Especialistas falam sobre o que esperar da implementação da BNCC

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Débora Thomé
Escrito por Débora Thomé

BETT-EDUCAR-SELOAs diretrizes que definem a aprendizagem essencial que alunos de todo o Brasil devem adquirir na educação básica serão implementadas até janeiro de 2019. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que vale tanto para as escolas da rede pública quanto particular, também já deve vigorar no material didático até o início do ano letivo de 2020.

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Considerado o maior evento de educação e tecnologia da América Latina, a Bett Educar 2018 tem uma vasta programação em torno da BNCC. Serão palestras e workshops tratando dos temas que permeiam a implantação da Base.

O evento acontece entre os dias 8 e 11 de maio, no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center. O documento é um dos quatro eixos centrais da Bett Educar — BNCC, Gestão, Ensino Médio e Formação de Professores.

Bett Educar InovEduc

Foto: Eric Ribeiro

Para a curadora da Bett Educar, Vera Cabral, o maior desafio para o sucesso da implementação da BNCC diz respeito a como transformar o conceito de educação estabelecido na sociedade. E, em especial, nos educadores.

“A BNCC foge dos lugares tradicionais da nossa educação. O foco está na aprendizagem e o ensino é o meio para que ela ocorra; o foco são as competências e não os conteúdos — os conteúdos são, sim, importantes para o desenvolvimento das competências. Mas não se confundem com elas”, explicou.

Discussões sobre a BNCC devem ser constantes

Um outro aspecto destacado pela curadora da Bett Educar é a ênfase à compreensão e produção de novas tecnologias digitais de informação e comunicação no documento.

Vera Cabral também considera crucial trabalhar com os professores e equipes escolares no decorrer de 2018. A curadora frisou que é preciso fazê-los entender e incorporar essas mudanças.

“Não podemos deixar a escola brasileira reiterar o raciocínio e a lógica que se aplica à indústria nacional. Nossos jovens precisam de escolas que os preparem para esse novo contexto do setor produtivo. Não dá para esperar.”

Outros especialistas da área reiteram que as discussões devam ser recorrentes durante o ano de 2018. E não apenas restritas ao momento de introdução da Base.

 

A presidente do Todos pela Educação, Priscila Cruz, estará presente ao congresso de Bett Educar. A especialista, que fará a palestra inspiradora da programação no dia 8, às 18h, frisou a importância da preparação dos professores.

“São eles os responsáveis por colocar na prática tudo isso. Por isso dizemos que a base, por si só, não muda nada. O que muda é a implementação com qualificação para os professores trabalharem os conteúdos de forma a garantir educação às crianças e jovens”, disse a especialista.

Estado do Ceará sai na frente

O Estado do Ceará foi escolhido pelo MEC para começar a elaborar as estratégias de implantação da Base para a educação infantil e o ensino fundamental.

A rede estadual está perto de zerar o índice de analfabetismo infantil. O estado implantou o Programa Alfabetização na Idade Certa (Paic) há dez anos. Com isso, reduziu de 32% para 0,7% o número de crianças não alfabetizadas até o fim do 2º ano.

 

Essa mesma antecipação da alfabetização das crianças para o 2º ano do ensino fundamental foi uma das propostas de mudança de maior destaque na BNCC.

“Vejo essa ação como positiva para a melhoria desse nível de ensino, trazendo benefícios para toda a trajetória escolar dos estudantes”, disse Rogers Vasconcelos, coordenador de Gestão Pedagógica da Secretaria da Educação do Estado do Ceará (Seduc).

Vasconcelos também destacou que o grande desafio neste ano de discussões em torno da implementação da BNCC diz respeito à formação dos professores. O coordenador frisou que é essa ponta que precisa conhecer a Base com profundidade. Dessa forma, será possível elaborar a adequação necessária do material didático.

“No Ceará, temos uma rede estadual de 720 escolas e mais de 20 mil professores. Além de trabalharmos em regime de cooperação com 184 municípios. A logística de formação exigirá a colaboração de todos”, enfatizou o coordenador.

Débora Thomé

Débora Thomé

Editora-chefe
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