Alquimétricos: brinquedos didáticos unem arte, tecnologia e educação

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Integrar educação, tecnologia e arte. Essa é a proposta do projeto Alquimétricos, desenvolvido pelo artista tecnológico e empreendedor argentino Fernando Daguanno.

A ideia é desenvolver brinquedos didáticos a partir de materiais recicláveis e de baixo custo. Para construir os brinquedos, são usados banners de publicidade reutilizados e palitos de churrasco, por exemplo. De acordo com seu criador, os brinquedos podem auxiliar professores a explicar diversas disciplinas de forma mais interativa para os alunos.

“Nós podemos criar modelos que respondem bem para física, química, biologia, geografia. Podemos fazer esquemas de redes ou pensar em coisas mais interativas, como mecânica, cibernética, robótica“, explica Fernando.

Por exemplo, ao construir uma molécula é possível explicar conceitos de química. Se a estrutura tiver o formato de uma célula, pode ser usada em aulas de biologia. Pode-se construir ainda uma alavanca para ensinar física ou ensinar conceitos relacionados a geodésia, que está intimamente ligada à geografia.

Aliados a componentes eletrônicos, os alquimétricos podem se transformar em robôs

A ideia de facilitar o acesso de crianças carentes a este tipo de brinquedo é uma das metas de Daguanno. “É importante você empoderar as crianças, principalmente as mulheres e as crianças de periferia, porque o que acontece é que brinquedos didáticos tecnológicos normalmente são muito caros e inacessíveis para o público para o qual esse tipo de brinquedo foi pensado”, ressalta ele.

Infográfico-Alquimétricos

 

Depois que são montados os corpos geométricos, outros conceitos mais complexos podem começar a ser trabalhados, como a plataforma de prototipagem eletrônica – arduino. Para desenvolver esta parte eletrônica, são utilizadas também sucatas de aparelhos como impressoras, calculadoras, celulares e computadores, entre outros, como explica o empreendedor.

“Uma figura alquimétrica junto com sucatas retiradas de uma impressora pode ser convertida em um robô. Então aí você pode aprender a construir estruturas, aprender fundamentos de eletrônica, robótica e programação, tudo junto e brincando.”

O uso dos alquimétricos nessas disciplinas já foi testado por colaboradores do projeto. Mas Fernando ressalta que novas possibilidades ainda podem ser descobertas. “Eu acho que não tem limites, cada um vai achar uma aplicação para seu campo de conhecimento. Cada experiência é única e é bom cada um desenvolver seu próprio relacionamento com o material, com os conceitos e descobrir qual ciência está esperando ser descoberta nesse universo alquimétrico.”

Fernando Daguanno -Criador do Alquimétricos
Fernando Daguanno -Criador do Alquimétricos

Projeto foi elaborado com foco no terceiro mundo

Além das oficinas para crianças, Fernando desenvolve também workshops para professores, artistas e agentes comunitários. Ao longo dos dois anos de existência do projeto, Fernando ministrou palestras em diversas instituições do Rio de Janeiro. Entre elas: a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Incubadora de Empresas de Design (ESDI/UERJ) e o Instituto Europeo di Design – Rio (IED Rio), entre outras.

O trabalho com os Alquimétricos iniciou a partir de um projeto de pesquisa realizado por Fernando em torno da reciclagem de resíduos sólidos urbanos. Um dos diferenciais desses brinquedos educativos é justamente o fato de não existir barreiras para o acesso econômico.

“É um projeto muito focado no terceiro mundo. Dentro do mercado tem soluções muito boas de brinquedos didáticos, agora opções boas e baratas é bem mais difícil. E essa coisa de fazer você mesmo, pensar com as mão, aprender fazendo e brincando é a chave do projeto”, enfatiza.

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Letícia Santos

Letícia Santos

leticia.santos@folhadirigida.com.br

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