Criador da 'sala de aula invertida' participa de evento em agosto, no Brasil

Criador da ‘sala de aula invertida’ vem ao Brasil em agosto para evento

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Uso do ensino a distância é essencial para a metodologia da sala de aula invertida
Na sala de aula invertida, os alunos estudam em casa, por computador, e aprofundam o conhecimento na escola

Em 2002, o educador norte-americano Jonathan Bergmann lançou o livro “Sala de Aula Invertida – Uma Metodologia Ativa de Aprendizagem”. Produzida em parceria com o escritor Aaron Sams, a obra representa um marco de uma inovação pedagógica que hoje é uma das principais apostas das instituições de ensino para tornar o ensino mais atraente.

A sala de aula invertida é um rompimento com o formato da aula tradicional. Em vez de aprender tudo na escola, o aluno tem um primeiro contato a distância com os conteúdos básicos. Para isso, são usados recursos como vídeos, textos, áudios e games. Em sala, já com uma base sobre o que será ensinado, aprofunda o conhecimento e tira dúvidas com os professores.

Educadores brasileiros poderão ver de perto as ideias de Jonathan Bergmann em evento que será realizado em São Paulo, no dia 31 de agosto. Ele é um dos participantes da primeira edição do FlipCon Brasil, congresso mundial sobre sala de aula invertida, promovido pelo Grupo GEN Educação e pelo Universia Brasil.

O evento terá como convidados Andrea Ramal, doutora em Educação pela PUC-Rio, e Gabriel Elmor Filho, doutor em Ciências do IME. Voltado para gestores de instituições de ensino superior, o FlipCon Brasil ocorrerá no Universia Brasil, Torre Santander.

A metodologia já é adotada em algumas das mais importantes universidades do mundo. Entre elas estão Harvard e a British Columbia, onde foi utilizada por Carl Wieman, prêmio Nobel de Física em 2001. Segundo Bergmann, o método já é usado em quase todos os países.

“A sala de aula invertida é um movimento mundial. Vimos excelentes exemplos na Islândia, Irlanda, Turquia, nos Emirados Árabes, na Espanha, Austrália, China, Argentina, no Brasil, na Noruega, Itália, Espanha, Colômbia, no México, Peru, Chile… E a lista continua.”

O método, segundo Bergmann, tem diversas vantagens em comparação com a aula tradicional. Em primeiro lugar, proporciona uma interação mais qualificada em sala. Isso acontece porque o professor precisa dedicar menos tempo a falar do assunto e mais para tirar dúvidas e fazer análises complementares.

Jonathan Bergmann, educador norte-americano que é um dos criadores da metodologia da sala de aula invertida
Jonathan Bergmann, criador da sala de aula invertida, participará da próxima edição do Flipcon Brasil, no dia 31 de agosto, em SP

Sala de aula invertida facilita aprendizagem personalizada

A explicação sobre o tema da aula geralmente ocorre em vídeo. Isso permite assistir mais de uma vez à aula e, dessa forma, aprender melhor . “As aulas são mais envolventes, são mais ativas e têm melhor relacionamento do professor com seus alunos”, destacou o educador norte-americano.

Utilizar a sala de aula invertida exige, segundo Bergmann, o desenvolvimento de algumas aptidões. Os professores precisam, por exemplo, se afastar totalmente do conceito tradicional de ensinar. Além disso, é preciso que estejam familiarizados com tecnologias de ensino e tenham boa capacidade de administração do tempo.

“Isso exigirá que os professores trabalhem mais. Porém, os benefícios para os alunos ultrapassam em muito o trabalho extra”, analisou Bergmann. O educador destacou, ainda, que, quando bem utilizada, a metodologia tem impacto positivo na aprendizagem.

“A sala de aula invertida é ideal para oferecer uma aprendizagem mais personalizada. É um modelo simples que é fácil de implementar”, completou o especialista norte-americano.

No Brasil, o Instituto Militar de Engenharia (IME-RJ) é uma das instituições que usam a metodologia. Outro exemplo é a Mackenzie, em São Paulo. Segundo a educadora Andrea Ramal, que acompanha esses projetos, os resultados mostram que a metodologia pode ser adotada por instituições de perfis os mais variados.

“Ambas estão usando no ensino de Engenharia. Isso é bem interessante, pois costuma-se associar a sala de aula invertida a áreas como humanas e ciências sociais. Mas, na verdade, ela pode ser bem aplicada em qualquer disciplina e área do conhecimento”, esclareceu a doutora em Educação pela PUC-Rio.

Renato Deccache

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renato.deccache@folhadirigida.com.br

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