A inovação na educação está gerando oportunidades para todos os alunos?

Norton Moreira
Escrito por Norton Moreira

Os educadores que creem na inovação da educação como palavra-chave nestes tempos de alta conectividade têm grandes desafios a superar:

Como inovar na educação para que as ações e modelos propostos possam
de fato contribuir para a geração de oportunidades
para todos os alunos do Ensino Superior?

Até que ponto, nós, os educadores, estamos conseguindo captar o momento
e compreender quais caminhos os alunos, mais ou menos conectados,
possam seguir, seja no modelo tradicional de ensino,
no modelo de ensino a distância ou no modelo de ensino híbrido?

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O “dever de casa”, neste caso, precisa ser feito e começa com questões pontuais:

  • Se falamos em inovações tecnológicas, falamos de ensino colaborativo, curadoria em um mundo com excesso de informação e adaptação contínua de interesses que mobilizem pessoas cada dia mais distraídas. Por isso, precisamos garantir que o smartphone como instrumento para educação seja repensado e ressignificado uma vez que o número de usuários de celular no país já é maior que o número de habitantes.
  • O ponto seguinte é garantir que a altíssima disponibilidade de conteúdo em alta velocidade seja adequada e de qualidade. Com a ampliação do sinal 4G, autorizada a partir do desligamento do sinal de TV analógico que está ocorrendo em todo o país, chegaremos ao 5G, 30 vezes mais rápido. Não seja pessimista, estamos no caminho. Assim, de acordo com a própria Anatel, será “possível às operadoras proporcionarem uma internet de banda larga móvel com taxas de transmissão muito superiores àquelas disponíveis quando se usa apenas a faixa atual (a de 2,5 GHz)”. No devido tempo, dependendo de quem ganhar as eleições, teremos disponibilidade de informação em quantidade nunca antes vista no mundo, o que mudará ainda mais a forma como aprendemos.

Com mais distribuição de ferramentas e melhor qualidade de sinal, temos o desafio de trabalhar o conteúdo inovador que possibilita estabelecer uma “conexão” entre educador e alunos.

Mas como fazer isso, se também estamos lidando com gerações muitas vezes até dispersas diante de tanta informação a que são submetidos?

Uma das possibilidades é ser criativo

O ambiente digital é um campo aberto para novas ideias. O educador pode explorar isso adotando a linguagem e os formatos, como os vídeos, os games, chatbots apoiam nas dúvidas mais simples e, acredito eu, o aprendizado se dará por projetos.

Esqueça o conteúdo como ele é hoje, vamos construir material didático que se adapta a cada estudante. Acredito que isso seja um caminho para gerar empatia e também engajamento, que são duas palavras muito propagadas nos dias de hoje e não sem razão.

Vivemos em clima de inovação e isso pede um tipo de participação que vai além do preenchimento de um formulário. É uma participação de “fã”, que interage, curte, comenta e, principalmente, compartilha, amplifica enormemente o alcance das ideias e ajuda a revelar novos universos para quem está em busca de novas oportunidades.

As redes sociais podem acabar como são hoje, mas a experiência de compartilhar e do like/unlike seguirá ampliando o mundo em sociedade, dando o norte do que é bom e o mal.

A outra possibilidade é agir de forma colaborativa

Se temos engajamento, temos uma oportunidade de ouro no processo de inovação na educação: tornar o aluno também protagonista em todo processo de aprendizagem, criando espaços para que ele participe, ele produza o conteúdo. A geração dos chamados “nativos digitais” literalmente cresceu com vez e voz, como se diz, graças ao surgimento e a popularização das redes sociais.

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Parafraseando McLuhan, todos são emissores da própria mensagem. E por que não tirar proveito e criar ações e canais colaborativos? Há ganhos fantásticos quando se faz isso. O primeiro é que reforça o engajamento destacado acima. E outro é o impacto inspirador que o conteúdo de um aluno pode provocar nos demais.

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Como diz um dos muitos memes populares nas redes sociais, as configurações do conceito de turma foram atualizadas. Ou seja, a turma não é somente a que está na mesma sala, no mesmo ambiente de aula. É também aquela que reúne alunos com uma identificação muito maior entre si também pelo o que compartilham em seus canais digitais.

Pense na força que isso pode ter quando envolvido com o processo de aprendizagem.

A experimentação como rotina

O que tem favorecido os educadores neste desafio de aplicar inovações tecnológicas em seu dia a dia com os alunos é que ainda é um campo aberto para a experimentação. Em especial no Ensino a Distância, experimentar ideias e recursos tem feito a diferença.

Não por caso, o 24° Congresso Internacional ABED de Educação a Distância (Ciaed), que acontece em Florianópolis de 3 a 7 de outubro, tem justamente a Experimentação em EAD como tema central.

Como bem destaca Fredric Michael Litto, presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), entidade promotora do Congresso, “as novas ideias teóricas sobre a aprendizagem e as novas tecnologias que permitem práticas incomuns circulando hoje no universo da EAD são muitas, variadas e bastante vinculadas aos hábitos das novas gerações”.

A programação do 24º Ciaed é ampla e reflete de sobremaneira o momento propício para inovação que todos nós educadores vivemos atualmente. Cabe ao educador assumir a missão de explorar o universo de possibilidade proporcionado pelo universo digital, compreender os hábitos dos alunos enquanto consumidores de informação e inserir rotinas que possam fazer a diferença. E o mais importante: sem receio de experimentar, de buscar o novo, abrir novas possibilidades.

Com tanto para agregar à sua metodologia de ensino, o que não dá é para ficar offline.

Os alunos agradecem.

Norton Moreira

Norton Moreira

Especialista em educação a distância e gestão do conhecimento e CEO da DTCOM — uma das maiores produtoras de conteúdo para EAD e Educação Continuada do país