Especialistas destacam impactos da BNCC em escolas particulares

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Letícia Santos
Escrito por Letícia Santos

BETT-EDUCAR-SELOA Base Nacional Comum Curricular (BNCC) propõe às escolas de todo o país a reformulação dos currículos e a implementação de atividades que estimulem o desenvolvimento novas habilidades e competências nos estudantes. Mas quais são os impactos que a implementação das diretrizes da BNCC vão causar na rede particular de ensino?

Para Luiz Lázaro, diretor de inteligência educacional da Conexia Educação, o primeiro reflexo está relacionado à quantidade dos conteúdos que são transmitidos em sala de aula. “As escolas particulares costumam ter uma abordagem extremamente conteudista e com muita repetição. Agora, poderão eliminar esses conteúdos que se repetem e otimizar o tempo de aula”, disse.

Lázaro ressaltou que a grande quantidade de conteúdos muitas vezes impede a implementação de soluções tecnológicas. Entretanto, essas ferramentas podem ser grandes aliadas no processo de aprendizagem.

“O Brasil é muito bem servido de tecnologia. Temos muitas plataformas e startups que oferecem soluções muito legais. Mas a escola fica sempre presa à quantidade de conteúdo, e às vezes usa isso como justificativa para não fazer algo diferente.”

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A BNCC será um dos temas centrais discutidos na Bett Educar, maior evento de educação e tecnologia da América Latina, em 2018. Durante o evento, os participantes serão convidados a compreender melhor as competências gerais listadas no documento. Além disso, o congresso trará palestras sobre a abordagem de diversas disciplinas de acordo com o determinado pelas novas diretrizes.

Materiais didáticos precisam passar por processo de adequação

Lázaro destacou que o maior desafio é justamente entender a BNCC, qual é sua função e pra quê foi criada. O especialista frisou que as propostas estabelecidas no documento colaboram para um processo de aprendizagem mais orientado para o aluno.

O diretor de inteligência educacional também chamou atenção para as mudanças no material didático. “Muito do que norteia o currículo das escolas particulares está ligado ao material didático. Então as editoras precisarão se adequar às novas necessidades das instituições.”

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A coordenadora-geral de tecnologia do colégio Dante Alighieri, Valdenice Minatel, concordou que esta é uma questão que precisa ser analisada. Como ainda não foi divulgado nada específico em relação a esses materiais, Valdenice disse que, por enquanto, os estudantes do colégio continuam fazendo uso dos mesmos materiais. Os professores também são estimulados a produzir conteúdos.

Como em muitas outras escolas da rede privada, no colégio Dante Alighieri os alunos já trabalhavam em projetos interdisciplinares e com atividades que estimulam o desenvolvimento das habilidades socioemocionais. “Agora estamos sistematizando, tornando isso mais orgânico na instituição e realizando os ajustes necessários”, explicou.

Escolas devem investir na formação de professores

Os dois especialistas concordam que investir na formação continuada dos professores ajudará as escolas nesse processo de adequação.

Lázaro destacou, ainda, a necessidade de reformulação dos currículos dos cursos de Licenciatura. “É preciso pensar desde o ensino superior em estratégias sobre como preparar os futuros profissionais para esse novo modelo que está surgindo”, ressaltou.

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Com a homologação do documento e o aumento da discussão em torno da qualidade do processo de aprendizagem, é importante que toda a comunidade escolar participe dessa transformação.

“Quem ainda não começou está muito atrasado, porque todo esse processo de formação não acontece da noite para o dia. Para ser efetivo, precisa relacionar o que diz o documento, questões de ensino/aprendizagem, novas abordagens tecnológicas e a gestão educacional. Tudo precisa estar alinhado e é muito importante apoiar o professor nesse momento”, alertou Valdenice.

Letícia Santos

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