Educadores discutiram inovações tecnológicas na educação na Bienal

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Olavo Nogueira, do Todos pela Educação

Participação e representatividade dos alunos, poucos recursos e infraestrutura precária. Essas são algumas questões que surgem constantemente em discussões que envolvem o futuro da educação no Brasil. Mas quais são as demandas da educação para o mundo contemporâneo?

Algumas pesquisas apontam que os jovens consideram o uso de tecnologia em sala de aula relevante, porém ainda pouco explorado pelos professores.

“A tecnologia é uma realidade na vida de praticamente toda a juventude brasileira. O desafio é como fazer um bom uso da tecnologia com a perspectiva pedagógica. E o professor é um elemento chave nesse processo, porque caso contrário será o uso pelo uso. Não é o que a educação precisa”, destacou Olavo Nogueira, diretor de Políticas Públicas do Todos pela Educação.

Olavo esteve presente no 2°Fórum de Educação, que aconteceu no último dia 5, na 18°Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro. O tema da conversa foi “Experiência de inovação na educação no Brasil”.

Em entrevista ao Inoveduc o representante do Todos pela Educação falou ainda sobre como a tecnologia pode melhorar o engajamento e deixar os alunos mais motivados.

“Muito tem se falado sobre atratividade. Um dos elementos que tem tornado a escola mais atrativa para o jovem é fazê-la ter mais sentido para eles. E o que hoje está no mundo dos jovens em grande medida é a tecnologia, o acesso e a informação rápida. Se conseguirmos trazer isso para a escola de maneira pedagógica, o caminho para torná-la mais atrativa se amplia.”

Escolas devem parar de resistir ao uso de tecnologia

A superintendente da Fundação Itaú Social, Angela Dannemann, destacou que é um equívoco tentar lutar contra a tecnologia.

“Bloquear o uso do celular em sala de aula e ter tudo concentrado só no núcleo de informática não é mais uma possibilidade do mundo de hoje.”

Angela reconhece que, embora haja problemas relacionados à infraestrutura em diversas escolas brasileiras, podem ser encontradas alternativas para que, ainda assim, os professores não deixem de incorporar novas tecnologias em suas aulas.

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II Forum de Educação, no último dia 5, na Bienal do Livro 2017 (Foto: Leandra Benjamin/Light Press)

“Nós fazemos bom uso da tecnologia de diversas maneiras. Temos desde a experiência de professores no Rio Grande do Sul que criaram uma escola interna que se propagou pelo município inteiro e depois para outros municípios, como temos também professor trabalhando com as ferramentas tecnológicas que existem para fazer um trabalho de reforço da aprendizagem”, disse.

De acordo com a superintendente, há alternativas até para aqueles que não dipõem de recursos digitais em suas escolas.

“Se não tiver, tudo bem. Pega a velha cartolina, faz grupo na sala, pede que eles façam pesquisas com seus aparelhos e volta para a velha ‘tecnologia’ do papel e caneta. Não vamos esquecer a velha; vamos alternar entre as duas tecnologias.”

Educadores precisam lutar por mais oportunidade de acesso

Angela explicou que na Fundação Itaú Social o tema tecnologia ainda não é trabalhado especificamente. Mas, aos poucos estão abordando conteúdos que possam ser usados em dispositivos móveis.

“Nós não estamos lá ainda. Estamos longe disso. Mas parte do que queremos fazer hoje é trabalhar com essa tecnologia. E é um esforço que já está sendo feito desde agora.”

Por fim, Angela ressaltou dois pontos aos quais educadores em geral devem ficar atentos.

“Precisamos brigar em conjunto para ter mais acesso à internet nas escolas. Acessibilidade geral é um ponto importante. O segundo é fazer uso do que está disponível. Trabalhar com tecnologias, mesmo que não sejam assim tão digitais, mas que podem ser inteligentes e interessantes.”

Professores no Rio de Janeiro já estão começando a incorporar em suas aulas o uso de redes sociais, como o Facebook. Desta forma conseguem aproximar os conteúdos da realidade dos alunos.

Letícia Santos

Letícia Santos

leticia.santos@folhadirigida.com.br

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