Experiential Learning: como surfar AGORA a onda educacional do futuro

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Norton Moreira
Escrito por Norton Moreira

Historicamente, a distância entre a sala de aula dos cursos de graduação e o mercado de trabalho sempre pareceu enorme. Com raríssimas exceções, nem todos os profissionais recém-formados chegam ao primeiro emprego efetivamente preparados e com um mínimo de maturidade para responder àquilo que a empresa contratante espera dele.

O que falta? Experiência. Mas como cobrar experiência de um recém-formado?

Explico.

Entendo que os tempos são de muitas transformações e o nível de competitividade é cada vez mais alto. Assim, em vez de dedicar a maior parte do tempo dando continuidade à formação básica do profissional recém-formado, as empresas precisam lidar com a necessidade de dar um salto diante do cenário que lhe é proposto.

Isto é, diante da concorrência acirrada, precisam inovar, melhorar processos, desenvolver novos produtos e serviços e novas estratégias.

É neste contexto que o conceito do Experiential Learning (ou aprendizado por meio da experiência) se encaixa perfeitamente.

A mudança na experiência universitária

Quem a defende com propriedade o Experiential Learning é o professor Ishwar K. Puri, decano de Engenharia e professor da Universidade McMaster, de Ontário, nos Estados Unidos.

Em seu artigo Why learning from experience is the educational wave of the future, Puri afirma que a “experiência universitária mudou”. Neste sentido, ele acredita que o nível de exigência do aluno aumenta quando se pede que ele aplique o conhecimento dentro e fora de sala de aula.

Não falamos aqui da prática de estágio, mas sim de algo mais profundo, mais conectado com a realidade. Isto é, temos a reflexão e a prática com o aprendizado focado em resolver problemas reais, estimulando o espírito criativo, facilitando a compreensão de conceitos e deixando evidente que só teoria não basta.

Escreve Puri em seu artigo:

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Queremos que os alunos compreendam e abordem os grandes desafios e os problemas perversos que o mundo enfrenta, como a mudança climática e o vício em opióides, que não são apenas questões de ciência ou tecnologia, sociologia ou economia, mas questões complexas que exigem pensamento e colaboração amplos”.

Engajamento com atuação social

De certo modo, a ideia por trás do Experiential Learning reforça outros conceitos inovadores como o ensino híbrido e a sala de aula invertida. Mas podemos afirmar que tende a ir além, sendo uma contribuição efetiva para uma melhor formação do aluno.

Pela abordagem proposta, mais do que uma mudança de paradigma, acredito que o Experiential Learning tende a revolucionar o ensino na graduação. Com ele, a experiência prática e com propósito deixa de ser um privilégio dos pós-graduandos e amplia consideravelmente as oportunidades dos recém-graduados.

Em Santa Catarina, por conta da força do ecossistema tecnológico, temos um exemplo muito claro do efeito prático do Experiential Learning entre os estudantes. Com frequência são realizados os chamados hackathons, maratonas de desenvolvimento tecnológico e de inovação com a participação de estudantes que buscam soluções para variados tipos de problemas.

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Recentemente, a Celesc, maior estatal do estado, promoveu um hackathons e o time vencedor chegou a uma solução que gerou uma economia para os cofres da empresa na ordem de R$ 3,7 milhões ao ano, “a partir da maior eficiência e assertividade na hora de lidar com consumidores inadimplentes”.

Ou seja, criaram um sistema para cobrança usando uma régua dinâmica para diferenciar ações que devem ser tomadas com diferentes perfis de clientes, substituindo a abordagem usada pela empresa que se mostrou ineficaz.

Este exemplo mostra muito bem como a ideia de proporcionar experiências práticas podem engajar e até modificar para melhor o próprio comportamento dos alunos em sala de aula — refletindo posteriormente em sua atuação no mercado de trabalho e, quem sabe, até como empreendedor.

Penso no quanto uma experiência como a que teve o time vencedor do hackathon da Celesc agrega valor e potencializa os quatro, cinco anos que os estudantes passam na graduação. Por isso, o educador deve tomar para si o desafio de proporcionar outro tipo de experiência educacional aos seus alunos, muito mais próxima da realidade e vinculada à busca por soluções para problemas reais.

Por tudo isso, se Ishwar K. Puri diz no título do seu artigo que o aprendizado pela experiência é a onda educacional do futuro, eu concordo, mas para mim o momento de surfar essa onda é agora.

Norton Moreira

Norton Moreira

Especialista em educação a distância e gestão do conhecimento e CEO da DTCOM — uma das maiores produtoras de conteúdo para EAD e Educação Continuada do país