Big data em edtech cria novos questionamentos na Educação

Big data em edtech cria novos questionamentos na Educação

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O advento da big data e a adoção da análise preditiva — uso de dados, algoritmos estatísticos e técnicas de machine learning para identificar a probabilidade de resultados futuros com base em dados históricos — em edtech traz um novo conjunto de perguntas para a mesa de discussões no meio educacional.

Como os dados gerados são usados para ajudar os alunos? O que acontece com esses dados? Quais pressupostos são incorporados nos algoritmos utilizados para a tomada de decisões?

 

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Essas foram apenas algumas das questões levantadas durante o Education Impact Symposium, que aconteceu no fim de julho, em San Francisco (EUA). E se há tantos questionamentos e incertezas no cenário educacional americano, imaginem no Brasil, que se mantém passos atrás nesse setor, especialmente em se tratando de inovações tecnológicas.

O melhor a fazer, então, é procurar informações e aprender com as experiências dos gestores e professores da terra do Tio Sam. Guardadas as devidas diferenças entre os sistemas educacionais dos dois países.

Preocupação com limites de privacidade é grande

“Onde temos alguns desafios é na transparência”, disse Michael Hawes, diretor da divisão de política de privacidade dos alunos do Departamento de Educação dos EUA, em um painel sobre as questões e oportunidades que esta nova prática traz.

“Onde eu vejo um grande impulso é [ser] muito mais antecipado sobre todo o processo”, disse Hawes, que considera importante ter uma consciência das limitações de algoritmos que fazem previsões.

Qual é o potencial desses algoritmos para errar? Que recurso os indivíduos têm de desafiar nesses resultados, Hawes perguntou, ao questionar as decisões que tomadas com base neles. O diretor frisou que o público e os educadores precisam saber e entender essas questões para que possam discuti-las.

“Não há solução fácil, mas não devemos usar essas questões para parar o bom trabalho que está sendo feito”, disse ao público reunido pela Education Technology Industry Network of the Software & Information Industry Association, organizadora do evento.

Uso de algorítimos em edtech é caminho natural

Educadores e alunos devem entender os pressupostos incorporados nos algoritmos e as possíveis distorções que podem existir nos dados subjacentes.

Hawes mencionou um artigo de Ben Herold, do início do ano passado, sobre o uso de plataformas adaptativas — incluindo um investimento importante pelo CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, e outros na AltSchool — em uma escola e um laboratório com base em São Francisco, que está colocando dados e análises importantes para usar.

Mais de 50 engenheiros, cientistas de dados e desenvolvedores estão trabalhando em conjunto. O grupo projeta ferramentas que poderão estar disponíveis até o ano letivo de 2018-19.

Algoritmos estão em toda parte, segundo Hawes, e eles não vão embora. “Do ponto de vista de um provedor, a forma como os dados são fabricados, da maneira que é tratada. Queremos ter objetivos mais altos em mente para educar as crianças”, disse o especialista.

Um ponto de vista da educação superior

A rápida evolução da edtech levanta questões sobre como as diferentes ferramentas digitais influenciam a entrega de instruções nos campi.

“O ensino superior está sendo sistematicamente desprovido de recursos. A chamada tecnologia educacional está se tornando rapidamente uma indústria mundial”, disse Mitchell Stevens. Ainda segundo o professor da Universidade de Stanford, “é uma indústria impulsionada por capital, não uma indústria orientada pela ciência”.

Stevens afirmou que ainda “não construímos a infra-estrutura científica para estabelecer verdades fundamentais sobre o que funciona e ou não”. O que resulta em grandes promessas, pequenas entregas e chances de problemas com “vendedores-cobra e investimentos ruins”.

Stanford pretende definir conceito ético para o setor

Stevens disse que está tentando “desenvolver um vocabulário para um comportamento eticamente razoável no setor”. A ideia é que faça sentido para os consumidores educacionais, acadêmicos, pesquisadores e os próprios desenvolvedores de edtech.

Nesse sentido, já trabalha em um projeto chamado Responsible Use of Student Data in Higher Education — traduzindo livremente, algomo como “uso responsável de dados de estudantes no ensino superior” —, um esforço conjunto do Center for Advanced Research through Online Learning, a Graduate School of Education e a Ithaka S+R.

O objetivo central é ajudar a definir o que é ser “um bom provedor de serviços educacionais que faça o bem, com ética e com ‘prima facie'”.

Débora Thomé

Débora Thomé

Editora-chefe
debora.thome@folhadirigida.com.br

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