Gestão e Inovação da Educação Superior no Brasil

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A inovação pedagógica centrada no planejamento acadêmico é o caminho para atender às diferentes demandas da sociedade e dos estudantes. Na lógica da disputa de mercado pelas instituições privadas, a premissa da inovação vem se configurando como um forte elemento na busca por soluções frente à problemática do desempenho dos alunos nas avaliações de larga escala, como o Enade.

Assim, as instituições buscam a atualização frente ao que vem sendo oferecido por outras instituições.

Com o apogeu do processo de globalização econômica e, consequentemente, a permanente mudança no decurso do desenvolvimento social e pessoal, a tendência é trabalhar mais intelectualmente, com autonomia e capacidade criativa.

As exigências desta sociedade não estão embasadas somente nos livros, na internet e nas técnicas, mas fundamentalmente no indivíduo em sociedade, que deve incorporar essas transformações aos seus valores. E a formação superior caracteriza-se por exigir maior empenho dos alunos em seu processo formativo.

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Assim, os mais escolarizados têm melhor inserção no mercado de trabalho e tendem a lograr maiores rendimentos financeiros.

Entretanto, o acesso à educação superior no Brasil não deve ser considerado um privilégio segundo a capacidade de cada um; ao contrário, deve ser considerado um direito democrático a todo o cidadão brasileiro, pois uma democracia só é efetiva em uma sociedade emancipada.

Há 15 anos direciono meu trabalho ao estudo da inovação da e na educação superior. Por meio de pesquisas sobre o acesso dos estudantes à educação superior ao longo desses anos, em instituições no Brasil e na Europa, constatei, entre outros pontos, que, no Brasil, dada a natureza patrimonial do Estado, ainda há muito o que ser construído.

Falta ao Brasil um sistema nacional de Educação

Na complexidade do problema a ser enfrentado na organização institucional e curricular para acolher maior número de estudantes e, ao mesmo tempo, promover a atualização programática requerida pelos novos tempos da ciência, da cultura e do desenvolvimento social e econômico, destaco uma questão: como reconhecer a diferente (ou insuficiente) preparação acadêmica da nova geração universitária e trazer esta situação ao planejamento institucional e didático-pedagógico de modo contribuir para o processo formativo, evitar o abandono dos estudos e, consequentemente, desperdícios de recursos públicos e privados com a educação superior?

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Nesta linha, a ampliação do acesso e a permanência são dimensões da inovação, pois o acesso do estudante à educação superior está diretamente relacionado às problemáticas da permanência e evasão.

O fator quantitativo não é suficiente para a democratização da educação superior. É necessário que haja a permanência do estudante e, dessa maneira, as políticas educacionais para o ensino superior devem traduzir compromissos de mudanças necessárias aos tempos atuais, alicerçadas na democracia e na autonomia plena.

Segundo os dados do Censo de Educação Superior de 2016, temos hoje, no Brasil, 2.407 instituições de educação superior, entre públicas e privadas. Apesar do número de instituições, o Brasil ainda apresenta um percentual relativamente baixo de jovens na faixa etária de 18 a 24 anos cursando a educação superior — quero dizer 83% do total da população nessa faixa etária estão excluídos da educação superior.

A opção por políticas que buscam atender aos grupos sociais que historicamente não tiveram acesso à educação superior vem sendo uma medida inovadora de fundamental importância, por se constituir em uma possibilidade de contribuir com a diminuição das desigualdades sociais.

Além dessas iniciativas, se faz necessário uma política social que atenda às necessidades da população e, especificamente, uma política educacional que priorize a educação em sua totalidade (básica e superior) no país. Destaco aqui a falta de um Sistema Nacional de Educação.

A qualidade da educação também deve ser entendida como inovação

E para sinalizar se uma instituição educacional tem qualidade, a primeira questão que se coloca é que conceitos, representações ou concepções de qualidade devem embasar as práticas, as políticas educativas, as dimensões e os fatores que apontam para essa construção almejada?

Observa-se que na delimitação do perfil dos egressos nos projetos pedagógicos institucionais e dos cursos de Graduação e Superior Tecnológico, é frequente encontrar a preocupação em formar cidadãos críticos, éticos, capazes de contribuir para o desenvolvimento humano, para o bem-estar da sociedade e aptos a exercer profissões atuais e futuras.

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As universidades são depositárias das esperanças sociais de grande parte da população, que, por sua vez, espera e cobra resultados, benefícios sociais e culturais efetivos. Para isso, as instituições precisam delimitar planejamentos de acompanhamento dos ingressantes, e egressos.

Desde a minha percepção, a inovação na educação superior só terá como resultado a qualidade na medida em que for capaz de:

Finalmente, a gestão dos processos educacionais tem muitas dimensões a serem trabalhadas.

Destaquei o acesso, permanência e a qualidade como produto de um planejamento que direcione os esforços de inovação para o atingimento desses resultados.

Deixo aqui o convite para continuarmos pensando e pesquisando sobre estes processos com o intuito de consagrarmos uma educação democrática e de qualidade, que de fato atenda às necessidades da nossa sociedade historicamente marcada pela desigualdade e discriminação.

Caterine Vila Fagundes

Caterine Vila Fagundes

Coordenadora de Inovação Pedagógica na Universidade Veiga de Almeida (UVA) e doutora em Métodos de Pesquisa e Diagnóstico em Educação