lars Janér

Lars Janér

Diretor para América Latina da Instructure (NYSE:INST), empresa americana desenvolvedora de software para ensino acadêmico e treinamento corporativo. Sua principal plataforma, Canvas, é utilizada por mais de três mil instituições de ensino no mundo, incluindo Harvard, Stanford, Wharton, Yale e Berkeley . Lançado mais recentemente, o software de treinamento corporativo Bridge foi escolhido por empresas como Tesla, Microsoft e Slack. Antes de assumir a posição atual, foi responsável pela operação no Brasil da Kaltura, plataforma de vídeo online líder nos mercados de educação e corporativo. Cursou graduação e mestrado em Administração de Empresas na PUC-Rio