Tecnologia na Educação como estratégia para as escolas

WhatsAppFacebookShare

selo-silicon-docks-inoveducTecnologia na Educação, com a presença do digital no dia a dia das crianças, é uma das discussões em destaque no sistema de ensino da Irlanda. O país, que em sua capital tem um hub tecnológico europeu, principalmente na área apelidada de Silicon Docks, vê esforços de vários lados em integrações do governo com empresas privadas para implementar um ensino mais digital e ensinar, cada vez mais cedo, a linguagem tecnológica.

. Na Finlândia, os alunos dão aula de tecnologia para seus professores

O Departamento de Educação e Habilidades irlandês desenvolveu um plano, com a consultoria de especialistas na área, chamado Estratégias Digitais para Escolas 2015-2020. A ideia é incentivar educadores a usarem as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC).

Um dos consultores desse projeto foi Michael Hallissy, sócio-fundador da H2 Learning, empresa voltada principalmente para consultoria. Sua missão é desenvolver experiências de ensino que atendam às necessidades da sociedade em um nível global.

“Recentemente, trabalhamos com o Ministério da Educação em uma nova estratégias para escolas. É basicamente centrada em como podemos embutir tecnologia digital nas escolas e nos currículos e não ter isso como algo separado, o que estava no passado”, disse Hallissy.

Tecnologia na Educação em estudo há mais de 30 anos

H2-Learning-Silicon-Docks--tecnologia-na-educacao-Inoveduc

Desde 1986, Hallissy trabalha com tecnologia na Educação. Em sua opinião, crianças devem aprender tecnologia nas escolas desde muito novas, assim como aprendem a escrever com uma caneta.

E professores devem aprender como usar a tecnologia eticamente.

. 8 habilidades que o professor moderno precisa ter
. Profissões da era do sedentarismo emocional

“Estou olhando todo o tempo para o que está acontecendo globalmente. O que a Irlanda, em especial, faz agora é ver o que o Departamento de Educação acredita ser bom em ensino e aprendizagem nas nossas escolas. Estamos ajudando a colocar tecnologias digitais nesse mix. Acho isso importante, porque muitos professores têm medo de tecnologia”, disse Michael Hallissy.

Para o especialista, as tecnologias digitais já transformaram a rotina das pessoas. Por que não no ensino também?

“Isso está redefinindo a forma como lemos, escrevemos, como nos engajamos com informação e precisamos de um novo pacote de habilidades. Também precisamos nos afastar dos modelos de avaliação tradicionais, que na situação irlandesa incluem ficar sentado com um papel e caneta e escrever por três horas em uma prova.”

Aprender deve ser com a prática, além da teoria

Outro ponto destacado por Hallissy é a importância de as crianças aprenderem além de computação, como programar, por exemplo. Mas colocando a mão na massa para, efetivamente, aprender.

Com essa crença, nasceram dois projetos com a prática em primeiro plano. A H2 Learning fica localizada dentro do espaço The Digital Hub, na histórica Dublin 8. Os dois grupos desenvolvem em conjunto dois projetos em que jovens precisam colocar a mão na massa para aprender: Future Creators e Future Creators Codet.

O primeiro trabalha com jovens de 13 a 16 anos, de novembro a junho, com encontros durante tardes na semana. O modelo foi importado de Chicago e tem o objetivo de ensinar um pouco de animação, digital storytelling, programação, entre outros assuntos.

“Nós ensinamos em blocos que duram quatro semanas. No final, concentramos em grandes projetos de uma área que eles gostam. Tem muita prática. O projeto que eles criam no final inclui todas as habilidades digitais que eles ganharam ao longo do curso aqui”, explicou Hallissy, ressaltando que o Future Creators originou um projeto europeu similar, chamado Digital Pathways.

Ainda há necessidade de digitalizar

Segundo Hallissy, as tecnologias digitais estão oficialmente nas escolas desde 1996, embora tecnologias de computadores existam desde a década de 1980. Porém, o uso ainda não está amplamente difundido.

“Temos evidências de que em nossas escolas a maioria dos professores não usa tecnologias digitais. Nossa missão é: se você quer um sistema de educação no topo, estamos interessados no melhor sistema educacional de qualidade e sistema de treinamento para nossos jovens, e estamos interessados em certificar de que a tecnologia deve fazer parte dela. Nossa missão é desenhar experiências de ensino mundial que atenda às necessidades da sociedade”, disse o especialista.

Larissa Siqueira

Larissa Siqueira

[email protected]
Especial da FOLHA DIRIGIDA para o InovEduc
A repórter esteve na Irlanda entre abril e maio de 2016

Ver todas as postagens publicadas por Larissa Siqueira