Inteligência artificial e educação: suporte para o desafio de construir conhecimento

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Norton Moreira
Escrito por Norton Moreira

Não tenho dúvidas de que a Inteligência Artificial (AI) tem grande potencial para que possamos verdadeiramente revolucionar — mais ainda do que já temos vistos em termos de inovação tecnológica — nosso trabalho como educadores. O movimento de empresas como Microsoft, Amazon ou IBM, somam milhares de pesquisadores trabalhando só com AI e outras centenas de milhares de desenvolvedores ao redor no mundo criando aplicações, é um indicativo do que isso poderá significar.

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Diante desta perspectiva, a AI se insere em um cenário onde a educação implica em criar um processo de ensino-aprendizagem que trata de gerenciar e processar muita informação para empreender um caminho de construção de conhecimento individual e totalmente personalizado.

Se a educação se manteve expositiva nos últimos 100 anos, me parece que a velocidade transformadora que estamos vivendo desponta como o “senso de urgência” necessário para adoção de metodologias ativas, com o suporte de Inteligência Artificial e tantas outras abordagens inovadoras que vêm sendo inseridas na educação de qualidade.

Mas para falar de tecnologia na educação, precisamos resgatar o que é educação e sua transformação ao longo dos últimos dois mil anos.


Os processos de ensino-aprendizado na Grécia antiga utilizavam o diálogo para formar cidadãos capazes de opinar e participar das decisões. Esta prática, quase individual de aprendizagem se perdeu ao longo da história e se tornou inviável quando a educação passou a ser massiva. No entanto, a construção do conhecimento continua sendo um processo individual.

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Por tudo isso, o uso da Inteligência Artificial mostra mais uma vez a contribuição relevante que a tecnologia tem dado à educação e as muitas transformações inovadoras que tem provocado na produção, na formatação e na distribuição do conteúdo de aprendizagem que é produzido.

Já vivenciamos isso diariamente e de certa forma estamos sempre atentos para o que está por vir, novas ferramentas, novas plataformas, novas tendências.

Maior poder computacional a nosso favor

A ideia por trás dos investimentos que vêm sendo feitos é disseminar o suporte de Inteligência Artificial e torná-la uma aliada para substituir tarefas repetitivas e aumentar a própria capacidade humana. É o que prega, no fim das contas, o próprio conceito de Inteligência Artificial: uma ciência da computação que visa desenvolver dispositivos para simular a capacidade do ser humano de raciocinar, solucionar problemas e até de tomar decisões.

O poder computacional que temos disponível hoje, que é capaz de resolver qualquer coisa, corrobora a visão destacada pela gestora. Não é de hoje que se fala em Inteligência Artificial. Desde os anos 1940 já se trata do assunto. Mas antigamente as possibilidades de se desenvolver algo em cima fica restrito pela capacidade técnica disponível.

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Não vejo outro caminho senão este, de agregar elementos que tornem a experiência de ensinar e de aprender muito mais imersiva e personalizada, proporcionando outro tipo de relação com o conteúdo com a abertura para se explorar um tema de forma totalmente interativa. Falo do uso da realidade virtual, mas com a Inteligência Artificial podemos ir além e trabalhar de forma a associar Big Data e algoritmos.

Mas a cada dia, penso que estamos vivendo um momento único na frágil vida humana. A velocidade nas mudanças, a diversidade cultural e a necessidade cada dia maior de processar informações trazem o desafio de prover formas de um formar cidadãos capazes. Me parece que a questão hoje é entender o que significa ser capaz.

Será que hoje basta formar pessoas com senso crítico ou precisamos também dar a possibilidade de cada um encontrar seu caminho de crescimento pessoal e profissional em meio a mudança constante?

Um dado me espanta e, ao mesmo tempo, me alegra. Segundo estudo do Fórum Econômico Mundial, 65% das crianças que estão começando o primário deverão trabalhar em empregos que ainda não existem. Espanta porque já está acontecendo e me alegra porque provavelmente estarei vivo para ver e participar.

Senso crítico é um outro desafio

Se estamos na época do excesso de informação incerta, prover conteúdo que suporte a formação individual de cidadãos passa a ser o desafio da vez.

Imagine que fosse possível combinar de maneira não repetitiva todos os símbolos da escrita humana em livros com, digamos, 200 páginas. Se isso fosse possível, então teríamos explicitado todo o conteúdo possível de ser produzido pela humanidade na forma de livros de 200 páginas. Se uma pessoa tivesse um propósito claro e o tempo necessário para encontrar os livros certos, teria a mão todo o conteúdo necessário para desenvolver seu próprio conhecimento e a partir disso criar suas competências.

Esse paradigma nos diz que o problema não é encontrar o conteúdo, mas saber como usá-lo para criar o nosso próprio conhecimento aplicável a um propósito. Se tivermos um robô rápido o suficiente para encontrar os livros certos, ainda faltará muito suor para interpretá-los.

Enfim, faltam muitas pontas a serem amarradas para essa equação virar educação. Neste cenário, a Inteligência Artificial pode suprir algumas partes importantes deste desafio. Mas só não pode resolver nossa necessidade de construir conhecimento em harmonia com nossos pares e de forma solidária. Este desafio é só nosso.

Norton Moreira

Norton Moreira

Especialista em educação a distância e gestão do conhecimento e CEO da DTCOM — uma das maiores produtoras de conteúdo para EAD e Educação Continuada do país