Cursos começam a mudar matriz curricular para formar ‘professor conectado’

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professor-conectado-inoveducO cenário educacional mudou. As crianças que hoje estão nas salas de aula são cada vez conectadas e cercadas por informações que, na maioria das vezes, chegam até elas por meio de um simples clique.

No entanto, a formação acadêmica tradicional continua moldando os professores para uma realidade já que não existe. E está cada vez mais distante das necessidades dos jovens do século 21.

Pensando em reinventar a formação dos professores, para que se adaptem às mudanças na educação brasileira, algumas instituições de ensino começam a investir em novas metodologias e repensam sua matriz curricular.

Mas como esperar professores inovadores se os modelos pedagógicos que formam os novos profissionais não garantem isso?

O questionamento pertinente foi feito pela coordenadora do curso de Pedagogia da Faculdade União das Américas (Uniamérica), Thuinie Daros.

“Acredito que ninguém desenvolve no outro aquilo que não é desenvolvido em si mesmo. Enquanto existir o modelo tradicional de ensino baseado unicamente no ensino do conteúdo do livro didático e exercícios de fixação, que ainda acontece em quase todas as classes do mundo, continuará a gerar alunos e professores desmotivados para o aprendizado”, disse.

Para Thuinie, os espaços onde os professores assumem a centralidade do processo e se apresentam como detentores de todo conhecimento acaba impossibilitando a participação mais ativa dos estudantes. E ainda ocasiona medo de errar, de arriscar, de participar.

Formação deve entregar ao mercado um profissional inovador

A urgência é de formar um pedagogo capaz de inovar, não só nas práticas pedagógicas, como também nos processos de gestão.

O curso de Pedagogia da Uniamérica adotou um trabalho pedagógico pautado nas metodologias ativas de aprendizagem. A metodologia recomenda estratégias pedagógicas pautadas no blended learning (ensino híbrido).

“Essa mudança coloca em evidência uma nova concepção de ensino e aprendizagem, que supera a visão do professor como mero transmissor do saber, mostrando que existem novas possibilidades de aprendizagem e que a escola pode deixar de ser a única instituição responsável pelo acesso ao conhecimento”, ressalta.

No decorrer do curso, contam com programas que compõe um cenário tecnológico no ambiente educativo. Realidade mistas (realidade aumentada e visualidade aumentada), realidade virtual, tecnologias mobile, plataformas adaptativas, games e entretenimento, Qrcodes.

Além disso, há a prática imersiva, que objetiva levar o pedagogo a compreender uma sequência didática produtiva. Propicia, também, perceber as possibilidades de atividades e recursos que podem ser utilizados na sala de aula por meio da empatia.

“Esses são os momentos organizados e planejados pelos professores no qual possibilita que os estudantes de licenciaturas vivenciem sequências didáticas como se fossem os alunos da educação básica.”

Matrizes curriculares precisam fugir do modelo convencional

Caminhando por esse mesmo modelo de ensino, a Unità Faculdades, em Campinas, também fugiu do modelo convencional. O resultado é uma matriz própria para seu curso de Pedagogia.

“Temos que ensinar sabedoria e aptidão, ou melhor ainda, sabedoria por meio da aptidão. A ideia então não seria apenas fazer a interação, mas sim ensinar pela prática”, disse Carolina Defilippi, coordenadora da pós-graduação de Inovação na Educação do Instituto Brasileiro de Formação de Educadores (IBFE), Centro de Educação da Unità.

Os jovens de hoje pensam de maneira diferente. Saltam de atividade em atividade, apreendendo o conteúdo de formas paralelas, não sequenciais.

“É impensável que um jovem da geração de ‘nativos digitais’ se concentre durante um longo período de tempo em aula expositiva com uma grande preleção. Eles querem fazer para aprender. Para esses alunos, nascidos na sociedade de informação, ser rápido é normal. As metodologias de aulas tradicionais não os motiva.”

Segundo Carolina, nos dias atuais há, predominantemente, uma aprendizagem passiva em sala com longas aulas expositivas. Enquanto isso, a parte ativa acontece em casa, quando não tem ninguém por perto para ajudar.

“Voltando à sala, não há revisão individual, pois a turma toda deve seguir junta. E o aprendizado vai ficando defasado e desmotivador.”

Professor conectado, metodologias ativas e alunos motivados

Carolina ainda ressaltou que o aluno até pode e deve fazer atividades passivas como leitura, ver vídeos e estudar conteúdos. Mas o importante é que as atividades em sala de aula sejam ativas.

Na Unità, o uso da metodologia ativa não significa necessariamente o uso da tecnologia. Para a coordenadora, o uso de metodologias ativas significa colocar o aluno como o principal agente responsável do seu aprendizado e fazer com que ele se comprometa com isso.

A especialista também afirmou que o feedback tem sido positivo por parte de professores e alunos.

“Os professores dizem que os alunos ficam mais motivados diante dessas novas metodologias capazes de responder às ansiedades dessa geração digital. Já os alunos dizem que as aulas ficam mais motivadoras, uma vez que eles não são apenas espectadores e podem participar das decisões durante as aulas, colocando a ‘mão na massa’ para aprender.”

Cinthia Guedes

Cinthia Guedes

cinthia.guedes@folhadirigida.com.br

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