Inserir habilidades socioemocionais nos currículos é o desafio

Letícia Santos
Escrito por Letícia Santos

BETT-EDUCAR-SELOCom a homologação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), cresce a necessidade de de conhecimento sobre as habilidades socioemocionais.  O documento orientará os currículos da educação básica em escolas públicas e privadas em todo o país. Por conta disso, profissionais de educação começam a discutir maneiras de inserir o ensino dessas habilidades no planejamento pedagógico.

As instituições de ensino, entretanto, se deparam com um grande desafio: como incluir o ensino dessas habilidades em conjunto com os demais conteúdos?

Para Kamei, mestre em Psicologia Positiva pela USP e presidente da Associação de Psicologia Positiva da América Latina, é preciso desenvolver um programa com métodos e embasamento acadêmico.

 

Professores devem buscar cursos de capacitação para aprimorar as próprias habilidades

“Os professores devem ser preparados para dar aulas de uma disciplina específica sobre essas habilidades. Somente inseri-las dentro das disciplinas comuns pode comprometer o resultado final”, ressaltou Kamei.

O psicólogo destacou, ainda, a participação dos professores no processo de aprendizagem socioemocional dos estudantes. “O problema é que os professores que precisam ensinar essas competências podem não as ter desenvolvido, dependendo do que lecionam.”

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Segundo Kamei, fazer cursos de capacitação, participar de palestras e workshops e ler livros da área pode ajudar os professores na preparação de aulas cujo objetivo seja o ensino dessas competências.

“A inclusão das habilidades socioemocionais nas escolas com ênfase na empatia e na criatividade é um grande avanço. É extremamente importante, pois essas competências não técnicas e não acadêmicas começam a ser ensinadas e desenvolvidas com crianças e adolescentes no sentido profissional”, enfatizou.

Programa Semente promove a importância da aprendizagem socioemocional

O programa oferece capacitação para que professores aprendam a trabalhar a aprendizagem socioemocional em sala de aula (Foto: Divulgação)

O aprendizado não deve ficar limitado apenas ao ambiente escolar. É importante que os pais também estejam evolvidos no processo de desenvolvimento das habilidades socioemocionais das crianças.

“Promover a reflexão dos familiares com relação às habilidades socioemocionais e, principalmente, à empatia é fundamental para melhorar ainda mais o desenvolvimento dos jovens”, ressaltou Kamei.

O programa Semente, do qual Kamei faz parte, trabalha a aprendizagem socioemocional baseada em cinco pilares: autoconhecimento, autocontrole, empatia, tomada de decisões responsáveis e habilidades sociais.

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O programa já atendeu cerca de 18 mil alunos em escolas brasileiras. Atua no desenvolvimento de materiais personalizados e estruturados com métodos para classificação de aulas. Além disso, o Semente dá suporte para a capacitação de professores, oferecendo manuais, vídeos, oficinas e treinamentos.

Letícia Santos

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