Alunos da FGV criam projeto que torna EAD mais acessível

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A educação é um direito previsto na Constituição. Escolas e universidades estão cada vez mais se adequando às exigências que garantem o acesso de pessoas com algum tipo de deficiência a conteúdos educacionais. No entanto, possibilitar a interação desses estudantes em ambientes de aprendizagem virtual (AVA) na modalidade de ensino a distância (EAD) ainda é um desafio a ser vencido no Brasil.

Os alunos de pós-graduação em Administração de Empresas da IBE-FGV de Campinas, desenvolveram um projeto chamado “Ambiente de Educação a Distância Sustentável, Acessível, Colaborativo e os Impactos na Sociedade”. O objetivo era garantir de forma acessível os estudos pela modalidade de ensino a distância, tanto nos AVA’s quanto nos materiais didáticos e ferramentas de comunicação.

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Os integrantes do EduQuality e o professor orientador recebem prêmio pelo trabalho de conclusão de curso. (Foto: Divulgação)

Os responsáveis pela iniciativa, foram Henrique Salustiano, Fabiola Calixto, Ana Paula Gaboardi e Victor Camargo. O quarteto é exemplo de que é possível propor uma solução inovadora para os estudantes de EAD. “O que temos hoje são ambientes virtuais acessíveis. Mas poucos têm material didático e ferramentas acessíveis”, disse Henrique Salustiano, um dos idealizadores do projeto, embrião para o surgimento do EduQuality. O projeto foi orientado pelo prof. Luiz Fernando de Araújo Bueno, pertencente ao quadro de professores da IBE FGV de Campinas.

Carência de acessibilidade a materiais foi a motivação do EduQuality

A criação do EduQuality se deu pelas experiências pessoais dos integrantes do grupo em suas respectivas áreas de atuação. Salustiano, que já trabalhava com EAD, viu na experiência de Fabíola Calixto, que trabalhava com tecnologias assistivas, o elo que estava “perdido”.

“A possibilidade de conjugar as experiências e elaborar um projeto que abrangesse esses temas, e que tem como justificativa a carência da acessibilidade na modalidade de ensino a distância, foi o que nos motivou”, ressaltou Salustiano.

Com um investimento de aproximadamente R$10 mil (valor baseado em consultoria), é possível pôr em prática o projeto. As tecnologias de código aberto como o Moodle (Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment), software educacional mais usado no mundo, são priorizadas.

Além disso, outras tecnologias são utilizadas para garantir a acessibilidade. Ferramentas para conversão de texto em libras, audiodescrever imagens e vídeos e a legendagem são alguns exemplos.

“Todos esses recursos e serviços contribuem para oportunizar e aumentar as habilidades funcionais de pessoas com deficiência. E, com isso, oferecer independência e inclusão com a ampliação das possibilidades de comunicação, mobilidade, controle do ambiente, e as possibilidades de aprendizado, trabalho e inclusão”, explicou Henrique Salustiano.

Proposta do EduQuality é integrar e incluir deficientes na EAD

O desenvolvimento do projeto de EAD acessível constitui num incentivo. É preciso que empresas da área de tecnologia enveredem pelo mesmo caminho. A intenção é que sejam desenvolvidos mais produtos que auxiliem as pessoas com deficiência a buscar conhecimento de maneira autônoma. O que possibilita ampliar suas reais capacidades de aprendizado.

“Estudar na modalidade presencial acaba acarretando muitos agravantes e dificuldades para esse aluno. A EAD, que seria um caminho viável, precisa garantir a acessibilidade. Isso faz com que os alunos estejam não apenas integrados, mas incluídos no contexto de aprendizagem da instituição”, disse Salustiano.

A proposta do EduQuality é ter uma perspectiva universal. Com isso, pretende trabalhar com uma abordagem que atenda a todos os tipos de pessoas, com qualquer tipo de deficiência. A iniciativa tem direcionamento inclusivo. Seu diferencial é oferecer uma solução nativa. Otimiza o acesso ao conteúdo sem que seja necessário o uso de outras ferramentas externas ao ambiente.

“O plano para o futuro é tentar angariar incentivos, até mesmo de órgãos públicos, para nós, pesquisadores, disseminarmos esse projeto.  É importante que novas instituições, tanto públicas como privadas, comecem a enxergar a necessidade de investimento na garantia dos direitos dos deficientes de ter acesso a um ensino na modalidade a distância”, destacou.

Cinthia Guedes

Cinthia Guedes

cinthia.guedes@folhadirigida.com.br

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