Quase sem recursos, professora cria ensino maker em escola pública

Quase sem recursos, professora cria modelo maker em escola pública

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Wired festival ensino maker inoveduc
Débora palestrou na sala Engaged do Wired Festival

É na escassez é que surgem as oportunidades. Foi assim que pensou Débora Garofalo, professora de rede pública municipal de São Paulo, para fazer uma revolução dentro da sala de aula.

A docente foi responsável pro implementar um modelo de ensino maker dentro da EMEF Almirante Ary Parreiras, em Cidade Leonor, zona sul de São Paulo. Durante um painel realizado no Wired Festival, ela destacou a importância de não se desmotivar pela falta de recursos.

“Não podemos ter a mentalidade de que não vamos fazer nada porque não tem com o que fazer. É possível fazer muito com pouco”, destacou ela.

Um exemplo que ilustra bem esta visão é perceptível em uma das primeiras atividades realizadas por Débora. Ele contou que saiu com os alunos no entorno da escola, onde havia muito lixo, e fez um trabalho de busca de materiais.

Com diversos itens recolhidos, os alunos desenvolveram projetos de robótica, que levaram a elaboração de projetos mais complexos na sequêcia.

“Através deste empoderamento, as crianças passaram a produzir tecnologia”, ressaltou.

Modelo de ensino maker mistura sucata com inovação tecnológica

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Débora Garofalo

Em sua apresentação, Débora estimulou os presentes a desenvolver com sucata a mesma atividade que seus alunos.  Durante a interação, a professora destacou a importância de se inserir conceitos práticos associados a teoria como forma de facilitar o aprendizado.

“O ensino tem que ser uma coisa prática. Não adianta eu falar de lençol freático e não mostrar para o aluno uma mina de água doce na rua da escola”, explicou.

Em meio aos diversos projetos implantados, a professora destacou a importância de atividades como esta na democratização do ensino e no engajamento.

“Os alunos mais indisciplinados foram os que aderiram mais rápido às atividades. Nesta cultura da democratização todas as crianças sentem-se incluídas”, salientou.

A questão de gênero também é ressaltada pela especialista.

“No começo as meninas não se envolviam muito nesta produção, até porque em muitos casos não tinha contato com brinquedos que estimulassem esta criatividade, pois muitas estavam acostumadas a brincar só com bonecas, algo muito comum. Mas com o passar do tempo e a interação entre meninos e meninas nas atividades elas passaram a ter uma grande participação nas atividades”, completou.

Igor Regis

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igor.regis@folhadirigida.com.br

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